terça-feira, 18 de agosto de 2026

"Graziela, luz que Deus me confiou" (Poesia Musical)

No primeiro raio do teu olhar,
Meu mundo aprendeu a respirar,
Tão pequena nos meus braços como uma flor,
Imenso se tornou o tamanho do meu amor.

Cada passo teu eu vi florescer,
Cada sonho teu me fez renascer,
Se o tempo voa, eu peço ao coração,
Que guarde para sempre essa canção

Graziela, luz que Deus me confiou,
Teu sorriso iluminou quem eu sou,
Se a vida trouxer tempestade,
Serei teu porto, tua serenidade.

Graziela, minha filha, orgulho do meu viver,
Nada nesse mundo vai nos desfazer,
Mesmo quando o tempo te fizer crescer,
Sempre serei teu pai pra te proteger.

Vai seguindo teu caminho sem temor,
Leva contigo a coragem e o amor,
Onde fores, lembra sempre deste lar,
Que terá meus braços prontos pra abraçar.

E se alguma lágrima cair do céu,
Olha pra frente e deixa a fé ser teu véu,
Cada estrela vai lembrar esta verdade,
Pois meu amor por ti não conhece idade.

A vida muda as estações também,
Mas meu carinho vai contigo além,
És uma das mais bonita história que eu ganhei,
Você é meu maior presente, meu eterno sim.

Graziela, luz que Deus me confiou,
Teu sorriso iluminou quem eu sou,
Se a vida trouxer tempestade,
Serei teu porto, tua serenidade.

Graziela, minha filha, orgulho do meu viver,
Nada nesse mundo vai nos desfazer,
Mesmo quando o tempo te fizer crescer,
Sempre serei teu pai pra te proteger.

Graziela, minha filha, bênção doce do Senhor,
Teu nome mora para sempre em meu amor,
E enquanto houver canção e amanhecer,
Vou agradecer por ver você crescer.

Graziela, minha filha, minha paz,
O amor desse pai o tempo nunca desfaz,
E quando minha voz o vento não levar,
Meu coração sempre irá querer te abraçar.

®Jorge Bessa Simões

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"Meu filho Jorge, um dos meus orgulho" (Poesia Musical)

Essa poesia é pra você, meu filho Jorge!

Quando o sol desperta e o dia vem chamar,
Vejo teu sorriso pronto pra sonhar,
Cada passo teu me faz acreditar,
Que o mundo é grande e é teu pra conquistar.

Você tem coragem no olhar,
Tem um coração que sabe amar,
Mesmo quando a estrada é dura de seguir,
Nunca deixe de sorrir.

E se o vento forte quiser te derrubar,
Lembre que eu sempre vou estar,
Aqui pra te levantar!

Jorge, meu filho, você nasceu pra brilhar!
Nada vai poder te segurar!
Leve no peito a força do amor,
Siga em frente sem sentir temor.

Jorge, meu filho,
Você é um dos meus orgulho, meu campeão!

Cada sonho teu merece acontecer,
Com humildade você vai crescer,
A vida ensina, faz a gente evoluir,
Mas o amor nunca vai diminuir.

Pode errar e recomeçar,
Toda queda faz levantar,
O importante é nunca desistir,
Sempre acreditar em si.

Levanta a cabeça!
O futuro inteiro espera por você!
E enquanto eu viver,
Você nunca vai caminhar sozinho!

Jorge, meu filho, você nasceu pra brilhar!
Nada vai poder te segurar!
Leve no peito a força do amor,
Siga em frente sem sentir temor.

Você é um dos meus orgulho, meu campeão!
Vai em frente, meu filho,
A vida continua e eu sempre estarei ao seu lado!

®Jorge Bessa Simões

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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

“Escrito no suor do rosto do pai" (Poema)

Dizem que não existe amor maior do que o de uma mãe, e isso é verdade, mas o poucos sabem é que o amor de um pai não é totalmente diferente.
Alguns dizem que o amor de um pai é frio às vezes, tudo porque ele se faz silencioso na maior parte do tempo.
Porém se observassem melhor, veriam que o amor de um pai, está muito presente em cada sacrifício que ele faz, em cada passo firme que dá.
Porque o amor de um pai que não se mede em palavras, mas sim em ações que ninguém vê, ainda que às vezes certas atitudes não sejam as que ele gostaria de tomar, pois certas ou erradas, ele busca sempre o melhor, em especial a seus filhos.
E o pai nem sempre consegue dizer "eu te amo" ou ser aquilo que gostariam que ele fosse o tempo todo, mas em seu silêncio, e no seu olhar ou no suor de sua testa, acredite..., está escrito o quanto cada um de seus filho são importantes para ele.

