domingo, 16 de agosto de 2026

"O reencontro dos distantes" (Poema)

Quantas vezes no silêncio noturno, antes das minhas orações, me lembro dos filhos distantes, tanto quanto dos presentes, e me pergunto; "Como eles estão? Será que está tudo bem?"
Busco através das minhas memórias, respostas para tantos "porques" diante de tudo que nos fez ficar distantes, sim, é verdade que isso aconteceu por causa de erros passados, alguns dos quais me cabem uma boa parcela de culpa.
Isso me corrói, porém não posso me martirizar por causa de erros passados, afinal, eu tinha que fazer algumas escolhas, e se não tentasse algo, como poderíamos ter chegado onde estamos?
Tudo aquilo me deu bagagem para evitar erros antigos, mas não tem nada que nos prepare para erros que poderão acontecer no futuro, até porque a vida segue com novos desafios e escolhas.
Ao acordar, depois das minhas orações, busco nas redes socias, quando não estou bloqueado, é claro, pelos filhos que se distanciaram de mim, e percebo que não mudaram quase nada, mesmo depois de tanto tempo, e é por algumas poucas fotos atualizadas, que os vejo que estão muito bem, muito bonitos até.
E de novo me recordo de tudo o que houve, e que causou nossos distanciamentos, é quando penso que os erros não cabem somente a mim, todos tivemos nossa parcela de culpas, mas o que está feito, está feito, não se pode mudar, mas para mim tudo isso já está distante, mais está feito.
Queria poder voltar com vocês, até o dia em que nossos caminhos começaram a se distanciar, lembram de como tudo aconteceu? Tudo começou meio que por causa de certas brincadeiras, depois os assuntos foram ficando cada vez mais sérios, vieram as atitudes erradas de ambos os lados, enfim, eu não me esqueci de nada.
Assim, ainda hoje me pergunto; o que foi que nós fizemos nesse tempo todo para mudar as coisas? Quando viajo para trás, sinto que a gente não fez quase nada para mudar nossos caminhos, e isso me deixa profundamente amargurado.
Será que não estamos perdendo as chances das nossas vidas? Porque parece ser tão difícil recuperar o tempo que passou e seguirmos juntos com os que estão ao meu lado?
Sabe, quando faço minhas orações, peço proteção a cada um de vocês, e também de você meu filho e minha filha distante, para que mal algum os aconteça, quantas vezes abro aquela porta e imagino vocês entrando aqui, então penso, vou ver eles outra vez!
Eu tenho uma imagem muita clara de vocês, aliás, a última de cada um que ficou nas minhas lembranças, mas, e agora?
Agora meu Deus, aí estão vocês seguindo seus caminhos, e aqui estou eu, com aquela imagem do passado que é tão diferente dessa imagem que tenho diante de mim, e nos meus pensamentos.
E eu que acho que vocês vão abrir aquela porta e de repente, estarei os recebendo como sempre os recebi, pronto para lhes dar o meu abraço, como se nada tivesse acontecido, mesmo sabendo que vocês não são perfeitos como também não sou, e logo estarei diante da minha menina e do meu menino.
Que estranho, vocês são os mesmos, não mudaram nada, então me diz, o que mudou? Será que a gente não pode recuperar todo esse tempo perdido, esse tempo que passou assim tão estupidamente?
O que nós fizemos, porque fugimos assim um do outro? Porque não nos agarramos com força e enfrentamos juntos aquelas situações na hora em que mais um precisava do outro? Porque vocês me largaram, e eu deixei, faltou amor, foi covardia, e agora?
Será que estamos condenados a ficar separados para sempre, eu amo vocês, por isso eu só queria saber uma coisa, talvez a última coisa, não quero respostas, eu não estou pedindo para ouvir respostas sobre nada, mas eu preciso saber, vocês me amaram tanto quanto eu os amei desde o dia em que vocês nasceram?
Eu não quero saber se ficou alguma coisa desse amor, mas será que todo meu sacrifício para criá-los e os encaminhar na vida, ainda que tenham acontecido alguns erros nesse caminho, não tem valia alguma, só porque fui eu que errei, e posso não ter sido o pai que vocês gostariam? Não importa, mas eu preciso saber, esse amor que tanto ensinei a vocês meus filhos, existiu um dia?

