quinta-feira, 6 de agosto de 2026

"Quando esse pai partir" (Poema)

Quem não souber ler o meu silêncio, nunca irá compreender as minhas palavras. E isso é triste, porque as vezes sou julgado por "verdades" que falam sobre mim, mas deixam de conhecer o verdadeiro sentido dos fatos que compõe a minha história.
E assim, sinto que está chegando o momento da minha despedida, e estou triste por me lembrar daqueles que se distanciaram de mim. Por minha culpa? Por culpa disso ou daquilo? O que importa, certo ou errado, tudo que fiz ou as vezes faço, é uma questão de compreender o enredo da minha história.
Com isso, percebo que existem despedidas que não vão acontecer através de uma conversa, mas através do cansaço de esperar por algo que pode não acontecer antes que eu parta.
Porque está chegando um momento em que eu vou parar de insistir, parar de me explicar, parar de tentar ser ao menos entendido, já que a compreensão deixou de fazer parte daqueles que só acreditam nas suas verdades, as minhas não tem mais valor.
Não porque só eu tenha razão e os outros não, não é isso! É sobre se distanciar ao invés de buscar o dialogo, é deixar de sentir ao menos a empatia a quem teve que fazer muitas escolhas e tomar certas atitudes, com uma dor enorme no peito, mesmo sabendo quais poderiam ser as consequências disso tudo, ou melhor, sabendo que poderia me tornar o vilão da história.
E por saber que algumas pessoas só escutam aquilo que lhes convém, deixando de ouvir o meu lado da história, com isso me sinto como sepultado em vida, já que não tenho a chance de me defender e ser ouvido, e assim escolhem se distanciar.
E vendo isso acontecendo comigo, entendo que algumas portas estão fechadas para uma conversa, não por minha culpa, afinal, sempre estive aqui a espera disso acontecer, mas está chegando o fim da minha insistência, não por queira, é que a qualquer momento posso partir, e dai?
Bem dai, me dói muito saber que tudo pode terminar assim, sem mais nenhuma conversa, sem mais um abraço e sem despedidas, daquelas que a gente sabe que vão e voltam.
Porque no fundo, eu sei que pode ser que aconteça uma despedida com meu corpo inerte e sem vida, e este será o momento em que se lembrarão de tudo o que precisava ser dito e não foi dito.
Pois quando esse pai partir, o silêncio se tornará o meu ponto final.

®Jorge Bessa Simões

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

"Raízes" (Poema)

Mãos sobre as mãos, o tempo a tecer,
O avô com histórias que o vento traz,
A sabedoria em rugas a escrever,
Nesta luz quente que pode transformar o lar em paz.

O neto, pequeno, de riso inocente,
Olha o avô, o pai, com o mundo já a andar,
No presente descobre o passado recente,
E o futuro que agora está a se plantar.

O filho, é a ponte, o meio do caminho,
Observa os dois com amor sem medida,
Sentindo o sangue, o carinho e o ninho,
Na corrente dourada da própria vida.

São três elos de uma mesma corrente, um laço de fé,
Que no calor deste solo, a vida se diz,
Do broto tenro à raiz que se veem,
São a herança de um amor que pode nos fazer feliz.

®Jorge Bessa Simões

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"O sentido do silêncio" (Fraseando)

O sentido do silêncio, muitas vezes não é a falta das palavras, e sim o silêncio das palavras que não foram e que talvez nem venham ser ditas, e que nunca mais terão o mesmo sentido para quem logo não poderá mais dizê-las ou sequer ouvi-las!

®Jorge Bessa Simões

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"Sonhando com a volta de vocês" (Poema)

Caminhando com meus pensamentos, penso que; "O silêncio dos que se distanciam dói mais do que qualquer palavra, e é por essa ausência que o meu pranto se derrama, mesmo enquanto ainda caminho com os que estão ao meu lado."
É com essas palavras no meu pensamento que, muitas vezes tenho sonhado com a volta dos que estão distante de mim, nesse instante não penso em culpas de quem ou do porque vivemos assim.
Tenho sonhado tanto com essa volta, que peço ao Verdadeiro Deus, que não seja tarde demais quando vocês voltarem, e que não seja quando na morte eu estiver dormindo.
Não desejo que sintam a dor que faz sangrar o coração desse velho pai que se magoou num sofrer infindo.
Tomará que um dia vocês voltem, antes que o sol poente se ponha, e que a minha vida venha se findar, que não venham apenas quando eu já estiver de corpo presente, inerte e frio em um caixão, onde nunca mais poderemos nos falar ou nos abraçar.
Que voltem, e saibam compreender que esse velho pai, talvez, eu não tenha sabido expressar o meu amor a vocês, ou que tenha deixado de lhes mostrar o quanto vocês são e foram por mim muito queridos.
Creio que já passou tempo demais para ficar nos culpando por erros passados, até porque não existe família perfeita, sempre haverá algumas contradições, mas isso faz parte da convivência.
Então se acaso voltarem, que venham depressa, pois a vida tem me castigado muito, e pode ser que nada mais tenham ou reste desse amor para encontrar, pois com certeza, o coração desse velho pai, logo, logo irá paralisar e nada mais de mim, irá restar!

®Jorge Bessa Simões

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"Vinte anos do meu neto distante" (Poema)

Vinte anos se dobraram no calendário,
E a distância, essa teimosa, inventou quilômetros entre nós,
Mas o amor desse avô não tem itinerário,
Ele atravessa o vento, viaja em silêncio e fala com minhas palavras.

Lembro de quando o mundo doía na curva do seu joelho,
De quando um abraço meu bastava para curar qualquer tropeço,
Hoje, olho para o tempo e me vejo no seu espelho,
Orgulhoso do homem em que você se tornou, do fim ao começo.

A saudade é um nó manso que aperto no meu peito,
Um desejo profundo de ver seu sorriso de perto,
De puxar uma cadeira, sentar do seu jeito,
E ouvir sobre os seus passos nesse mundo tão aberto.

É vinte anos... a vida agora cobra asas e coragem,
E eu fico daqui, torcendo por cada voo do meu menino,
Saiba que, não importa quão longa seja a viagem,
O meu carinho é refúgio certo no seu caminho.

Feliz aniversário, meu neto.
E onde quer que você pise,
Vá com a certeza de que meu amor,
Te acompanha em cada passo.

®Jorge Bessa Simões

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

"Quisera ser..." (Poesia)

Quisera ser dos mortais, o mais feliz,
Quisera ser mas, afinal não sou,
Quisera ser alegre, sim, sempre quis,
Quisera ser, mas, triste sempre estou,
Quisera ser compreendido, mas não sou,
Quisera ser bendito, mas quem me bendiz?.

Quisera ser bom pai e ver meus filhos mais feliz,
Quisera ser, mas, como um velho morrendo estou,
Quisera ser lembrado pelas coisas boas que fiz!.

Quisera ser...

®Jorge Bessa Simões

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"Uma fotografia que o tempo deve a esse pai" (Crônica da Vida)

Nas minhas tardes silenciosas, quando o sol amarela o piso da sala e a casa deixa de ficar fria, me pego fazendo a única coisa que ainda me mantém inteiro: vou organizando uma cena na cabeça.
Eu não peço por milagres, nem que o tempo volte atrás, meu único desejo é o de ouvir o barulho de quatro cadeiras sendo arrastadas ao mesmo tempo ao redor da mesa de jantar na sala.
Faz anos que a vida se encarregou de desatar os nós que dei com tanto cuidado. Vi meus filhos crescerem e ganharem o mundo.
Mas agora sentando a beira dessa mesa de jantar, com a minha imaginação solta nas minhas memórias, na outra ponta da mesa, vejo o meu filho mais velho, ainda compenetrado, carregando a responsabilidade no olhar e um sorriso que une.
Meu filho do meio, sentado quase ao meu lado, com aquele riso solto que costumava espantar qualquer tristeza lembrando das suas artes de menino; e entre os dois, meu filho caçula, ainda tentando encontrar o próprio ritmo, mas sendo zoado como sempre, desde pequenino pelos dois irmãos mais velhos.
E é claro a minha menina, que mesmo tendo sido fruto de uma outra história, é a irmã dos meus três filhos, e assim cada um a sua maneira, tem em seus rostos olhos firmes que me trazem de volta a presença de suas mães.
Três homens e uma mulher, quatro caminhos que se distanciaram tanto, que às vezes duvido que já couberam sob o mesmo teto.
Porém é nesse momento que me entristeço, sinto o meu corpo dar seus avisos, sem pressa, mas sem pausa. Sei que o tempo não negocia prazos e eu não tenho pretensão de esticar a minha vida além da conta. Mas tem algo que eu sonho, ou melhor, gostaria de concluir antes que o silêncio definitivo tome conta desta casa.
Assim imagino o dia em que a porta vai se abrir e todos vão entrar juntos. Sem mágoas guardadas, sem olhar para o relógio, sem a pressa que o mundo exige.
Depois imagino a gente caminhando até o quintal, indo para o jardim que sempre cuidei com esmero. Quero ver meus três filhos de pé, guardando a irmã ao centro, no primeiro momento, não quero estar ali no meio deles, mas os vendo juntos bem diante dos meus olhos, sei que vou sentir mais uma vez o calor daqueles que um dia carreguei no colo.
Tudo o que preciso é de um instante, o tempo exato de um clique, e assim tirar essa fotografia que eu sonho a tanto tempo.
Depois posso até tirar uma outra no meio deles, e imprimi-las para colocar na minha mesa do computador. Não por vaidade, mas para ter a certeza, ao menos um segundo antes de fechar os olhos de vez, de que a minha maior obra continuará inteira quando eu já não estiver aqui, como um epitáfio final com todo o meu amor que nunca coube em palavras.