®Jorge Bessa Simões

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"Enquanto eu ainda estiver aqui" (Poema Triste)

Minha vida a cada dia está ficando mais curta para que eu fique correndo atrás de quem quer que seja, principalmente de quem não tem me procurado mais de uns tempos para cá, por circunstâncias que já poderiam ter sido resolvidas.
Até porque não é preciso que somente eu vá atrás dos que buscaram se distanciar, quando sabem bem onde estou, conhecem o meu lar e sabem de partes da minha história, já que o fato é que há pessoas para as quais não importo, mesmo que eu me importe.
Nesses casos é difícil compreender essa situação que já poderiam ter sido superadas, entretanto para mim, o interesse pelos outros não fala a linguagem do egoísmo ou de uma raiva momentânea por causa do disse me disse ou algum mal entendido.
Meu número de telefone ainda é composto dos mesmos dígitos do de outrem, e na verdade não existe a falta de tempo para me procurar, o que existe sim, é a falta de interesse de querer realmente se aproximar, já que quase sempre as desculpas são sempre as mesmas por serem movidas pelas dúvidas e por ressentimentos mesquinhos.
Porém penso que quando alguém quer ou precisar de algo em que posso ser útil, nesse momento serão capazes de mover o céu e a terra para se aproximar, mesmo que seja apenas por alguns momentos de suas vidas.
Sendo assim, penso que daqui para frente quem quiser que me encontre, com um detalhe, aproveitem enquanto eu ainda estiver aqui, porque logo, sequer as suas lágrimas me terão valida, que dirá as palavras ou abraços quando eu estiver a beira do meu leito de morte.
Já que vivo num certo velório que não marca o meu fim, mas faz com que eu viva num vazio de uma relação interrompida enquanto o tempo corre para todos, e assim, carrego esse luto em vida sentindo a dor da suspensão, enquanto eu ainda estiver aqui.

®Jorge Bessa Simões

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domingo, 16 de agosto de 2026

"O filho caçula" (Crônica da Vida)

Ser pai é caminhar em um terreno onde o amor é absoluto, mas o mapa nem sempre é claro.
Assim meu filho, desde o dia em que você chegou, e se tornou o caçula da casa, um brilho diferente iluminou nossa família, mas é verdade, e não escondo, você teve regalias que seus irmãos mais velhos não tiveram.
Já que o tempo me ensinou a olhar a paternidade com outros olhos, e tudo o que fiz por você, foi movido pelo desejo visceral de te ver feliz e de oferecer o meu melhor.
Também é verdade, nessa minha jornada, cometi erros nas escolhas que fiz por você, mas posso te garantir que cada decisão, acertada ou equivocada, nasceu do mesmo lugar, o sonho de ser o pai que você precisava e merecia ter, posso não ter sido o melhor, mas sou o pai que Deus te deu e que deu você para mim.
Hoje, desencontros e mal-entendidos do passado nos colocaram em margens opostas, essa distância pesa, mas ela não reflete a verdade do que sinto por você, porque mesmo de longe, meus olhos e meu coração te acompanham.
E assim, vejo o homem admirável em que você se tornou, a forma madura como conduz sua vida e o carinho dedicado à sua própria família, e vendo você honrar os papéis de marido e de pai é motivo de um orgulho que não cabe no meu peito.
Porém o tempo passa rápido demais e a vida não nos dá garantias, e meu maior desejo, antes que os meus dias se cumpram, é que possamos colocar de lado as pedras do passado e que a gente consiga se perdoar, lavar as feridas velhas e resgatar o que nunca deveria ter se perdido: a essência de sermos pai e filho de verdade.
Dessa maneira, não importa a distância, os silêncios ou o tempo que já passou, você nunca foi esquecido e jamais deixará de ser amado por mim, não importa que tenham dito ao contrário, minhas portas e o meu coração continuam abertos para você e sua família, porque eu os amo muito.