®Jorge Bessa Simões

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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

"A dor do luto em vida" (Crônica da Vida)

A dor do luto em vida chora por aqueles que decidiram se distanciar, pois quando filhos, não importam os motivos, escolhem se afastar do pai, a ausência deles ganham o peso de uma saudade mortal e silenciosa todos os dias.
Porque não há um velório para marcar o fim, nem flores para cobrir a perda; há apenas o vazio de uma relação interrompida enquanto o tempo continua a correr para todos.
Para o pai fica, a dor do luto em vida, e poucos sabem, o quanto ele chora por aqueles que decidiram se distanciar, já que a cada lembrança que salta da sua memória: o som de um riso antigo, de um dia qualquer sem mensagens, das cadeiras vazias na mesa, tudo é um sofrimento peculiar, porque enquanto ele está vivo, esse pai sabe que as pessoas amadas continuam no mesmo mundo, respirando, vivendo, porém inacessíveis.
E seu coração precisa aprender a conviver com a existência do amor, mas com a impossibilidade do convívio, por coisas que há tempos poderiam e podem ser superadas, pois o que importa não é o que os afastou, mas o que ainda os une como pai e filhos.
Assim esse distanciamento traz consigo um luto sem despedida, onde as perguntas sem resposta ecoam na rotina.
O pai se pega revisitando o passado, buscando entender os nós que não puderam ser desatados e os silêncios que cresceram até virarem muros.
Contudo, diferente do luto definitivo, o luto em vida carrega a dor da suspensão. A dor do luto em vida chora por aqueles que decidiram se distanciar porque sabe que, enquanto houver vida, a história permanece aberta, mesmo que o presente seja feito apenas de saudades, paciência e do desejo silencioso de um reencontro.

®Jorge Bessa Simões

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"Lágrimas aos ausentes" (Poema)

Há ausências que não chegam de repente. Elas não fazem barulho, não batem portas, nem avisam a hora que vão partir; apenas acontecem no ritmo inevitável de algumas circunstâncias dos dias.
Para os que ficam na presença diária, a rotina me ensinou a ter peito firme, por isso tenho aprendido a guardar as lágrimas do cotidiano, a engolir a canseira e a manter a casa em pé.
Meu amor ainda tenta conviver de forma expressa no prato posto à mesa, na pergunta sobre o meu dia, e na proteção silenciosa daqueles que não me pedem aplausos, mas o silêncio de quem escolheu se manter distante pesa de um jeito diferente.
Aos filhos que decidiram traçar seus caminhos longe do olhar desse pai, seja pela busca natural do próprio espaço, pelas escolhas da vida ou pelas distâncias que se criaram sem que ninguém percebesse, fica o sobressalto dos dias em silêncio.
Porém esse pai pode até não chorar na frente das pessoas ou no meio da rotina agitada, e assim vou seguindo o dia, cumprindo os deveres, sorrindo quando é preciso. No entanto, é na quietude da minha casa, quando o barulho do mundo se apaga, que o meu peito transborda.
Não! Não é um choro de cobrança, tampouco de mágoas ou ressentimentos. É a saudade pura e desarmada do tempo em que os passos eram pequenos e couberam sob o mesmo teto.
É o amor paterno que, mesmo sem espaço na rotina de quem se distancia, continua ali: intacto, vigilante e em silêncio.
Entretanto uma coisa é certa, a vida me ensinou que honrar o próprio caminho é parte de crescer, e como pai, sou consciente de que em alguns momentos da vida eu errei nas minhas escolhas ou até nas minhas atitudes, mas nunca desejei segurar os pés de quem nasceu para voar.
Sempre busquei ensinar aos meus filhos que, para além da distância e das escolhas que possam nos afastar, existe um peito que não guarda mágoas e nem rancor, mas que transborda, em segredo, e esse é um amor que nunca deixou ou deixará de esperar por vocês, enquanto eu tiver tempo.

®Jorge Bessa Simões

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"Legado na vida" (Crônica da Vida)

