terça-feira, 27 de outubro de 2026

"O menino que ousou sonhar 2" (Poema)

Sempre achei que seria para sempre aquela criança que via tudo como novidade, que explorava o mundo com a inocência e a curiosidade típica da infância, e que construía castelos com caixas de papelão, espadas de madeiras ou aviões com pedaços de papel e quem sabe viver na "Terra do Nunca".
Porém, minha infância foi brutalizada pelas realidades da vida, ao invés de voar, fui violentado, espancado e jogado quase morto na linha do trem para que se livrassem da culpa do que me fizeram, quando me recuperei, tive que dormir sobre caixas de papelão que me serviram de cama e cobertor embaixo das marquises dos prédios de onde havia sonhado que pularia para voar em busca da "Terra do Nunca", só que ao invés dos sonhos, minha realidade se tornou o pior dos meus pesadelos por causa da vergonha do que havia me acontecido.
Meus sonhos deram lugares à uma realidade que já não era só minha, tive que aprender a valorizar as coisas por mais simples que pudessem parecer, valorizar a vida e buscar um sorriso ainda que o meu coração estivesse despedaçado para sempre.
Nos anos seguintes foram poucos os abraços que recebi, aliás como até agora, já que em geral o que mais vejo são dedos em ristes apontados na minha direção me julgando pelo que fiz e o que não fiz de errado, raramente vejo mãos estendidas para ao menos me cumprimentar por meus acertos, e ainda percebo que alguns tentam apagar em mim, aquele menino que fui e que um dia ousou sonhar.
Querem que eu aprenda a como demonstrar meus sentimentos e falar sobre o que já me aconteceu com os mesmos falsos pudores com que se cercam, com as mesmas desconfianças e preconceitos com que se servem, mas não posso fazer isso para agradá-los, se fizer isso como irei olhar dentro de mim mesmo?
Não posso permitir que me tirem mais do que já me tiraram, afinal, ainda sou aquela mesma criança que sonhava alto, é por isso que as vezes ainda sonho em voar, acredito naquele menino que um dia existiu dentro de mim e que sonha, apesar de tudo o que a vida me impõe todos os dias da minha vida.

®Jorge Bessa Simões

®Velhas Memórias Poéticas. Copyright © 2013-2026
®Direitos Autorais Reservados. Lei 9.610/98

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"O menino que ousou sonhar 1" (Poema)

Quando era criança me perguntaram:" Qual é o seu sonho?"
Com aquele jeito típico de um menino sonhador respondi: "Voar até a Terra do Nunca."
Respondi assim por que me lembrava da história do Peter Pan, um menino que queria ser criança para sempre e morar num lugar feito de sonhos, eu sonhava em morar lá.
Sabia que era preciso três coisas para chegar naquele lugar; primeiro; pensar numa coisa boa, segundo; acreditar no fundo do coração e é claro, só ai viria a terceira realização; voar!
Puxa vida, me lembro de quantas vezes subi na beliche do quarto, pensando em algo bom, e depois com os olhos fechados saltava no ar e..., tombo, ralava os joelhos, as mãos e dependendo da forma como caia, ficava com os braços e as pernas roxas.
Quando ouvia as histórias do Peter Pan pensava no que me fazia bem, acreditava nos sonhos e como gostaria de saltar dos lugares mais altos do mundo na esperança de voar para a Terra do Nunca.
Lembro-me que um dia cansei de pular da beliche e até de cima do muro no quintal, porque me machucava mais do que voava, cansei de pensar em coisas que nunca aconteciam e assim deixei de acreditar em sonhos, compreendi que simplesmente não iria voar mesmo, e para piorar, fui levado a desistir de sonhar.
Tudo porque tive minha infância roubada e violentada, e aquilo doeu em mim mais do que todos os tombos que eu já havia sofrido, doeu-me no coração e na alma.
Anos mais tarde, algo me fez relembrar de quando ouvia as histórias do Peter Pan, foi como se voltasse a acreditar que meus sonhos poderiam ser possíveis, por alguns instantes, me senti como aquela criança que não tinha medo de se lançar para descobrir a vida, era como se a Terra do Nunca ainda pudesse estar ao meu alcance.
Me lembrei da criança que fui, que não tinha medo, que sonhava em voar mesmo sabendo das quedas, mas que poderia tentar de novo apesar das feridas e as cicatrizes que carregava, não me importava com o que os outros pensasse ou falassem a respeito dos meus sonhos, afinal, eu acreditava que ainda poderia ser aquele mesmo menino que um dia ousou sonhar.