®Jorge Bessa Simões

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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

"As cores do retrato desse pai" (Poesia)

Logo irão se apagar as cores do retrato desse pai que os deixei, como uma oferta do meu carinho a vocês.
Quando tirei esse retrato, ele tinha o brilho que representava a luz do meu caminho, isso bem me lembro.
Como num sonho nele me via mais jovem, minhas mãos estavam presas as suas, recordando de quando os segurava como filhos meus.
Não me recordo de quando tirei esse retrato, mas me lembro que era um dia quente como eram nossos corações, afinal, quando a gente ama, sempre espera que o amor não seja apenas uma ilusão.
Porém, logo as cores do retrato desse pai se apagarão, mas não importa, em meu coração tenho um sentimento de amor que acaricia essa doce lembrança, e quando o deixei a vocês, transformou-se para mim num encantado momento de poesia.

®Jorge Bessa Simões

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"Revolta de um homem, amigo e pai" (Poesia)

Sim revolta de um homem,
De tanta revolta que vive em mim,
Devorando meu ser aos poucos,
Num martírio sem fim,
Sei lá!...

Mas revoltado contra quem?
É isso que me pergunto,
Talvez contra ninguém,
Talvez contra mim,
Ou será contra alguém?
Sei lá!...

Revolta da minha alma ter sido ferida,
Talvez por causa da minha infância perdida,
De ter tido uma sorte dividida,
Entre o amor sem guarida,
Em um campo flórido da vida?
Sei lá!...

Revolta da noite quando me deito,
Do sonho com um amor,
Sem macúla e perfeito,
Mas quando abro os olhos,
Vejo que tudo é imperfeito,
Sinto uma enorme mágoa no peito,
Já que odeio essa víbora que se chama preconceito?
Sei lá!...

Sinto uma revolta,
Mas revolta do que?
Dessa dor que não quero,
Da minha visão já que quase não enxergo,
Ou daquele infarto que quase me levou ao cemitério?
Sei lá!...

Sinto uma revolta como amigo,
E dos que me rejeitou e desprezou,
E também do amigo que de mim roubou,
O pouco que eu tinha, que decepção!
Revolta de ter tido tudo destruído em meu coração.

Sinto uma revolta como pai,
Por não ter conseguido ainda realizar,
Um sonho que fica cada dia mais distante,
De poder ao menos uma única vez na vida,
Juntar os meus filhos numa fotografia,
Sem ter que usar uma fria tecnologia,
Para cria uma ilusão de instante,
Já que logo essa minha vida se esvai,
Sei lá! Só sei que sinto uma revolta.

®Jorge Bessa Simões

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sábado, 1 de agosto de 2026

"Presença paternal" (Poema)

Uma vez em sonho, um anjo sussurrou aos meus ouvidos para que dissesse a cada um dos meus filhos o quanto eles são especiais, com um sorriso no rosto, me pediu para dizer que assim como as flores nascem para perfumar nossas vidas, e as estrelas para nos iluminar, e em breve o Verdadeiro Deus fará um paraíso para todos nós, por isso Ele enviou seu anjo para nos abençoar.
Ao acordar me recordei que, embora em alguns momentos tenha ficado pouco tempo ao lado dos meus filhos, e agora sabendo que logo chegará a hora da minha partida, gostaria que eles acreditassem que, apesar dos pesares, e ainda que não tenha sido o pai que gostariam, sinto em cada um o quanto posso ser amado, e ao lado de cada um, eu aprendi muito sobre o que é amar.
Assim que eles se lembrem que, para me encontrar bastará olhar para dentro de si mesmos, pois espero estar sempre em seus corações, que me sintam através das boas lembranças que possam ter acontecido, esse é o legado da nossa vivência.
Talvez não tenhamos sido a melhor família, já que cada um de nós tivemos nossas diferenças, mas espero deixar um pedacinho da minha vida em suas vidas, afinal a todos vocês sempre amei.
Ah, ao olhar em cada um de vocês, saibam que foram seus olhos que se tornaram minha luz, onde sempre soube encontrar o caminho para minha guarida, abram seus sorrisos, e com certeza meus filhos, mesmo que eu parta, em breve poderei estar os esperando num novo mundo paradisíaco que se aproxima, até lá, que eu possa continuar a estar em suas vidas e manter assim a minha presença paternal.

®Jorge Bessa Simões

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