quinta-feira, 16 de abril de 2026

*"Sonhos pisados" (Poesia)

Os sonhos que tenho sonhado,
Não dormindo, mas acordado,
Tão longe deles tenho ficado,
Que nem valeu tê-los sonhado.

Porque acabei na esperança ficando,
De um dia vê-los realizados,
E desiludido acabei estando,
Vendo-os pela vida sendo pisados.

®Jorge Bessa Simões

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*"Sonhando com sua volta" (Poema)

Quantas vezes tenho sonhado com sua volta, sonho tanto que peço ao Verdadeiro Deus, que não seja tarde demais quando você voltar, e que não seja quando na morte eu estiver dormindo.
Não desejo que sintas a dor que faz sangrar o coração desse velho que se magoou num sofrer infindo.
Tomará que um dia você volte, antes que o sol poente se ponha, e que esta minha vida venha se findar, que não venha apenas quando eu já estiver de corpo presente, inerte e frio em um caixão, onde nunca mais poderemos nos falar ou nos abraçar.
Que volte antes da minha vida se findar, e que saiba compreender que esse velho, talvez, não tenha sabido meu amor expressar a ti, e que tenha deixado de lhe mostrar o quando você é e foi muito querida, por mim!.
E se acaso voltar, que venha depressa, pois a vida tem me castigado muito, e pode ser que nada mais tenha ou reste desse amor para encontrar, pois com certeza, esse velho coração logo, logo irá paralisar e nada mais de mim, irá restar!.

®Jorge Bessa Simões

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*"Alegria triste" (Poema)

Que alegria triste minha alma afaga,
numa agonia louca de ser alegre.
É uma agonia de fingir que não se acaba,
pois sempre triste é o que meu coração consegue,
em fingir uma alegria que não existe.
Senão na aparência de fingir que me imponho,
E está alegria, só de tristeza consiste,
porque é falsa essa alegria, é só ilusão, é sonho.
Um sonho ilusório que se desfaz, afinal vejo,
o que sou nessa vida:- Pó miúdo!.
E disso tento me esquecer, mas como posso esquecer de tudo que é triste, é forte, não consigo esquecer nem da ilusão que há em tudo, até porque, o fim de tudo é a morte!

®Jorge Bessa Simões

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terça-feira, 14 de abril de 2026

*"Quem lhes deu o direito de me julgar?" (Crônica da Vida)

É interessante, tem pessoas que me conhecem a pouco tempo, entretanto, por causa de algumas coisas pontuais, onde não me permitem sequer me defender, do nada se acham no direito de julgar minha vida inteira.
Muitas vezes nem sequer conhecem os caminhos que percorri nos meus 70 anos, sequer sabem de onde precisei fugir, ou as vezes em que precisei de ajuda e não a pedi, e quando cheguei pedir, não tive a ajuda que precisava delas, e agora do nada, se acham no direito de me por em julgamento, por isso me pergunto: "Quem lhes deu o direito de me julgar?."
Será que essas pessoas sabem quantas vezes tive que trocar de travesseiro de tanto chorar?.
Será que sequer sabem quantas vezes estive à beira de desistir de tudo sem poder gritar aos quatro ventos, sobre o que estava sentindo diante do que me acontecia?.
Então me responda: "Quem lhes deu o direito de me julgar?.
Será por que eu seja diferente dos outros?.
Ou será por que muitas vezes prefiro me distanciar de certas pessoas que querem me ver para baixo em vez de me deixar voar?.
Até porque tem pessoas que se esquecem de quantas vezes minhas asas foram cortadas por elas, e quanto tempo levou para que crescessem novamente. E mesmo assim, quantas vezes me levantei da cama mesmo quando não conseguia.
E agora me julgam por coisas pontuais que poderiam ser resolvidas numa conversa, mas escolheram me acusar e sequer me permitiram a minha defesa, e é ai que fico me perguntando: "Quem lhes deu o direito de julgar a minha vida inteira?"
Talvez essas pessoas não sabem o preço que já tive de pagar para chegar onde estou.
Elas sequer imaginam as correntes que tive que quebrar para continuar seguindo em frente.
Essas mesmas pessoas não fazem a menor ideia dos ciclos que tive que superar, mesmo com muita dor.
Pode ser que elas não compreendam que meus processos não são os mesmos que os delas.
Então mais uma vez, digam-me: "Quem lhes deu o direito de me julgar?."
Se essas pessoas menos me julgassem, talvez elas pudessem me compreender, porque se estou feliz, livre e finalmente em paz hoje, é porque devo isso primeiramente ao meu Verdadeiro Deus, e depois a mim mesmo, e as poucas pessoas que tem me ajudado nessa minha caminhada.
Muito embora ainda não entenda: "Quem lhes deu o direito de me julgar?."