®Jorge Bessa Simões

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"Sem as mãos da minha mãe" (Poema)

Desde que vim ao mundo muitas são minhas feridas, nesses anos todos tive muitas perdas no meu caminhar, trago cicatrizes em meu íntimo que não se cicatrizaram, e sangram em minhas lembranças.
Mesmo assim busco pensar nas coisas boas que vivi desde criança, de como aprendi a andar de velocípide. mesmo depois de cair tantas vezes, e ao ver o sangue no meu joelho escorrendo, doía, mas lá estava o calor de uma das pessoas que mais soube aquecer meu coração, suas palavras tinham o poder da cura quando ela dizia:- "Não está doendo mais, me dê sua mão e vamos tentar de novo."
Na minha adolescência e na maturidade adulta, como gostaria de sentir o vento no meu rosto desenrolando meus cabelos vendo as folhas outonais espalhadas no chão, e nessa analogia, o que mais queria sentir era o calor das mãos daquela mulher que me levantava quando criança eu caia, e me colocava em seu colo, arrumava meus cabelos, enxugava dos meus olhos as lágrimas das minhas dores, e as coisas eram simples, fáceis, práticas.
Porém o tempo insisti em levar minhas lembranças para longe, por mais que queira fugir disso, não posso!
Já não tenho mais o equilíbrio para pedalar por causa da minha idade avançando, é pior, logo meus Abril já não existirão mais.
E agora meus dias são feridos pela hipocrisia de alguns a minha volta, talvez, eu seja culpado, porque acreditei que pudesse ser diferente, mas não é assim, por isso, só me resta suportar minhas dores e esperar que se fechem minhas cicatrizes, mesmo vivendo meus Abril ferido e sem as mãos de quem eu chamava de mãe.

®Jorge Bessa Simões

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"O melhor de tudo, minha mãe..." (Poema)

Quando era criança gostaria de me tornar adulto e fazer tudo aquilo que não me era permitido, porém ao crescer e me tornar adulto percebi quão dura é a realidade, então voltei há pensar; "Como gostaria de ser criança de novo!"
Porque como homem quando vejo as crianças brincando, me lembro que queria me tornar adulto, mas não imaginava o quanto isso seria tão dolorido.
Passaram-se os anos e mil lembranças sempre voltam em minhas memórias, e embora minhas recordações me mostrem que foram poucos os meus dias felizes, muitas foram as emoções nos melhores dias que tive na vida.
Acredito que aproveitei cada momento, e como foi gostoso viver aqueles dias de criança, vivenciar tudo que vivi, ainda que tenham acontecidos algumas tristezas e muitas lágrimas, mas o melhor de tudo, do meu tempo de criança, foi ter tido a mulher mais importante e especial que já tive na minha vida, você minha mãe!
Como homem percebo que fui cruel comigo mesmo por querer deixar de ser criança, talvez tenha acreditado que tudo pudesse ser melhor quando crescesse, mas quando acordei e me vi adulto, percebi que ao ter minha inocência roubada na minha infância, tudo se tornou muito triste ao meu redor, me vi atirado num mundo cheio de ganância, inveja, mentiras, com tantas perdas e atrocidades que me decepcionam por demais.
Sei que não posso voltar atrás no tempo para a minha infância que em parte ainda hoje me fascina, daria tudo pra poder voltar à ser de novo a criança que fui um dia, voltando ao tempo em que era cuidado com tanto amor e carinho por você amada mãezinha.
Pois você sim, minha mãe, foi o melhor de tudo na minha vida.