O tempo passou, os anos estão avançando, poucas tem sido as palavras trocadas, gestos de carinho estão sendo deixados de lado, sem contar os abraços que deixaram de ser dados, além dos muitos momentos que temos perdido.
O que me entristece, é que muitos tem sido os vínculos da minha vida que tem partido, não que eu queira, porém são tantas circunstâncias da vida que tem feito eles se romperem.
Por isso tenho sentido muito a falta de dois elos que se romperam da minha vida, em especial por se tratarem de filhos, assim, tudo que tem me restado são as lembranças guardadas dos breves momentos que há muito tempo tivemos juntos.
Entretanto algumas dessas imagens tem sido perdidas das minhas memórias pelos meus anos que avançam, desta forma, fico imaginando se haverá tempo para um reencontro, ah, quantas são as minhas saudades acumuladas.
E pensar que um dia sacrifiquei muitas coisas na vida, e que mesmo errando nas minhas escolhas e atitudes buscava o melhor para todos, é por isso que acredito que já deveríamos compreender de verdade o que nos ensina o amor.
Ainda me lembro do dia que sonhei com cada um dos meus filhos e filha, me recordo que mesmo nas dificuldades da vida, aprendi que as minhas sementes seriam minhas alegrias no momento de dor, porém é evidente que o passado jamais irá voltar, e imaginar isso seria pura ingenuidade.
Assim tento viver o presente, embora o tempo só tenha me deixado as lembranças do ontem, porém não posso ficar chorando por tudo que nos ocorreu, por outro lado creio que valeu ter aproveitado o tempo que nos uniu.
Porém já faz algum tempo que estamos longe um dos outro, como disse, alguns vínculos da minha vida estão partidos, algo que jamais eu quis, mas com isso aprendi que o futuro não pertence a ninguém, nem mesmo a nós, sendo pai, filhos e filha.
Quem sabe possa acontecer alguma coisa, já que não carrego mágoas no meu coração, e que o melhor de tudo nos aconteça, se houver tempo é claro! Afinal não importa os momentos quebrados, o que importa são os momentos que podem ser construídos.
Porque eu quero acreditar que, uma filha ou filho, jamais se esquecem do pai que, mesmo com seus defeitos, os ajudou a serem gerados, pois esse é um vinculo da vida que nunca se perde, por mais que as circunstâncias ou os caminhos nos afastem.
Às vezes fico imaginando; "O Deus que me permitiu os conceber um dia, nos uniu no sangue e no espírito, já que os plantei no ventre da mulher que lhes deu a vida, esse é o vínculo que nos deixa o legado de sermos eternamente pai e filhos".
Sinto muito se por algumas circunstâncias tenhamos sido separados pela vida, mas em mim ao menos, tento preservar o meu amor e carinho, agradeço a vida que os trouxe para sermos parte da mesma caminhada.
Embora essa caminhada tenha sido interrompida algumas vezes por causa de mal entendidos da nossa história, e com isso estamos deixando de ser pai e filhos, mesmo assim, para mim vocês continuam sendo parte do meu legado na vida, e eu os amo muito.

®Jorge Bessa Simões

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"Como posso amar quem não deixa que eu ame?" (Poema)

Como pai de uma filha, muitas vezes fechei meus olhos para seus deslizes, fiz de conta que não existiram crises entre nós, me anulei muitas vezes por amar, assumi erros que sequer cometi, por ela briguei e defendi, fiquei louco e cego de tanto a amar.
Por ela, bati de frente com o meu próprio eu, abri mão de alguns sonhos para viver os dela, fiz da sua vida minha própria vida, te dei razão até na sua culpa, e minha verdade deixei oculta pois queria poder ama-la.
Mas um dia, acordei, a ficha caiu, do transe, o sonho do coração saiu, as luzes se acenderam, e fim da escuridão, nesse instante compreendi que só eu a amava, ela mal tentou entender o que eu sentia, com isso voltei a minha lucidez, meus pés voltaram para o chão, e foi ai que percebi que por ela, eu agia sem a razão.
Nesse momento percebi que era preciso também gostar mais de mim, e que não era preciso me humilhar, afinal, eu era o pai que ele sempre quis saber quem era, e até onde entendi, me corrija se estiver errado, parece que só eu abri o meu coração, e quando um amor, seja qual for, faz a gente sofrer, esse sentimento deixa de ser amor, se torna doença, obsessão e loucura.
E um amor de quem só quis amar uma filha que me foi negada por anos, não poderia ter escutado palavras tão duras como as que um dia ouvi dizer diante da mais dolorida negativa que até então eu já tinha recebido na vida, me mostrando que ela não queria que eu a amasse, e foi por ama-la que mesmo assim, me resignei a me manter distante.
Na esperança de que, quem sabe um dia, ela perceba que o pai que ela tanto procurou saber quem era, tem defeitos, medos, dores e angústias, e mesmo com as duras experiências que tive na vida, elas nunca me tiraram o maior sentimento que sempre trago guardado em meu peito, e quando descobri a nossa verdade, não esperava que me amasse da mesma forma que eu a amei.
Assim, creio que como pai, eu compreendo que tenho um coração que ama todos os meus filhos, da mesma forma como amo você minha filha, é por isso que sempre me pergunto; "Como posso amar quem não deixa que eu ame?"

