
Alguns se esquecem que pai é um ser humano, cheios de limites e imperfeições, mas o espaço que ele deixa na história de um filho é insubstituível.
Assim a saudade que tenho do meu pai é uma daquelas dores silenciosas que ninguém me ensinou a lidar. Depois que eu cresci e com o avançar dos anos, comecei a perceber, em especial quando me dizem que não fui o pai que gostariam, que o meu pai não era apenas o homem que me corrigia ou que às vezes tenha sido duro, mas foi alguém que, de alguma forma, desejava que eu fosse mais do que ele foi.
E é com essa figura paterna na minha memória, que busco sempre carregar um desejo secreto de ver os meus filhos alcançarem o que eu não consegui em alguns momentos da vida, sei que posso ter errado por não os proteger quando não estava presente, mas ao mesmo tempo, como pai, sempre me doei sem esperar nada em troca, e esse é um amor que muitas vezes só compreendemos depois que amadurecemos. E o tempo passa rápido, e com ele, as lembranças se tornam cada vez mais valiosas.
Como filho, descobri que os conselhos do meu pai, que antes pareciam repetitivos eram, na verdade, sementes de sabedoria sendo plantadas. Outras vezes, o silêncio do meu pai carregava mais significado do que eu imaginava, e as atitudes dele, certas ou erradas, ou por mais duras que possam ter sido, eram formas dele me dizer “eu me importo com você meu filho”, mas sem precisar de palavras.
Mas depois que aconteceu a ausência dele, foi nesse momento que eu compreendi que a presença do meu pai se torna eterna, porque o que ele deixou em mim, não morre.
E agora, nesse "Dia dos Pais", ao sentir saudades do meu pai, é uma forma de reconhecer que ele é insubstituível, mesmo com suas falhas, seus defeitos, seus erros e acertos. E só agora compreendo que sua maior herança não estava em bens, mas em valores, em princípios e em sonhos transferidos.
E assim, tenho que aceitar que mesmo sem ele aqui, há uma parte dele que vive em cada escolha que eu fiz, e que ainda faço, mesmo errando em alguns momentos na busca do melhor acerto.
Nesse momento penso no futuro, percebo que quem quiser honrar essa história, tem que ser alguém que como pai me faça ter orgulho de ver. Assim, penso que posso transformar essa saudade do meu pai em força para seguir em frente, e deixar um legado que os meus filhos possam se beneficiar, ainda que sem querer, eu possa ter passado a impressão de que não fui o pai que eles gostariam.
Porque ser pai, não é só sangue, ser pai, é dia a dia, mesmo que na memória.
®Jorge Bessa Simões
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