®Jorge Bessa Simões

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"Não pude te dizer o que queria, minha mãe" (Poema)

Pousei o meu olhar no teu rosto cansado, não precisei te dizer nada, afinal você é minha mãe e me conheces como ninguém.
Ainda me lembro de uma das minhas últimas visita no apartamento que você morava, mesmo com seus passos incertos e vacilantes, você me levou até o sofá da sala e me fez sentar aos teus pés, é como fazia quando eu era criança, você acariciou meus cabelos enquanto deixava correr em teu colo, o meu pranto.
Quando observava teu rosto, percebia que em cada ruga nele tinha uma história que a vida marcou em você como ferro em brasa, me lembro de quantas vezes te vi esconder as lágrimas, fico em silêncio..., nesse momento deixo falar os meus sentimentos.
Luto contra mim mesmo numa dolorosa agonia, queria ter lhe dito tudo o que sentia, mas a dor na minha alma me tornou cruel.
Não, não era nada sobre você, era sobre mim, e por saber que um dia por medo e vergonha do que havia me acontecido quando criança, te neguei como minha mãe, queria tanto te pedir perdão.
Sentia-me como folhas em vai vêm, e esta tristeza me dominava todos os dias, a verdade me aterrorizava, o tempo era apertado para nós dois, uma dor enorme crescia em mim, me sentia como o joio não desejado.
Assim perdia meu olhar no horizonte, pois vendo o seu tempo avançar diante da dolorosa batalha que você enfrentava por causa de uma grave doença, já imaginava o final, amargo e trágico que logo iria nos separar mais uma vez.
Queria tanto que você não fosse, tinha tanto para te dizer, e sem você, perderia o leme da esperança, pois não sei como conseguiria remar em frente.
Não queria que você fosse, mas o nada que a gente sente é o tudo que a gente tem, por isso tive vontade de gritar 'por favor, não vá minha mãe, mas infelizmente você se foi, e eu não pude te dizer tudo o que queria, minha mãe.
Mesmo sabendo que do pouco que consegui te dizer, você me deu o seu perdão, e mais que isso, sentado aos seus pés, me senti abençoando ouvindo você me dizer; Eu te amo muito, meu filho!

®Jorge Bessa Simões

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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

"Lembranças da minha infância" (Poema)

Quando me lembro da minha infância, não quer dizer que me recordo só dos acontecimentos tristes ou alegres, quando busco em minhas memórias as lembranças do que vivi, me recordo dos sonhos que tinha, dos meus sentimentos, emoções e sensações, medos e coragem, sonhos e pesadelos.
Quando me lembro da minha infância, me recordo das brincadeiras, do viajar de trem, dos passeios nos bondes em que viajavam meus sonhos de aventura na tentativa de deixar para trás meus dissabores.
Sinto os sabores das guloseimas que ganhava ao ajudar alguém a carregar sacolas na feira, da minha caixa de engraxate onde ganhei dinheiro para comprar minha primeira bicicleta e meu gravador de rolo onde gravava sons que ficaram gravados em minhas memórias vindas das fantasias imaginárias.
Que saudades das comidas que minha mãe fazia quando podia visitá-la, são tantas lembranças que ainda hoje quando me lembro delas passa um filme em minha cabeça, nunca tive um brinquedo “industrializado”, me lembro de um caminhãozinho de madeira e como não me lembrar dos tempos da escola, tantas dificuldades, tem as lembranças das minhas brincadeiras a beira de um riacho com os barquinhos de papel feitos das folhas do caderno, apesar das dificuldades tentei ser criança e de uma certa maneira ser feliz.
Aprendi a gostar das poesias, gosto herdado da minha mãe, aprendi a ver nas palavras poéticas meus sonhos de menino, os mesmos sonhos que busco viver como "poeta".
Desde então não deixei de escrever minhas poesias ou poemas que contam a minha história de uma forma mais leve, não que elas sejam exemplos a serem seguidas, mas que sirvam de alertas, em especial aos que enfrentam pesadelos que eu enfrentei depois que roubaram a minha inocência, e que um dia possam superar essas mesmas limitações com coragem.
Me recordo do trecho de uma poesia do Fernando Pessoa que certa vez eu li numa lojinha de sebo de livros, que falava sobre a infância de uma criança e que dizia assim,...