®Jorge Bessa Simões

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"Minha filha de coração" (Poema)

Quando fui buscá-la para vir morar em casa, eu tinha uma certeza, criar você, não importava por quanto tempo seria, nunca foi um dever, na verdade saiba que, foi uma das escolhas mais bonitas que a vida me apresentou.
Ainda hoje eu me lembro de quando peguei você nos meus braços, ainda pequena, o laço de sangue dizia que eu era apenas o seu tio, mas o tempo, a convivência e o afeto que tive por você, logo cuidaram de reescrever essa história, e sem precisar de certidões ou formalidades, meu coração a aceitou como minha filha sobrinha no primeiro instante.
Ao longo do tempo em que ficou comigo, vi você crescer e fiz questão de estar ao seu lado em cada passo, mais do que cobrir seus dias de cuidado.
Minha grande missão, não só como seu tio, mas como alguém que se dedicava como um pai, foi tentar lhe entregar o mundo da melhor forma possível, ensinei para você valores, te mostrei a importância de ser verdadeira, de agir com honestidade, de ter respeito, empatia e força para caminhar com os próprios pés.
Saber que você absorveu cada conselho que a fez se transformar na mulher e mãe incrível que é hoje, sempre foi a minha maior recompensa, eu me orgulho disso.
Hoje, infelizmente a vida nos colocou em caminhos com certa distância física, mas eu acredito que, o que construímos não se apaga com a distância.
E fico muito feliz por saber que você carrega um carinho enorme por mim, e ver a sua gratidão transbordar em gestos e palavras me dão a certeza de que naquele tempo, eu fiz a coisa certa, e essa sua gratidão é o presente mais bonito que eu poderia receber.
Porque é ela que faz o título de "tio" se dissolver e me dá a sensação plena de que eu poderia ser seu pai de verdade.
E o amor que sinto por você não cabe em termos de parentesco; é amor de pai, ainda que de coração, puro, incondicional e eterno. Por isso minha filha sobrinha, sou feliz por ter feito parte da sua jornada e por saber que, no seu coração, eu sempre serei essa referência de amor e proteção, te amo muito!

®Jorge Bessa Simões

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"Paternidade de coração" (Poema)

Como seu Tio, talvez você não saiba, mas criar você, ainda que por pouco tempo ao meu lado, não foi um plano que tracei no papel, foi um presente que a vida colocou nos meus braços.
Quando você chegou na minha vida, trazida pelo laço de sangue de ser minha sobrinha, eu não sabia exatamente até onde aquele amor me levaria.
Mas no momento em que passei a cuidar de você no dia a dia, qualquer barreira se desfez, no meu coração, você se tornou a minha filha de coração.
Receber você na minha vida, foi um encontro de almas, e com a gente nunca foi diferente. A biologia nos deu o parentesco, mas foi o convívio que construiu a minha paternidade de coração.
Em especial, depois que eu vi você crescer, sabendo que te ensinei os limites necessários para você enfrentar a vida mais a frente, enxuguei as lágrimas das primeiras frustrações e celebrei cada pequena vitória sua, como se fosse minha.
Em cada conversa antes de você dormir, ainda me recordo de lhe ensinar a oração do "Pai Nosso", e em cada exemplo do cotidiano, procurei plantar em você os valores que considero mais valiosos: a honestidade, o respeito, a verdade, a empatia pelo próximo e a coragem de ser quem você é.
Ver esses princípios florescerem no seu caráter desde então, foi e é, um dos maiores orgulhos da minha jornada.
Hoje o tempo passou, e a vida levou você para novos caminhos, você cresceu, casou-se e fez sua família, a distância física entre infelizmente existe, até porque os dias são mais corridos e a rotina de nossas vidas, não nos permite estarmos juntos como antes.
Mas a distância é mero detalhe para um amor que se enraizou tão fundo no meu coração, por você, minha filha e sobrinha.
Para mim, nada mudou, você continua sendo a minha menina, a minha filha de coração que a vida me deu a honra de ensinar, educar e amar incondicionalmente, mesmo que tenha ficado tão pouco tempo ao meu lado.
E onde quer que você esteja, mesmo que não seja mais no meu colo ou no meu abraço, o meu amor e o meu orgulho como pai de coração por você, continuam exatamente no mesmo lugar.