®Jorge Bessa Simões

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*"O perdão que cura" (Crônica da Vida)

Muitos de nós sofremos por causa das muitas doenças que aflige a humanidade, porém tem doenças que não se curam com acompanhamento médico, tão pouco vem através da ciência e muito menos por mãos humanas.
Até porque a cura de certas doenças está em um lugar mais profundo, silencioso e muitas vezes ignorado: Está no perdão.
Sabemos que existem dores que nenhum exame médico detecta, existem feridas que nenhum remédio jamais irá alcançar, certas cicatrizes ainda que aparentemente se fecham, jamais serão corrigidas por uma cirurgia plástica.
Até porque elas nascem das mágoas guardadas, de um ressentimento cultivado ao longo dos anos, das palavras que nunca foram ditas e das muitas lágrimas retidas.
E nosso corpo fala aquilo que estando no nosso íntimo, não se consegue decifrar ou curar. E, nesse momento que o coração se fecha no ódio ou na revolta, e o sofrimento acaba fazendo morada dentro de nós.
Sabemos que os médicos são instrumentos valiosos, que a medicina faz parte de um dom necessário, mas existem enfermidades que não se rendem aos tratamentos porque suas raízes não são só físicas.
São dores que se alojam no íntimo, e só encontram alívio quando aprendemos a soltar o peso que carregamos.
Por isso, ainda que as vezes, enfrentemos uma luta titânica em nosso coração, temos que aprender a perdoar, muito embora perdoar não seja justificar o mal que nos é feito ou fazemos, tampouco perdoar quer dizer que tenhamos de apagar o passado, isso é impossível para nós humanos, mas perdoar é nos libertar de uma doença que nos corrói o íntimo.
O perdão muitas vezes é um remédio amargo no início para todos nós, mas ele pode nos trazer curas com o tempo. É claro que o perdão não muda o que aconteceu, mas pode transformar aquilo que causa um grande mal dentro de nós.
Porque quando perdoamos, não curamos apenas àqueles que nos causam um mal, mas curamos também a nós mesmos. Nosso coração vai se tornar mais leve, nossa mente irá encontrar descanso, e o nosso corpo, finalmente, começa a respirar paz.
Sendo assim, ainda que seja algo difícil para cada um de nós, temos que buscar entender que muitas doenças persistem porque o perdão vai sendo adiado para depois, ou na espera que a outra pessoa mude.
É por isso que muitas dores se prolongam por tanto tempo, porque no nosso íntimo continuamos presos àquilo que já deveríamos ter sido deixado para trás e não deixamos.
Seria muito bom se pudéssemos compreender que a verdadeira cura começa quando entendemos que segurar as mágoas nos adoecem, e quando a soltamos é um ato de amor próprio.
Assim, a cura de muitas doenças do ser humano, não está só nos hospitais, ou na capacidade humana de tratar sintomas. Não!
E a cura só acontece quando escolhemos perdoar, ou quando deixamos que o Verdadeiro Deus toque onde ninguém mais alcança, e somente quando permitimos tudo isso, descobrimos que o amor é algo maior do que a dor.

®Jorge Bessa Simões

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domingo, 12 de abril de 2026

*"Vou mudar" (Poesia)

Do circo da vida sou um palhaço,
Eu canto, danço, pulo, rio contente,
Faço minhas loucuras, e são tantas que faço,
Que me confundo numa alegria aparente.

Mas porque tanta alegria fingir?.
Porque não ser como pareço, alegre?.
Porque amarguras e tristezas curtir,
Se fingindo alegria, só tristeza se consegue?.

Por isso agora, da tristeza pretendo largar,
Quero ser alegre, mas alegre mesmo de verdade!.
Chega de ao mundo e a todos enganar!.