"Porque esqueci quem fui quando criança?
Porque deslembra quem então era eu?
Porque não há nenhuma semelhança entre quem sou e fui?
A criança que fui vive ou morreu?"

É, tudo isto faz parte das minhas lembranças de infância, que sei, nunca mais irão voltar.

®Jorge Bessa Simões

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"Nossa despedida, minha mãe" (Poema)

E assim você me disse: "Meu filho, sinto que está chegando minha hora, logo não estarei mais aqui, queria que você tivesse paciência e tentasse entender o que irá se passar comigo, e talvez essa seja nossa última conversa, por isso meu filho, por favor!
Gostaria de te dizer umas coisas que poderão te ajudar muito, aprenda a ouvir as pessoas, porque não sabemos quando se calará nossa voz, tente se lembrar do pouco tempo que você ficou comigo quando era criança, e eu ouvia suas histórias, mesmo quando estava cansada, eu ficava lá te ouvindo até você se cansar de tanto falar ou quando pegava no sono, só então ia me deitar, e eu te amava muito!
Me lembro pouco da sua adolescência, mas eu ficava nervosa e impaciente dando ouvidos quando você me falava das suas namoradas, quantas vezes queimei o arroz na panela por causa disso, em meu coração a coisa mais importante era estar com você.
Sei que logo vou estar partindo, mas se acaso ficar mais um pouco nessa vida e se minhas pernas aguentar, que possamos andar juntos como fizemos muitas vezes nos primeiros anos da sua infância, quem sabe seja a hora de você me dar a mão da mesma maneira como ofereci a minha quando você deu seus primeiros passos na vida, como gostaria de sair dessa cama de hospital e que você me levasse para pescar, mas sei que não terei mais esse tempo, porém, não se sinta triste por isso e nunca se culpe.
Mesmo não saindo daqui, que eu possa ao menos terminar meus dias sentindo que você me compreendeu, e que tudo o que houve em nossas vidas te sirva de lição, e que entenda o quanto foi grande o meu amor por você, e aconteça o que acontecer vou agradecer a Deus pelo tempo que pudemos estar juntos, me lembrando das alegrias que compartilhamos nessa vida, não importa que tenham acontecido algumas tristezas entre nós.
Orei muito a Deus para que eu conseguisse te dizer essas palavras, ainda que sejam as últimas, que você me preserve sempre em suas lembranças, e me guarde em seu coração, e nunca se esqueça da sua mãe, pois "eu te amo muito meu filho!”.
E foi assim que naquele dia eu ouvi você minha mãe, me dizer suas últimas palavras, infelizmente eu não sabia, mas desde que fomos separados quando nasci e depois por certas circunstâncias da vida em que nos separamos de novo, o quanto seria dolorosa essa última separação para a minha vida.

®Jorge Bessa Simões

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"Saudades de você, minha mãe" (Poema)