®Jorge Bessa Simões

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"O reencontro dos distantes" (Poema)

Quantas vezes no silêncio noturno, antes das minhas orações, me lembro dos filhos distantes, tanto quanto dos presentes, e me pergunto; "Como eles estão? Será que está tudo bem?"
Busco através das minhas memórias, respostas para tantos "porques" diante de tudo que nos fez ficar distantes, sim, é verdade que isso aconteceu por causa de erros passados, alguns dos quais me cabem uma boa parcela de culpa.
Isso me corrói, porém não posso me martirizar por causa de erros passados, afinal, eu tinha que fazer algumas escolhas, e se não tentasse algo, como poderíamos ter chegado onde estamos?
Tudo aquilo me deu bagagem para evitar erros antigos, mas não tem nada que nos prepare para erros que poderão acontecer no futuro, até porque a vida segue com novos desafios e escolhas.
Ao acordar, depois das minhas orações, busco nas redes socias, quando não estou bloqueado, é claro, pelos filhos que se distanciaram de mim, e percebo que não mudaram quase nada, mesmo depois de tanto tempo, e é por algumas poucas fotos atualizadas, que os vejo que estão muito bem, muito bonitos até.
E de novo me recordo de tudo o que houve, e que causou nossos distanciamentos, é quando penso que os erros não cabem somente a mim, todos tivemos nossa parcela de culpas, mas o que está feito, está feito, não se pode mudar, mas para mim tudo isso já está distante, mais está feito.
Queria poder voltar com vocês, até o dia em que nossos caminhos começaram a se distanciar, lembram de como tudo aconteceu? Tudo começou meio que por causa de certas brincadeiras, depois os assuntos foram ficando cada vez mais sérios, vieram as atitudes erradas de ambos os lados, enfim, eu não me esqueci de nada.
Assim, ainda hoje me pergunto; o que foi que nós fizemos nesse tempo todo para mudar as coisas? Quando viajo para trás, sinto que a gente não fez quase nada para mudar nossos caminhos, e isso me deixa profundamente amargurado.
Será que não estamos perdendo as chances das nossas vidas? Porque parece ser tão difícil recuperar o tempo que passou e seguirmos juntos com os que estão ao meu lado?
Sabe, quando faço minhas orações, peço proteção a cada um de vocês, e também de você meu filho e minha filha distante, para que mal algum os aconteça, quantas vezes abro aquela porta e imagino vocês entrando aqui, então penso, vou ver eles outra vez!
Eu tenho uma imagem muita clara de vocês, aliás, a última de cada um que ficou nas minhas lembranças, mas, e agora?
Agora meu Deus, aí estão vocês seguindo seus caminhos, e aqui estou eu, com aquela imagem do passado que é tão diferente dessa imagem que tenho diante de mim, e nos meus pensamentos.
E eu que acho que vocês vão abrir aquela porta e de repente, estarei os recebendo como sempre os recebi, pronto para lhes dar o meu abraço, como se nada tivesse acontecido, mesmo sabendo que vocês não são perfeitos como também não sou, e logo estarei diante da minha menina e do meu menino.
Que estranho, vocês são os mesmos, não mudaram nada, então me diz, o que mudou? Será que a gente não pode recuperar todo esse tempo perdido, esse tempo que passou assim tão estupidamente?
O que nós fizemos, porque fugimos assim um do outro? Porque não nos agarramos com força e enfrentamos juntos aquelas situações na hora em que mais um precisava do outro? Porque vocês me largaram, e eu deixei, faltou amor, foi covardia, e agora?
Será que estamos condenados a ficar separados para sempre, eu amo vocês, por isso eu só queria saber uma coisa, talvez a última coisa, não quero respostas, eu não estou pedindo para ouvir respostas sobre nada, mas eu preciso saber, vocês me amaram tanto quanto eu os amei desde o dia em que vocês nasceram?
Eu não quero saber se ficou alguma coisa desse amor, mas será que todo meu sacrifício para criá-los e os encaminhar na vida, ainda que tenham acontecido alguns erros nesse caminho, não tem valia alguma, só porque fui eu que errei, e posso não ter sido o pai que vocês gostariam? Não importa, mas eu preciso saber, esse amor que tanto ensinei a vocês meus filhos, existiu um dia?

