terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

*"Escrevo para não me afogar nas palavras" (Poema)

Muitas vezes me perguntam porque escrevo, e por mais que tente explicar, poucos compreendem, mas, vou tentar mais uma vez.
Escrevo porque escrever é algo simples para mim, ao mesmo tempo quando escrevo, isso impede de me afogar nas palavras. Porque as palavras ao nascer nas minhas memórias, além de abrir a minha mente, elas abrem as janelas do meu coração, ao mesmo tempo elas me libertam, me faz crescer, e me ajuda a construir um alicerce mais forte dentro de mim e só então consigo partilhar.
Ao mesmo tempo quando escrevo não é para me dividir ou para me perder, quando escrevo isso ajuda a me reconhecer em cada linha, e me faz juntar as entrelinhas preservando o meu eu.
Além disso, quando escrevo procuro me entrego na arte de escolher as palavras certas, aquelas que, em qualquer lugar, me devolvem a mim quem sou.
Por isso busco algum termo que acenda meu coração, na tentativa de tirá-lo da tristeza ou da mágoa, com isso escolho um verbo que empurre meus punhos para escrever, é nesse instante que o silêncio me diz mais do que o ruído.
Dessa forma, brinco com as frases, embaralho as palavras na busca de que elas façam sentido, afino o ritmo entre o ponto inicial e o ponto final, aparo arestas de cada uma delas entre as vírgulas, e assim não procuro enfeites, busco o sentido daquilo que escrevo.
Quando escrevo, é nesse momento que me expresso, e demonstro de forma clara tudo aquilo que vibra por dentro, faço isso de uma maneira só minha, pois é dessa forma que digo o que sinto e o que penso, consigo descrever o que ouço do fundo do meu peito e tudo aquilo que vejo ou vi, tento contar o que me acontece ao lado, na beira do meu cotidiano, onde o meu mundo murmura histórias que pedem voz ao serem escritas.
Quando escrevo é para não esquecer, mas ao mesmo tempo é para transformar os meus momentos em memória, o que me faz lembrar o quanto rasgo meus caminhos, na busca de sair do meu caos que a vida me desenha.
É nesse momento que escrevo o porque das minhas palavras, é quando encontro dentro de mim um lugar, um abrigo, e quando partilho o que escrevo, isso se torna uma ponte.
E quando escrevo é para tocar o íntimo dos que as leem, para emocionar sem excessos, ao mesmo tempo ensinar sem ser pretensioso, e convencer sem empurrar.
Busco sempre ajustar o tom ao coração do propósito, busco ser direto quando é preciso, quem sabe delicado quando convém, mas muito firme quando a ideia exige palavras mais contundentes.
Por outro lado, tento cortar repetições gramaticais, preferindo sempre manter a voz ativa entre as palavras, pois sei que é ai que a minha mensagem ganha músculo ao se mover.
É difícil escrever com parágrafos curtos, mesmo sabendo que o que escrevo respire melhor, mas o que fazer quando minhas memórias e o meu coração ditam o ritmo, porque cada texto dança quando as frases se dão a mão.
Ao término do que escrevo, ainda leio em voz alta, faço algumas revisões, posso até pedir opiniões, e corrijo tudo o que distraia, até porque as palavras são vivas e merecem cuidado, e atenção.
E para aqueles que ainda não compreendem do porque escrevo, respondo que ao escrever faço isso com alma, porque um texto quando toca, convence e ensina, com certeza será o texto que viaja. E é o que se partilha, o que fica, e no final, é o que devolve a mim tudo aquilo que me faz inteiro, me mantém vivo, espanta meus traumas e meus fantasmas, e ainda que não cure as minhas cicatrizes, com certeza me deixará em paz. É por isso que escrevo...

®Jorge Luiz Simões

®Velhas Memórias Poéticas. Copyright © 2013-2026
®Direitos Autorais Reservados. Lei 9.610/98

*Foto Arquivo Google Imagens.
©Todos os direitos reservados/2026
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário