domingo, 1 de novembro de 2026

"Meu poema longo 2" (Poema)

Aos que acham meu poema uma forma de protesto, nada respondo e nem converso, na verdade até desconverso.
Gosto de escrever meus poemas usando versos da maneira que nada fique ao reverso e jamais ao inverso.
Alguns podem achar minhas palavras sem nexo, mas no tempo em que vivi tudo era muito complexo, já que sequer se podia falar em sexo pois logo vinham os falsos modestos e seus complexos, e poucos ousavam como eu fazer algum protesto.
Assim nesse meu poema onde abro meu malote, falo dos atos feitos de forma desvairada e fatos sobre mim já consumados, onde tudo aconteceu depois de um golpe, fique bem claro que foi numa época de ditaduras não que seja algo que denuncio, já que na história é bem conhecido o seu enredo.
Naquele tempo a vida tinha no dia a dia de ser vivida por mais que tudo fosse uma luta inglória, não importava se eu caminhava sobre a ponte em busca de alguma fonte para aliviar minhas dores, tudo o que alguns faziam para mim era para que eu fosse sempre desacreditado tentando me impedir de seguir em frente.
E o que mais esperava era que acontecesse um milagre, mesmo que viesse de fora, de dentro, do centro, de um homem santo que com seu canto quebrasse aquele mal encanto.
Acredito que não vivi uma ilusão perdida, muito embora tenha sentido uma frustração danada numa época em que muitos me davam as costas me deixando e me empurrando para baixo.
E o custo de tudo que me aconteceu na vida teve um preço onde paguei muito alto, já que com essa carência humana minha vida quase sempre foi um desastre enorme, mesmo sendo um menino que buscava sobreviver como um homem forte.
Quase conseguiram destruir minha crença, quase me fizeram perder a fé, não acreditava que poderia ter melhor futuro, e quantos tenho certeza tinham esse desejo, porém mal algum a eles quero e nem espero.

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®Direitos Autorais Reservados. Lei 9.610/98

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"Meu poema longo 1" (Poema)

Queria escrever um poema não falando dos meus problemas, nem fazendo um falso esquema falando sobre os erros dos sistemas, ou da vida suas celeumas.
Houve um tempo em que ocorreu sobre mim uma censura sobre coisas que me aconteceram de forma tão impura onde muita gente finge que nunca aconteceu.
Sobre um tempo em que agi de modo inconsequente, onde fiz tudo a minha maneira para me sentir consistente, e porque não dizer ser comigo mesmo coerente, já que na minha infância fui alguém quase inexistente.
Onde alguns me causaram cortes profundos na alma e me abandonaram à própria sorte, muitos mostraram ser pessoas de espíritos pobres, pois em seus corações desejavam a minha morte.
Muitos diziam que eu não tinha direito a sonhos, e que jamais poderia ter em meu rosto traços risonhos, assim meus dias muitas vezes foram tristonhos, foi uma época em que muitos censuravam meus planos.
Se mostravam guardiães dos sérios, mas eram os que faziam algo ainda mais estranho, e por mim foram classificados como impróprios, pois se achavam tão (quase) puros e sensíveis, mas atrás das paredes me fizeram coisas terríveis.
Assim nesse meu poema no seu contexto não fiz nenhum teste, afinal não escrevo as palavras com este pretexto, nem como forma de protesto, embora tenha vivido o tempo todo o meu consenso, e mesmo diante de certa perseguição, mantive meu conceito pois em muitas situações me tinham com preconceito.

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"Meu filho, minha andorinha" (Poema)

Minha mãe me cantava assim...,

De cara quando vi você nascer,
Fiquei meio sem entender
Pois desde de cedo seu jeito rebelde
Pude perceber
Me pareceu meio assustado,
Como estouro da boiada,
Mas com uma doçura que não deu pra esconder.

Tive certeza naquela hora
Que ao nascer não te deixarias ir embora
Tinha um cantinho pra você ficar no meu coração
Mas alguma coisa gritou no meu peito
Pra que me virasse e desse um jeito
E no momento certo sempre te abraçar.

Meu filho, minha andorinha
Sempre busquei te buscar
Mesmo quando fugias de mim,
Passei a vida inteira para te amar.

E quando você voltava
E meio aflito chegava
Tentava abafar no meu peito o grito
Mas você de novo fugia
Se escondia pra não te encontrar
Nem dava a chance d'eu chegar
E olhar nos teus olhos e mostrar
O tanto de amor que tinha pra te dar
Nas tuas voltas queria no amor do meu coração,
Te guardar em meu peito
Na minha solidão de ser sua mãe.

Pedi muitas vezes
A luz de Deus pra te guiar,
E te dar meu amor de mãe
Para te acompanhar
Mesmo sabendo que em tuas mãos
Seu caminho tinha de encontrar.

E você sabia que essa sabiá mãe,
Sempre tinha um peito pra te abrigar.

Quando você está aqui meu filho
Pousado no meu peito
Teus olhos brilham
Do mesmo jeito de quando o vi nascer
Parece que a lua mora em teu olhar
Sua luz tem ternura e bondade
Que me dá saudades só de lembrar.

Lembro do teu lindo olhar
Pelo teus olhos verdes valia a pena
Correr o mundo todo
Pra te encontrar quando fugias de mim
Você tem um raio de luz divino
E por isso cometi o desatino,
De permitir o seu raio me cegar quando nasceu.

Meu filho, minha andorinha
O meu coração é teu porto seguro a te esperar.

Traga teu sorriso a essa cansada alma
A paz e a calma pra me acarinhar
Sem você meu filho, sem seu carinho
Sou como um passarinho fugido do ninho
Com medo de amar.

Lembre-se do seu cantinho
Não esqueça esse caminho
Pois quero que sempre volte.

Sou sua mãe
Venha pousar no meu coração
É saudades o que sinto
E é o que brota em meu peito
Me lembrando de você
Pois sou a única fonte que te deu o que beber.

®Jorge Bessa Simões
Texto baseado na música "Andorinha" de Victor e Renan

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"Minha andorinha mãe" (Poema)

Você se foi como que voando, saiu da minha vida para buscar no horizonte o vislumbre breve de um paraíso terrestre que se aproxima, e lá com certeza nos reencontraremos.
Você com certeza, "minha andorinha mãe", foi forte, guerreira, amorosa, persistente e inesquecível, sem se aperceber, foi capaz de mudar vidas, sou a prova disso, prova de que o amor constrói lindas perspectivas dentro do nosso coração, você sempre será o grande amor conectado a minha vida, e ainda continua sendo uma inspiração sem igual.
Você não foi perfeita, mas foi quem me ensinou que mesmo na dor podemos ser felizes, me esforço muito para não esquecer das lições que você sabia usar na hora certa.
Quando podia estar ao seu lado, me sentava no sofá da sala só para ficar te olhando "minha andorinha mãe", nesses raros momentos de contemplação, achava motivos para admirar seu rosto, que embora já trouxesse os sinais do tempo, mostrava um sorriso largo, seus cabelos brancos me mostrava um semblante de paz, suas mãos meio enrugadas pela idade ainda faziam bijuterias, achava suas mãos lindas, aliás, como um todo você era linda em muito sentidos, igualzinha aquelas passarinhas que cuidam de suas crias, e que você tanto admirava, por isto minha comparação de você com uma andorinha.
Fazem alguns anos que só nos encontramos nos meus sonhos, onde a vejo voando num vai e vem como se zelasse por mim, sei que logo nos encontraremos de novo, espero nesse reencontro te mostrar o que acho que a senhora já sabia: "Nem a mais longa distância é capaz de diminuir um amor igual ao nosso."
A eternidade que tanto sonhávamos juntos não será suficiente para agradecer tudo que me fez, desde que fui colocado como uma sementinha em seu ventre e por você ter sido tão carinhosa comigo, mesmo quando eu falhava com você.
Continuo tentando permanecer voando como me ensinaste, peço ao Verdadeiro Deus que me permita estar ao seu lado para sempre, minha saudosa "andorinha mãe".

®Jorge Bessa Simões

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"Me lembro de você minha mãe" (Poema)

Suas lembranças estarão sempre em minhas memórias, o som da sua voz ecoarão em mim, é como se não houvesse outras palavras, mas não queria me lembrar assim de você minha mãe.
Estou cansado dessa sofrência, não queria me recordar de nós ainda mais distantes do que já estivemos um dia, não queria ter de olhar suas fotografias para ver o seu sorriso num pedaço de papel, ou ficar esperando um telefonema seu que sei não irá mais acontecer, não queria ficar esperando uma palavra de carinho, que sei, ao menos por enquanto não mais virá.
Sinto ter que esperar o tempo passar na vã esperança de que numa noite dessas você estará em meus sonhos, nem que for pra me falar um simples "Oi, meu filho!", mas quão triste fico quando acordo e apenas vejo sua fotografia em minhas mãos.
Por mais que não queira acabo tendo sempre essas lembranças, aliás, nem sei se é bom continuar olhando suas fotografias, já que isso me faz sentir saudades suas, mas, não posso ficar sem vê-las.
Como gostaria que você se fizesse presente na minha vida, em cada pensamento que tenho, cada sonho que consigo realizar.
Sinto a luz dos teus olhos iluminando meus caminhos, mas sem você me sinto um menino perdido, e assim fico cada dia mais triste já que a sua imagem tem se tornado ilusória para mim.
Sei que fomos separados, não pela distância presente, mas, pela morte fria que a tirou de mim, e são suas lembranças que me faz sentir o seu real que aproveito ao máximo quando olho suas fotografias, e é o que não me deixa te esquecer, assim vou sempre me lembrando de você minha mãe, como me lembrei ainda agora!

®Jorge Bessa Simões

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sábado, 31 de outubro de 2026

"Minhas crianças" (Poema)

Quanta alegria ao saírem da escola minhas crianças, enchendo as ruas de alarido infantil e com tanta graça.
Não há para elas no viver da vida, os desenganos, nem pensam na infância que se vai e passa, para elas só há o rir, as flores na beira do caminho.
Quem dera eu criança voltar a ser, quem dera não conhecer da vida as mágoas, os sofrimentos, mágoas tidas por outros, num sofrer que não se finda.
Por causa de tantas desigualdades, e que nos sentimentos trago marcas causadas por tantas lágrimas que tem sido vertidas, e que muitas vezes me fazem viver sem esperanças.
Ah, as crianças! Minhas crianças!

®Jorge Bessa Simões

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

"Não posso voltar a ser criança" (Poema)

Ao me deitar para dormir na escuridão do meu quarto, minhas memórias me trazem as lembranças dos meus momentos bons e ruins, nesse instante meu coração está partido e meu corpo enfraquecido pelo tempo que avança.
Lágrimas descem dos meus olhos, sinto-me perdido neste mundo cercado de desgraças, dor e desumano, onde o único objetivo de muitos é querer ser melhor que os outros.
O amor parece ter perdido o sentido, o ódio, a inveja, o ciúmes passaram a reinar, e assim, alguns tentam aniquilar o amor que há em meu coração e tudo que de mais belo e puro ainda possuo, mesmo que por vezes me sinta despedaçado em meu íntimo.
Por isso tento buscar em meu interior a pequenina centelha de esperança que insisto manter acessa na tentativa de ser e fazer o meu melhor, e quem sabe ficar feliz comigo mesmo para que eu possa reparar meus defeitos, já que não posso voltar a ser criança com o meu mais belo sonhar.

®Jorge Bessa Simões

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"Meus sonhos de menino" (Poesia)

Busquei nos meus sonhos de menino,
Não apenas as recordações já vividas,
Mas as que me levassem adiante,
E naquilo que eu gostaria de viver.

Creio que os meus sonhos,
Muitas vezes funcionavam,
Como uma máquina do tempo,
Que me levava a lugares imagináveis e inimagináveis.

Em meus sonhos eu me realizava,
Transformava meus anseios em realidade,
E desde quando era um menino,
Sabia que tudo na vida poderia ser apenas um sonho.

®Jorge Bessa Simões

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"Um pedido de socorro nos olhos de uma criança" (Crônica da Vida)

Eu tinha apenas alguns anos de vida quando fui para sua casa em busca de socorro, acreditando que ali seria protegido, você me abraçou, passou as mãos pelo meu corpo, e eu não fazia ideia do que me aconteceria algumas noites depois, acreditei que fosse só um abraço de acolhimento familiar, já que mesmo sendo só uma criança, você sabia que eu enfrentava um dos momentos mais difíceis na minha vida, por isso busquei ajuda.
Naquele momento, eu não tinha a dimensão de que o que você me faria despedaçaria meu corpo e me destruiria intimamente e psicologicamente, afinal, eu era só uma criança que brincava na ingenuidade da minha infância, acreditava nas histórias infantis que algumas vezes você me contava, eu achava que aqueles momentos difíceis que estava passando poderia ter um "feliz para sempre."
Há época, eu usava um calçãozinho simples e uma camiseta fininha, um par de chinelos desgastados, brinquedos não tinha, e quando podia, já que na minha infância a TV era um artigo de luxo, assistia desenhos animados e ingenuamente acreditava na bondade das pessoas como você, ainda mais por ser alguém tão próximo a mim.
E foi assim que naquela noite você me levou para o seu quarto, começou fazendo cócegas na minha barriga com sua boca, até que num movimento você começou a passar suas mãos sobre meu corpo e entre minhas pernas, aos poucos foi abaixando meu calçãozinho, e foi nesse momento que você destruiria tudo em que eu acreditava. Tudo!
Aquele seria um dos momentos mais terríveis da minha vida, ao sentir o calor do seu rosto na minhas costas miúda e com uma das suas mãos tapando minha boca, você foi se pressionando contra meu corpo pequeno entrelaçado ao seu, com muito medo e indefeso, percebi que entre suas palavras desconexas, você me ameaçava, enquanto foi tirando de mim tudo o que nem mesmo eu sabia que tinha.
Aos poucos, você foi me estraçalhando intimamente de todas as maneiras, arrancando meus sorrisos e o brilho dos meus olhos, nunca mais conseguiria ser aquela criança de antes daquela noite em que tive a minha infância roubada, e minha vida transformada em um grande pesadelo, descobri que você, era o lobo mau de verdade e ao contrario da "chapeuzinho vermelho", não fui salvo por ninguém.
No dia seguinte, depois de tudo que você me fez, ninguém acreditou em mim mesmo vendo o sangue que escorria por entre minhas pernas, foi ai que o pior aconteceu, me agrediram fisicamente, levei uma surra, psicologicamente me amedrontaram dizendo que eu estava mentindo, porque eu era só uma criança.
Mas, como eu poderia inventar uma história dessas? Que criança fingiria que foi abusada só pra “chamar a atenção”?
Por fim, estava ali sangrando, com hematomas e muitas dores pelo corpo, como poderia provocar isso em mim mesmo?
Mas, foi isso que disseram, e assim te protegeram, logo você que havia roubado a minha inocência quando eu nem tinha consciência do que estava sofrendo, você, cinicamente ficou ali rindo do que me acontecia, naquele momento eu queria morrer.
E você não se contentou, porque quando fecharam os olhos para o que havia me acontecido, aquilo se tornou mais fácil para você, por consequência outras noites de abusos terríveis vieram.
Os hematomas que apareciam no meu corpo e as dores que sentia eram vistos como algo normal por eu ser muito agitado e não tomar cuidado na minhas brincadeiras de criança, porém ninguém percebia que eu já não brincava mais como antes, tudo que tinha eram pesadelos como companhia e medo toda as vez que chegava a noite.
Até que numa madrugada, mal conseguindo andar e sangrando mais do que das outras vezes, fugi do seu quarto e voltei a pedir socorro, mostrei e contei o que estava acontecendo e que você era o causador, mas de novo me deram uma surra.
Só que daquela vez a surra foi tão violenta que eu desfaleci, acharam que haviam me matado, então você e outros da casa, para se livrar das provas contra vocês, levaram meu corpo inerte enrolado em um lençol e o descartaram entre os trilhos do trem no meio daquela madrugada, imaginando que se meu corpo fosse atropelado, ninguém saberia a verdade.
Porém, eu fui salvo, alguém que por acaso atravessou pelos trilhos do trem, me resgatou daquela situação, logo meus hematomas foram sendo curados e se transformando em cicatrizes no meu corpo e no meu íntimo.
O tempo foi passando, acabei me tornando diferente das outras crianças, ficava mais quieto, calado, desconfiado de tudo e de todos, as vezes diziam que devia brincar e ter outros amigos.
Mas como poderia confiar em alguém depois do que me acontecera? Eu me sentia destruído, como poderia deixar alguém se aproximar de mim? Não tinha jeito!
Meus pesadelos me faziam lembrar o que você e os outros haviam feito comigo, isso me consumia, me angustiava, me machucava em todos os momentos da minha infância e depois na minha adolescência, sentia ódio, queria poder me livrar das cicatrizes e das dores que sentia, você acabou comigo, e o pior, ninguém fez nada para me ajudar.
Cresci me odiando pelo que tinha me acontecido, sem querer fui me afastando de qualquer um que quisesse se aproximar de mim ou me tocar, a vergonha era tamanha que cheguei a negar minha mãe com medo de que ela descobrisse o que tinha me acontecido.
Sem querer cheguei a culpá-la, até o abraço dela foi como se fossem punhais penetrando minha alma, com isso me afastei até dos meus irmãos, cresci buscando uma forma de me mutilar pra ver se tirava o toque das suas mãos da minha pele, porém nunca consegui tirar aquela sensação que sempre volta.
É como se ainda hoje, você fosse aparecer e aquele pesadelo voltaria me acontecer, só que agora estou acordado, você não está mais aqui, porém ainda carrego as cicatrizes e as dores pelo meu corpo, já que volta e meia sangram pelas sequelas que me ficaram, são lembranças de algo que não consigo apagar ou me esquecer, já que tive minha infância violentada e roubada para sempre.
Muito tempo depois deixei alguém se aproximar de mim que não roubaria nada do meu íntimo, alguém que também pode encontrar em mim abrigo, e para quem pude contar tudo o que havia me acontecido e ver nos olhos dessa pessoa a segurança que tanto precisava, e que não haviam me dado nos momentos em que mais precisei, talvez porque nunca havia contado sobre o que me acontecera a ninguém, por vergonha.
Essa pessoa soube como enxugar minhas lágrimas sempre que as tenho nos meus piores pesadelos, ela não arrancou meus sonhos, e em parte até me trouxe de volta o melhor do meu sorriso me dando um motivo a mais para querer viver.
E mesmo com as sequelas e as dores que ainda sinto, acredito que agora estou protegido, apesar de ter tido a minha infância roubada, já que ainda carrego as cicatrizes e a vergonha de tudo o que me aconteceu.
E minha mãe só veio a saber de tudo isso pouco antes dela partir da minha vida, choramos juntos, só então ela compreendeu o porque muitas vezes eu fugia de tudo e de todos, até mesmo dos abraços da mulher que eu mais amei na vida.

*Ao tornar esse relato de conhecimento público, espero que ele sirva 'não' para causar pena ou dó sobre o que me aconteceu, até porque, se irão acreditar ou não, ficará na consciência de cada um.
Porém que esse relato sirva de ALERTA a todos que o lerem, afinal de contas, isso ainda hoje pode estar acontecendo com outras crianças, meninas ou meninos, não importa a classe social ou o lugar onde moram.
Por isso fiquem ATENTOS, quando você perceber que uma criança muda repentinamente suas maneiras de ser, tente se aproximar com carinho e jeito, saiba não só como falar com ela, mas ouvir, e ouvindo, nunca duvide, pois o grito de socorro de uma criança pode estar estampado em seus olhos, assim como um dia esteve nos meus e não acreditaram e nem souberam compreender tudo o que acontecia comigo.

®Jorge Bessa Simões
(Texto Baseado em Fatos Reais)

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"Eterna criança" (Poema)

Nos dias em que segue minha vida, é com saudades que recordo da minha infância de menino que mesmo tendo sido triste em alguns momentos, tentou manter a alegria em seu coração cheio de esperança.
Recordo-me da estação de trem da cidade em que me criei, aliás do mesmo trem que serviu de inspiração musical, e que depois de muitos anos descobri quantos sonhos de amor naquele trem se uniram ou partiram.
Recordo-me com saudades da escola que ficava do outro lado dessa antiga estação onde me ensinaram as primeiras lições para que um dia na vida eu fosse alguém.
Quantas saudades das matinés no cinema, recordo-me com saudades dos personagens fictícios que em meus sonhos de criança se tornavam tão reais que na minha inocência imaginava viver em seus mundos.
Lembro-me dos meus irmãos, crianças como eu, das nossas travessuras, do açúcar com leite em pó que pegávamos no alto do armário para nos lambuzar daquele prazer bem escondidos, ah saudosa infância dos meus tempos idos de criança.
Porém em meu coração adulto já não há tantas alegrias, hoje ele se parece com uma moeda, meu coração é como uma moeda porque de um lado tem alegrias, do outro lado é triste nos momentos em que chora.
Chora por aquela que foi minha mãe, e era responsável por minhas esperanças e meus sonhos de menino, mas que agora se faz ausente, e como lembranças dos meus tempos de infância deixa um lado do meu coração cheio de alegria e do outro lado cheio de lágrimas depois da sua partida.
Sei que se minha mãe estivesse aqui me diria: "Pare com isso meu filho! É certo que assim como uma moeda nossos corações podem até ter dois lados, mas caberá a você aprender a suportar suas dores e transforma-las em alegrias e esperanças, e mesmo que eu me torne ausente em sua vida, lembre-se, você já será adulto, será a minha continuação no coração de muitos, pois para mim você sempre será o "meu menino" que um dia me foi presenteado pelo Verdadeiro Deus, e assim por mais que você cresça, sempre será minha eterna criança"

®Jorge Bessa Simões

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