
Tudo aquilo que antes era aceito sem questionamentos passou a ser analisado com mais consciência. E foi nesse momento que começaram a surgir memórias das ausências, das falhas, dos silêncios e dos gestos que poderiam ter sido diferentes, entretanto não foram.
Foi assim que aprendi que é natural, nesse processo, a minha dor aparecer com mais força, até porque enxergar a realidade exige coragem.
No entanto, aprendi que crescer também é perceber que meu pai e minha mãe nunca foram super-heróis prontos que eu imaginava; longe disso, eles eram pessoas atravessando suas próprias batalhas, lidando com medos, limitações emocionais e histórias que muitas vezes também doeram em cada um deles.
Com o tempo, a vida tem me mostrado que permanecer preso a essas faltas não reconstrói o que passou. Desta maneira, cobrar eternamente o que não me foi dado apenas prolonga o meu sofrimento.
Com isso creio estar conseguindo encontrar na minha maturidade a compreensão de que agora sou responsável por minhas escolhas e pela forma como vou conduzir minha história daqui para frente.
Afinal de contas só posso oferecer aquilo que tenho, e eu não vou conseguir entregar um amor saudável se nunca aprender a receber. Quando reconheci isso não significou que consegui minimizar minhas dores, porém agora já consigo decidir a não perpetuar em mim ciclos que me ferem.
Por isso vou tentar transformar minha consciência e buscar uma nova ação para que eu possa escolher caminhos que podem ser mais saudáveis, não só para mim, mas para todos a minha volta.
Acredito que tenho, ao menos estou tentando, evoluído para conseguir olhar para trás com honestidade, e não permitir que o rancor ou mágoas definam o meu futuro.
Agora estou começando a compreender que honrar pai e mãe não é romantizar erros, então creio que posso escolher não viver mais aprisionado as mágoas.
Entendo que estou chegando num momento da minha vida em que tenho de fazer algo que muitas vezes é difícil de ser feito, que é saber perdoar.
Porque o perdão é um processo interno que pode libertar quem decide perdoar, e quando essa decisão amadurece no peito, o coração encontra mais leveza e a vida segue com mais autonomia. Assim tenho aprendido que crescer é, acima de tudo, assumir o próprio caminho com mais responsabilidade e muita compaixão.
®Jorge Bessa Simões
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