®Jorge Bessa Simões

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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

"Minha filha nesse coração de pai" (Poesia)

Faz muito tempo que amo uma pessoa,
(E acho que ela nem sabe o quanto)
Ou melhor, não sei dizer, mas creio que sim,
Nesse amor, culpa alguma me cabe,
Porque vou ama-la mesmo assim!

No meu coração (e nem ele sabe),
Se para ele é bom ou é ruim,
Ou que mesmo por causa disso eu me acabe,
O que ele (meu coração sabe),
É que eu amo minha filha, assim!

®Jorge Bessa Simões

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"Um presente que a vida me deu" (Crônica da Vida)

"Um dia em minha vida, veio existir lindos olhos brilhantes que até hoje me fascinam."
Ainda me lembro daquela pequenina menina que na sua infância brincava com suas bonecas, ela chamava a atenção por causa da sua pele branquinha, seus lindos cabelos compridos e negros resplandeciam com a luz do sol, era tão cheia de graça e bela, e a cada dia se desenvolvia a olhos vistos.
Uma menina que na sua inocência à tudo queria se antecipar, sua curiosidade era descobrir sobre sonhos e suas transformações na vida, assim logo ela sairia da sua infância para sua juventude, ainda mais graciosa e bela.
E eu não sabia que ela poderia ser minha filha, mas imaginava como ela seria, pois a cada dia se transformava numa linda mulher.
E mesmo a distância, assisti suas transformações, tempos depois, vim descobrir que ela era minha filha, e que a vida a tinha me dado de presente, e era alguém que veio cheia de graça.
Porém o tempo passou tão rápido, que num piscar de olhos ela já não era mais aquela menina que vi brincando com suas bonecas, pois tinha se transformado numa linda e bela mulher, percebi então que a vida tem dessas coisas, tudo nela se transforma!
Aquela pequenina menina que fora por todos admirada, era o presente que a vida me dera, embora já quase mulher, mas mesmo assim muito amada por esse pai que não a esquece.
E mesmo estando distante do meu caminho, vendo-a crescer, percebo que ela não perdeu o brilho que sempre a cercou, em especial desde o dia que em minha vida veio a existir.
Assim não importa quanto o tempo passe ou o porque nós mudamos e ficamos distantes um do outro, creio numa coisa de coração; "Para mim ela continua sendo aquela mesma linda menina que Deus me deu um dia de presente como minha filha amada, cheia de graça e bela."

®Jorge Bessa Simões

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"Pai de papel" (Crônica da Vida)

Um pai certa vez, havia vivido um dos momentos mais inesquecíveis da sua vida, em especial ao dar o primeiro abraço emocionado por saber que tinha mais alguém que faria parte da sua vida, fora uma sensação da qual ele jamais se esquecerá.
Havia sido um momento retratado com um amor puro e sagrado, fora o encontro de dois seres ligados pelo mesmo sangue, e que tinham ficado separados por anos de incertezas e dúvidas.
Em suas lembranças aquele pai iria preservar a imagem de um sorriso, do qual sem saber havia sempre amado, e que daquele momento para frente, seria a realização de sonho, afinal, ele se tornara pai de alguém que esteve diante dele o tempo todo, mas que só agora, poderia chamá-la de filha.
A partir daquele instante o som em seu peito, aumentou ao abraçar aquela menina mulher pela primeira vez, e ao tocar seus cabelos, aquele pai sentiu um perfume do qual jamais se esquecerá, pois lhe impregnou a alma, porém....
Como sempre lhe acontecia na vida, o sonho daquele pai se acaba em frações de segundos, de repente, tudo se transformaria num grande pesadelo.
Pois em meio as distâncias dos seus caminhos, aquele pai e filha mal iriam se ver, tudo que ele conseguia fazer para matar a saudade daquele menina mulher, era vê-la em algumas fotografias publicadas em uma rede social.
E como sempre a vida de forma cruel com aquele homem, agora usava a sua filha para o entristece, já que por ela não ter compreendido a história que os unia, passou a rejeita-lo como se ele não fosse seu pai.
Ela se esquecera que ambos tiveram seus direitos negados por não terem se amado desde seu nascimento, mas o amor daquele pai podia transcender em seu coração todo aquele tempo perdido.
Entretanto, entristecido pela crueldade que a vida lhe impunha mais uma vez, aquele pai percebeu que só lhe restaria ver as fotografias da sua filha em uma tela fria do computador.
E ao mesmo tempo tentar compreender o pesadelo em que havia se transformado seu sonho, já que sua filha sonhada transformou aquele homem em um pai de papel, se esquecendo que tudo poderia ser valido para a eternidade.