Você mãe, me deu o bem mais precioso que alguém poderia ter me dado, a vida!
Me carregou em seu ventre com amor e carinho, e quando nasci me ensinou os primeiros passos e as primeiras palavras.
As lembranças mais antigas que tenho de você, é sua mão me segurando para me dar proteção na vida para que eu pudesse descobrir meus horizontes.
Sua voz doce me cantou cantigas de ninar para me fazer dormir e sonhar um sonho sereno e tranquilo, sabendo que você estaria lá para me proteger.
Você lutou, sorriu, chorou e sei que jamais gostaria que a amargura tomasse conta do meu coração, embora sem querer eu o tenha te amargurado, por isso sempre te pedi perdão!
E foi ai que você me ensinou a ser um homem de verdade e a continuar com meus sonhos de criança, me ensinou a ser forte sem ser amargo, a abrir meus caminhos tomando sempre o cuidado com as plantinhas (pessoas) boas e as daninhas ao meu redor.
Com você mãe, aprendi a ser “gente” que respeita “gente”, a ter fé em Deus, aceitar os defeitos das pessoas e que o amor tem que ser incondicional, embora sejamos diferentes, fazemos parte de um todo para nos ajudar nos momentos mais difíceis das nossas vidas.
Essas são as melhores lembranças que você me deixou da sua vida ao meu lado, é por isso que o amor que sinto por você, sempre me lembra de tudo que você me proporcionou como minha mãe.
Ainda sinto o brilho do seu olhar querendo me proteger, com isso lembro-me das suas últimas palavras que até hoje me dão forças para continuar minhas batalhas diárias, agradeço e peço a Deus que possa ter o seu amor em breve e que logo possamos nos reencontrar no paraíso terrestre que virá, ainda que até lá eu tenha saudades de você.

®Jorge Bessa Simões

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"Tempo dos meus tempos" (Poema)

"Mágoa é o desgosto recolhido cujas marcas transparecem no semblante, nas palavras tristes, nas amarguras e pesar".
Muitas vezes já falei sobre isso, mas acho que foi pouco. Está claro que é o resultado das minhas expectativas frustradas em relação a mim mesmo, e em outras pessoas transparecem num ato de completa infelicidade, por vezes marcadas com cicatrizes profundas que nem o tempo pode apagar.
Quando criança, achei que era o Super Homem, pulei de cima de uma laje, tinha uns 5 anos, até hoje carrego as marcas daquela loucura, mas me lembro como se fosse hoje, o desespero da minha mãe batendo na porta da vizinha, abraçada comigo com meu braço enrolado num pano e segurando o meu rosto com uma tolha ensanguentada, pedindo socorro.
Não sei porque me lembrei disso agora, mas com certeza marcou profundamente minha mãe, que sempre me acolheu, tenho certeza que ela não ficou magoada, mãe sempre esquece.
Mas existe a imagem adulterada por alguém que demonstra um sentimento desagradável e até um certo ressentimento, ao estranho pode gerar compaixão por saber desse relato de infância da minha vida, porém não quero ser vítima e nem que sintam piedade, só queria ser compreendido, ainda que seja sobre as lembranças que posso me lembrar.
Não sei se terei muito tempo para me lembrar das coisas em minhas memórias, talvez nem veja outro amanhecer, mas que fosse um novo e belo dia, por isso agradeço ao Verdadeiro Deus por me permitir existir e por preservar minhas memórias, mas logo o tempo irá levar tudo isso, afinal a vida passa, tanto quanto o tempo dos meus tempos, assim, até as mágoas de algumas pessoas deveriam passar.

®Jorge Bessa Simões

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"Não me lembro do tempo correr quando era criança." (Poema)

Minhas memórias de criança são cada vez mais diminutas, mas de qualquer forma ainda me recordo que os dias pareciam-me à distância do tempo, a inocência da infância e a tranquilidade com que vivi em alguns momentos foram tão boas que realmente só consegui ter essa percepção anos depois.
Na altura do tempo que me foge como a areia entre os dedos, a semana voa entre meus afazeres diários, tudo parece ser feito na correria contra o tempo, estou sempre tentando chegar a tudo aquilo que pretendo fazer, mas que não dá mais tempo como parecia-me no tempo em que eu era criança.
As vezes não sobra tempo nem para me achegar as pessoas a quem quero bem e fazer uma pergunta simples, mas tão importante, “Como estás?” ou expressar um sentimento, “Te amo!”.
Não me lembro do tempo correr quando era criança como vejo agora no passar dos meus anos, comparando os dois tempos, o de criança só durou uma fração do tempo, do meu tempo que agora se esvai como areia entre meus dedos.

®Jorge Bessa Simões

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