Mas como, se na verdade, o que sinto está potente?.
Como ser alegre, se não houver sinceridade,
Se só quero enganar que estou contente?!.

Assim, vou mudar...

®Jorge Bessa Simões

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*"Palhaço da vida" (Poesia)

Sou um palhaço no picadeiro da vida,
Do qual nós todos somos, marionetes da sorte,
Sofro no íntimo em aparência fingida,
Mostrando alegria, enganando a vida e a morte.

Parece impossível que possa a um ser humano,
Ter tal valor, ou que possam achar tal tino,
Mas a falsa alegria cobre sempre um desengano,
Da vida, que em esconder me desatino.

Nem sei dizer ou expressar o que sinto por dentro,
Não quero, jamais, que outros por mim penem,
Mas escrevo o que sinto conforme o pensamento,
Vai me tangendo, e se as tristezas me oprimem,
Abro um falso sorriso alegre para que não se lembrem,
Que as mágoas guardadas no fundo do meu peito, ainda vivem.

®Jorge Bessa Simões

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*"Quisera..." (Poesia)

Quisera ser dos mortais, o mais feliz,
Quisera ser mas, afinal não sou,
Quisera ser alegre, sim, sempre quis,
Quisera ser, mas, triste sempre estou,
Quisera ser compreendido, mas não sou,
Quisera ser bendito, mas quem me bendiz?.

Quisera ser bom pai e ver meus filhos mais feliz,
Quisera ser, mas, como um velho morrendo estou,
Quisera ser lembrado pelas coisas boas que fiz!.

Quisera ser...

®Jorge Bessa Simões

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sábado, 11 de abril de 2026

"70 anos que podem se findar" (Crônica da Vida)

Já se passaram tantos anos na minha vida, aliás, 70 anos, porém alguns anos não passam, parece que ficaram lá parados no tempo pois não chegaram a solução de algumas situações mal resolvidas, e de vez em quando eles tentam se ajeitar, mas nada!.
Tem alguns desses anos que o melhor é ficar quieto, enquanto eles se estendem como sombras nos anos que passam, é como se eles olhassem para mim de lado, tipo me perguntando; "Você já entendeu alguma coisa?."
Já se passaram 70 anos desde que tive que escolher um caminho a ser seguido de uma forma muito dura, se foi a escolha certa ou errada? Não sei! Ainda tento entender em qual esquina da vida me perdi ou fui roubado desde a minha infância por alguns que não me permitiram viver meus sonhos.
Desde que saí da vida de algumas pessoas, poucas entenderam o verdadeiro motivo de tão dolorido que me foi tomar algumas decisões, porque no final não sei quem abandonou quem, tudo que sei é que, por medo e vergonha me afastei de quem mais amava na vida.
E nesses meus 70 anos ainda tento me livrar dessa versão desastrada, que tenta amar sem aos outros magoar, mas é difícil por causa da intransigência de uns poucos a minha volta, que por não tentar me compreender, me julgam de uma forma que desvalorizam todo meu esforço ao tentar fazer as coisas diferentes.
E assim os anos ficam colados à minha roupa, no ar, nas xícaras de café, onde deveria estar na boca para trazer paz e tranquilidade, mas que nada, parece que o vapor que sai do café insiste em desenhar a discórdia e a insensatez, não quero voltar aos sofrimentos passados, gostaria muito de viver o que resta dos meus anos de uma outra forma, tentando ser feliz, mas parece que não querem.
Também não quero viver este vazio tão educado, que bate à porta nos reencontros, só pra me lembrar, que não posso estar na vida daqueles que buscam se distanciar de mim por causa dos meus anos que avançam, por acharem que não mereço a chance de me redimir de alguns erros.
É estranho, sabe? Porque busco aprender a viver de forma diferente, desde que não fira minha consciência, mas parece que nem isso tem valia.
Já tentei e tento, como que aprender uma nova linguagem para acompanhar o que falam nos dias de hoje, com sotaques tortos, mas tudo que consigo é ter que ficar em silêncio que traduzem as coisas melhor do que palavras.
E mesmo usando essa nova língua, me obrigam a continuar me pronunciando sozinho, como se não tivesse vida própria ou minhas memórias, mesmo depois te terem se passado 70 anos da minha vida.
Talvez por isso continuo descobrindo muitas coisas dentro de mim que não conhecia, aprendo a observar os lugares onde estou com muito cuidado, e de forma diferente, já não presto mais atenção a corpos, agora procuro enxergar atitudes e ouvir as palavras ditas para entender mais os ecos, talvez seja esse o meu tempo que chegou nos meus 70 anos que logo podem se findar.
Talvez é chegado uma maneira elegante de deixar de insistir naquilo que já não querem mais solução, afinal, eu tentei! Então que eu comece a compreender que a distância nem sempre é sinal de abandono, às vezes é apenas o modo mais honesto de continuar sendo quem sou e pronto.
Os anos tem passado, sim. E ainda assim, nos altos dos meus 70 anos tem dias que fico surpreso, olho para trás, não para procurar respostas do que poderia ter sido e não foi, mas para verificar que o que já vivi existiu, que não sonhei com isso.
Que em algum momento, mesmo nesta minha história absurda, tentei ser verdadeiro, e isso, embora doa ou quem sabe mesmo que cure, ainda tenho o suficiente, porque se não acreditar nisso, logo os meus 70 anos podem se findar e eu não vivi até aqui em vão.
Quer me compreendam ou não, me aceitem ou não, penso que até mesmo ao me odiarem e não quererem a minha presença em suas vidas, no fundo ainda vão me amar, mesmo depois que os meus 70 anos se findar.