®Jorge Bessa Simões

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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

"A dor do luto em vida" (Crônica da Vida)

A dor do luto em vida chora por aqueles que decidiram se distanciar, pois quando filhos, não importam os motivos, escolhem se afastar do pai, a ausência deles ganham o peso de uma saudade mortal e silenciosa todos os dias.
Porque não há um velório para marcar o fim, nem flores para cobrir a perda; há apenas o vazio de uma relação interrompida enquanto o tempo continua a correr para todos.
Para o pai fica, a dor do luto em vida, e poucos sabem, o quanto ele chora por aqueles que decidiram se distanciar, já que a cada lembrança que salta da sua memória: o som de um riso antigo, de um dia qualquer sem mensagens, das cadeiras vazias na mesa, tudo é um sofrimento peculiar, porque enquanto ele está vivo, esse pai sabe que as pessoas amadas continuam no mesmo mundo, respirando, vivendo, porém inacessíveis.
E seu coração precisa aprender a conviver com a existência do amor, mas com a impossibilidade do convívio, por coisas que há tempos poderiam e podem ser superadas, pois o que importa não é o que os afastou, mas o que ainda os une como pai e filhos.
Assim esse distanciamento traz consigo um luto sem despedida, onde as perguntas sem resposta ecoam na rotina.
O pai se pega revisitando o passado, buscando entender os nós que não puderam ser desatados e os silêncios que cresceram até virarem muros.
Contudo, diferente do luto definitivo, o luto em vida carrega a dor da suspensão. A dor do luto em vida chora por aqueles que decidiram se distanciar porque sabe que, enquanto houver vida, a história permanece aberta, mesmo que o presente seja feito apenas de saudades, paciência e do desejo silencioso de um reencontro.

®Jorge Bessa Simões

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"Lágrimas aos ausentes" (Poema)

Há ausências que não chegam de repente. Elas não fazem barulho, não batem portas, nem avisam a hora que vão partir; apenas acontecem no ritmo inevitável de algumas circunstâncias dos dias.
Para os que ficam na presença diária, a rotina me ensinou a ter peito firme, por isso tenho aprendido a guardar as lágrimas do cotidiano, a engolir a canseira e a manter a casa em pé.
Meu amor ainda tenta conviver de forma expressa no prato posto à mesa, na pergunta sobre o meu dia, e na proteção silenciosa daqueles que não me pedem aplausos, mas o silêncio de quem escolheu se manter distante pesa de um jeito diferente.
Aos filhos que decidiram traçar seus caminhos longe do olhar desse pai, seja pela busca natural do próprio espaço, pelas escolhas da vida ou pelas distâncias que se criaram sem que ninguém percebesse, fica o sobressalto dos dias em silêncio.
Porém esse pai pode até não chorar na frente das pessoas ou no meio da rotina agitada, e assim vou seguindo o dia, cumprindo os deveres, sorrindo quando é preciso. No entanto, é na quietude da minha casa, quando o barulho do mundo se apaga, que o meu peito transborda.
Não! Não é um choro de cobrança, tampouco de mágoas ou ressentimentos. É a saudade pura e desarmada do tempo em que os passos eram pequenos e couberam sob o mesmo teto.
É o amor paterno que, mesmo sem espaço na rotina de quem se distancia, continua ali: intacto, vigilante e em silêncio.
Entretanto uma coisa é certa, a vida me ensinou que honrar o próprio caminho é parte de crescer, e como pai, sou consciente de que em alguns momentos da vida eu errei nas minhas escolhas ou até nas minhas atitudes, mas nunca desejei segurar os pés de quem nasceu para voar.
Sempre busquei ensinar aos meus filhos que, para além da distância e das escolhas que possam nos afastar, existe um peito que não guarda mágoas e nem rancor, mas que transborda, em segredo, e esse é um amor que nunca deixou ou deixará de esperar por vocês, enquanto eu tiver tempo.

®Jorge Bessa Simões

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