sexta-feira, 3 de abril de 2026

*"Buscando transformar a minha consciência" (Crônica da Vida)

Demorou alguns anos para que eu pudesse compreender algo que sempre esteve diante de mim o tempo todo na minha vida, afinal, quando minha maturidade chegou, o olhar sobre meus pais deixou de ser ingênuo e começou a ganhar novas camadas.
Tudo aquilo que antes era aceito sem questionamentos passou a ser analisado com mais consciência. E foi nesse momento que começaram a surgir memórias das ausências, das falhas, dos silêncios e dos gestos que poderiam ter sido diferentes, entretanto não foram.
Foi assim que aprendi que é natural, nesse processo, a minha dor aparecer com mais força, até porque enxergar a realidade exige coragem.
No entanto, aprendi que crescer também é perceber que meu pai e minha mãe nunca foram super-heróis prontos que eu imaginava; longe disso, eles eram pessoas atravessando suas próprias batalhas, lidando com medos, limitações emocionais e histórias que muitas vezes também doeram em cada um deles.
Com o tempo, a vida tem me mostrado que permanecer preso a essas faltas não reconstrói o que passou. Desta maneira, cobrar eternamente o que não me foi dado apenas prolonga o meu sofrimento.
Com isso creio estar conseguindo encontrar na minha maturidade a compreensão de que agora sou responsável por minhas escolhas e pela forma como vou conduzir minha história daqui para frente.
Afinal de contas só posso oferecer aquilo que tenho, e eu não vou conseguir entregar um amor saudável se nunca aprender a receber. Quando reconheci isso não significou que consegui minimizar minhas dores, porém agora já consigo decidir a não perpetuar em mim ciclos que me ferem.
Por isso vou tentar transformar minha consciência e buscar uma nova ação para que eu possa escolher caminhos que podem ser mais saudáveis, não só para mim, mas para todos a minha volta.
Acredito que tenho, ao menos estou tentando, evoluído para conseguir olhar para trás com honestidade, e não permitir que o rancor ou mágoas definam o meu futuro.
Agora estou começando a compreender que honrar pai e mãe não é romantizar erros, então creio que posso escolher não viver mais aprisionado as mágoas.
Entendo que estou chegando num momento da minha vida em que tenho de fazer algo que muitas vezes é difícil de ser feito, que é saber perdoar.
Porque o perdão é um processo interno que pode libertar quem decide perdoar, e quando essa decisão amadurece no peito, o coração encontra mais leveza e a vida segue com mais autonomia. Assim tenho aprendido que crescer é, acima de tudo, assumir o próprio caminho com mais responsabilidade e muita compaixão.

®Jorge Bessa Simões

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*"Prisioneiro de mim" (Poema)

As chaves, esquecidas de propósito na ranhura do outro lado da porta, repousam frias como ferro molhado. Sinto o cheiro do metal oxidado, o frio me subi pelos dedos só de imaginar em tocá-las. Estão ali, tão perto, mas pesam como montanhas invisíveis.
Meu coração, acorrentado, esqueceu-se do voo. Minhas asas que um dia ousaram tocar o vento, jazem quebradas, cada batida soa como corrente ao se arrastar sobre pedra. Em meu peito, o ar é denso, como se estivesse cheio de pó e a cinza, e respirasse ruínas.
Cansado da súplica incessante da minha voz que ecoa como gota a cair sem fim numa gruta escura, ergo os olhos ao céu. As estrelas cintilam como brasas suspensas, e o seu brilho parece prometer consolo. Mas a sombra que germinou em mim é mais funda do que a noite.
Ela alastra como raiz venenosa, infiltra-se em cada recanto, e pesa, pesa mais, até ferir a chama clandestina que, em silêncio, insiste em permanecer ao meu lado.
Sou cárcere e carcereiro. Sou a muralha que me encerra e a chave que poderia me libertar. Também sou a centelha que resiste, mesmo quando tudo em mim parece ruir.
Diante desse paradoxo descubro minha essência: minha prisão não é apenas grades, é também espelho. A sombra que me habita é feita da mesma matéria que a luz que me acompanha. O silêncio que me sufoca é o mesmo que guarda a promessa de um grito.
Talvez um dia, quando o peso for insuportável, a mão cansada encontre coragem para rodar a chave esquecida. E então, a porta abrir-se-á não para fora, mas para dentro, revelando que o voo nunca me foi roubado, apenas está adormecido.

®Jorge Bessa Simões
(Baseado em Texto de Autoria Desconhecida)

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

*"O mundo pode até não ser meu" (Poema)

O mundo dá muitas voltas, algumas delas são tão lentas, quase imperceptíveis, entretanto outras são tão rápidas que arrancam o chão debaixo dos meus pés. É quando caio, e dói.
Porém cair não é o fim, é a prova de que estou vivo, de que me atrevi a andar, de que não fiquei parado à espera que a vida passasse por mim.
Com isso me pergunto: "Que mundo é este?. Foi ele que mudou ou será que fui eu quem mudei?. Ou terá sido ambos?."
Talvez o mundo seja apenas o reflexo da minha própria transformação. Mas a verdade é simples: não interessa a resposta. Porque o que importa foi que eu atravessei a porta, mesmo sem ter a chave certa. Para mim, isso é coragem, é escolha, é vida.
O caminho a minha frente, por vezes, se torna clandestino. Parece que tudo se esconde em becos escuros, que ele me fala em enigmas, e me desafia com fechaduras que não se abrem.
Mas então me lembro que o mundo é meu. Aliás, sempre foi. Afinal, nunca me escondi dele, não fugi do espaço que me pertence. O agarrei com as duas mãos, como quem segura algo frágil, mas precioso.
Vivi e vivo cada minuto como se fosse o último, até porque um dia será. Por isso não queria deixar nada por fazer, nada por dizer, nada por sentir.
Afinal o mundo é frágil, e eu também sou, e é nessa fragilidade que está minha força. Pois aprendi a caminhar com ele, a cair e a me levantar, e a suportar o seu peso, mas celebrando com leveza.
Não sei devo ou posso, mas aqui vai um conselho que aprendi na vida, e que vale ouro: "Não desperdice energia tentando mudar o mundo inteiro. O mundo não precisa ser reinventado por nenhum de nós, mas é preciso que vivamos à nossa maneira. Fazer do minuto seguinte, o minuto de uma vida inteira. Fazer da vida um exemplo. Porque a vida não espera. O tempo não abranda.
Por isso não se pode esperar. E eu sei que mesmo que caia novamente, vou me levantar, avançar, e viver. Pois o mundo pode até não ser meu de fato, mas a vida, ah, a vida é minha!.

®Jorge Bessa Simões
(Baseado em Texto de Autoria Desconhecida)

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