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"Estou me tornando um empecilho aos 70 anos?" (Crônica da Vida)

Ainda outro dia era só uma criança correndo pelo quintal que existia para se correr. Agora, parece que os ponteiros do relógio giram muito mais acelerados. Aceleram tanto que o tempo está passando rápido demais levando o que restou da minha infância.
E assim vai se escoando meu tempo neste mundo, transformando meus sorrisos em fotos arquivadas em um celular ou no notebook, são muitas fotos e poucas molduras, são tantas saudades, porém poucas certezas.
O futuro de que tanto ouvi falar chegou, o garotinho que eu era e que sonhava com uma moto para viver minha liberdade, agora é de um homem que vive enclausurado num corpo envelhecido, amordaçado nas minhas próprias palavras que já não fazem sentido para quem as ouve, e preso entre quatro paredes.
Na verdade, estou me tornando um empecilho para muitos a minha volta, meus sonhos ficaram pelos caminhos dos anos.
Meus diplomas dizem muito pouco sobre mim e minhas verdades, mas quem sou eu, afinal? Motociclista de terno e sapato? Atleta de videogame? Cantor de chuveiro? Ator de aplicativo? Ou um empecilho num canto da casa? Sei lá?!.
Porém não era isso o que respondia quando um adulto me perguntava; "o que queria ser quando crescer?" Será que sonhei alto demais ou me faltou forças para conseguir? Será que acreditei tanto nas pessoas que esqueci de acreditar mais em mim? Sei lá?!
Acho que acordei meio nostálgico, de repente, veio um turbilhão de lembranças da criança que fui e que não queria crescer, por falar em sonhos, devia ter fugido para a Terra do Nunca quando tive a chance, mas a culpa não foi minha, foi do Peter Pan, planejei tantas vezes, até deixei a janela do meu quarto aberta, esperando a sombra dele aparecer, mas ele nunca veio me buscar.
Sei lá, vai ver que Peter Pan envelheceu também e casou-se com a Wendy, tiveram filhos, e arrumou um emprego como entregador de moto e agora dividem um apartamento de dois quartos num subúrbio de Londres. Quem sabe? Pode ser.
O que sei é que ele não apareceu e eu fiquei por aqui mesmo, acabei crescendo e não aprendi a voar, creio que só me resta ser um pirata, quem sabe o capitão Gancho me aceite em seu navio. Mas acho que nem para isso vai dar tempo, tudo passou depressa demais, já estou passando dos 70 anos, meu tempo pode se findar a qualquer momento.
Muitos me dizem que já não posso mais correr riscos, não tenho mais idade para sonhar, e tenho que aceitar as verdades dos outros porque as minhas já estão ultrapassadas, e o meu tempo pode ser cortado num piscar de olhos.

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