
Nesse dia percebi que passei anos adiando quase tudo na minha vida, as conversas difíceis, as decisões importantes, e sonhos que me batiam à porta.
Eu ficava imaginando “quando tiver tempo”, “quando estiver preparado”, “quando a vida acalmar”. Porém a vida nunca acalmou, os problemas só se acumulavam, minhas cicatrizes sangravam e eu achava que logo elas iriam sarar, mas nada.
Até o dia em que conheci alguém que meu deu um sentido na vida, nesse dia, sentado num banco de jardim, eu pensei: “Nunca fiz nada por medo de falhar. E falhei por isso. Mas agora pode ser diferente, pelo menos devo tentar, já é hora de enfrentar meus medos.”
Foi a primeira vez que eu vi a oportunidade de enfrentar a vida de frente. Não só porque queria, mas porque já não tinha mais para onde fugir. E, curiosamente, foi ai que eu comecei a ganhar.
Porque enfrentar a vida não era sobre ter uma coragem épica, era sobre ter a honestidade de me olhar por dentro e ver que ainda restava algo em mim que queria viver, e ver minhas sementes darem frutos, e esses frutos seriam meus filhos que me fariam, junto a mulher que estaria ao meu lado, vencer todas as batalhas que viriam a frente.
Era sobre olhares que não se desviariam, era sobre dizer “não sei”, “não consigo”, “preciso de ajuda”. Ou seja, era sobre assumir que a vida não espera por ninguém, nem por mim, assim a única forma de a acompanhar, era caminhar com ela, mesmo quando ela me causasse dor.
Foi quando eu descobri, que depois do meu casamento, a paternidade me mostrou uma verdade bem simples.
A vida não melhora quando fica mais fácil. A vida melhora quando se fica mais verdadeiro. Apesar das minhas falhas e defeitos. E foi assim que descobri que tinha uma força que eu mesmo desconhecia, e a utilidade prática disto?
Bem, quando me tornei pai, percebi que eu conseguia enfrentar o que me assustava, com isso ganhei duas coisas: clareza e poder. Clareza para perceber o que realmente me importava, depois da minha esposa, eram meus filhos.
Com isso percebi que tinha o poder para agir sem depender da coragem perfeita, apenas com minha inteira presença.
No fim, agora eu tinha um objetivo para seguir em frente, e o mais importante, tive e tenho uma vida que já não me foge das mãos, porque agora não preciso mais fugir dela.
Ao menos era isso que eu imaginava, quando me tornei marido e pai, e viver a vida de frente. Mas...
®Jorge Bessa Simões
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