®Jorge Bessa Simões

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

"Devaneio paternal" (Crônica da Vida)

Certa vez, um pai se viu em dias de muitas tristezas, por mais que quisesse se arrepender de certas escolhas que lhe foram impostas na vida.
Esse pai gostaria de viver seu sonho sonhado de um amor paternal reprimido por anos, já que haviam lhe negado esse direito, embora já tivesse vivido muitas histórias na vida, essa era muito especial, e ele gostaria de vivê-la depois que descobriu que tinha uma filha.
Mas quando lhe foi revelado o que poderia ser a realização de um sonho, tristemente se transformou em um pesadelo, o que tinha sido alegria e felicidade após a revelação daquele pedaço da sua vida, se tornou uma grande decepção, foi como se seus sentimentos não existissem ou não tivessem valor.
Até então aquele pai não tinha se arrependido de nada, pois se tivesse se arrependido de alguma coisa, não teria valido a pena viver ou lutar por tudo que ele sonhara.
Porém parte da história dele que era para ser a realização de um lindo sonho, por causa de um mal entendido de momento, acabou se transformando no seu pior pesadelo, e sem perceber lhe ensinaram a se arrepender.
Porque naqueles dias, aquele pai se sentiu como um tolo por ter tido aquele devaneio paternal, e pela primeira vez na vida aquele homem veio à se arrepender, já que por causa de muitas incompreensões, ele fora rejeitado como pai por sua própria filha.
Seu coração foi esmagado pelo arrependimento, não por saber que tinha uma filha, mas por ter sonhado um sonho que agora lhe era negado, e que no final, se transformou no seu maior pesadelo.

®Jorge Bessa Simões

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"Pai de menina" (Crônica da Vida)

Um dia, sem saber que era pai de uma menina, o que vim descobrir anos depois, estava num trem do metro, quando sentou-se próximo a mim um casal que acredito estavam voltando de uma consulta de pré-natal, e começaram uma conversa que me fez pensar, e se fosse eu?
Bem o dialogo entre eles começou mais ou menos assim; a mulher grávida pergunta ao homem: “Meu bem, o que você está esperando, que venha um menino ou uma menina?”
O homem respondeu: “Se for um menino, vou ensinar muitas lições para ele, vamos malhar juntos, jogar futebol, andar de bike, e vou ensiná-lo a pescar e nadar, etc.”
A mulher, rindo, pergunta: “Tá bom, mas e se for uma menina?”
O homem sorriu e disse: “Se for uma menina, não vou ter que lhe ensinar nada. Será ela que vai me ensinar tudo: a como me vestir, como comer, o que dizer e o que não dizer. Em breve ela se tornará uma segunda mãe para mim e, mesmo sem eu fazer nada de especial, ela vai me considerar seu herói. Ela vai entender quando eu disser não! Vai comparar seu futuro marido comigo. E não importa quantos anos ela tenha, sempre vai querer que eu a trate como minha princesinha. Vai lutar por mim contra o mundo, e se alguém me machucar, ela nunca irá perdoá-lo."
A mulher, um pouco intrigada, pergunta: “Quer dizer que sua filha faria tudo isso, mas seu filho não?”
O homem diz: "Não, não! Meu filho também poderá me fazer isso, mas antes ele terá que aprender com o passar do tempo. Por outro lado, as meninas já nascem com essas qualidades inatas. Ser pai de uma menina deveria ser um verdadeiro orgulho para cada homem."
Então a mulher diz: “Mas meu bem, ela não vai ficar com a gente para sempre."
O homem, com carinho, responde: “É verdade, mas nós estaremos sempre com ela, no coração ou onde quer que ela vá. Porque as meninas são como anjos..., elas nascem com um amor incondicional, e o carinho delas é para todo o sempre."
Assim que terminaram essa conversa, veio o anúncio da próxima estação, o casal se levantou e desembarcaram do trem, e eu fiquei pensando no que acabará de ouvir.
Foi então que fiquei imaginando; "Será que é verdade que todo homem que é pai de uma filha, se sente muito abençoado? Se eu também fosse gostaria muito de ter essas bênçãos."
Foi ai que um dia descobri que sou pai de uma filha, então me lembrei daquela conversa no trem do metro, e agora me pergunto; "Será que aquilo que um dia ouvi, realmente for verdade, então por ser pai de uma filha, também serei abençoado? Quem sabe...

®Jorge Bessa Simões

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