domingo, 12 de abril de 2026

*"Vou mudar" (Poesia)

Do circo da vida sou um palhaço,
Eu canto, danço, pulo, rio contente,
Faço minhas loucuras, e são tantas que faço,
Que me confundo numa alegria aparente.

Mas porque tanta alegria fingir?.
Porque não ser como pareço, alegre?.
Porque amarguras e tristezas curtir,
Se fingindo alegria, só tristeza se consegue?.

Por isso agora, da tristeza pretendo largar,
Quero ser alegre, mas alegre mesmo de verdade!.
Chega de ao mundo e a todos enganar!.

Mas como, se na verdade, o que sinto está potente?.
Como ser alegre, se não houver sinceridade,
Se só quero enganar que estou contente?!.

Assim, vou mudar...

®Jorge Bessa Simões

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*"Palhaço da vida" (Poesia)

Sou um palhaço no picadeiro da vida,
Do qual nós todos somos, marionetes da sorte,
Sofro no íntimo em aparência fingida,
Mostrando alegria, enganando a vida e a morte.

Parece impossível que possa a um ser humano,
Ter tal valor, ou que possam achar tal tino,
Mas a falsa alegria cobre sempre um desengano,
Da vida, que em esconder me desatino.

Nem sei dizer ou expressar o que sinto por dentro,
Não quero, jamais, que outros por mim penem,
Mas escrevo o que sinto conforme o pensamento,
Vai me tangendo, e se as tristezas me oprimem,
Abro um falso sorriso alegre para que não se lembrem,
Que as mágoas guardadas no fundo do meu peito, ainda vivem.

®Jorge Bessa Simões

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*"Quisera..." (Poesia)

Quisera ser dos mortais, o mais feliz,
Quisera ser mas, afinal não sou,
Quisera ser alegre, sim, sempre quis,
Quisera ser, mas, triste sempre estou,
Quisera ser compreendido, mas não sou,
Quisera ser bendito, mas quem me bendiz?.

Quisera ser bom pai e ver meus filhos mais feliz,
Quisera ser, mas, como um velho morrendo estou,
Quisera ser lembrado pelas coisas boas que fiz!.

Quisera ser...

®Jorge Bessa Simões

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sábado, 11 de abril de 2026

*"70 anos que podem se findar" (Crônica da Vida)

Já se passaram tantos anos na minha vida, aliás, 70 anos, porém alguns anos não passam, parece que ficaram lá parados no tempo pois não chegaram a solução de algumas situações mal resolvidas, e de vez em quando eles tentam se ajeitar, mas nada!.
Tem alguns desses anos que o melhor é ficar quieto, enquanto eles se estendem como sombras nos anos que passam, é como se eles olhassem para mim de lado, tipo me perguntando; "Você já entendeu alguma coisa?."
Já se passaram 70 anos desde que tive que escolher um caminho a ser seguido de uma forma muito dura, se foi a escolha certa ou errada? Não sei! Ainda tento entender em qual esquina da vida me perdi ou fui roubado desde a minha infância por alguns que não me permitiram viver meus sonhos.
Desde que saí da vida de algumas pessoas, poucas entenderam o verdadeiro motivo de tão dolorido que me foi tomar algumas decisões, porque no final não sei quem abandonou quem, tudo que sei é que, por medo e vergonha me afastei de quem mais amava na vida.
E nesses meus 70 anos ainda tento me livrar dessa versão desastrada, que tenta amar sem aos outros magoar, mas é difícil por causa da intransigência de uns poucos a minha volta, que por não tentar me compreender, me julgam de uma forma que desvalorizam todo meu esforço ao tentar fazer as coisas diferentes.
E assim os anos ficam colados à minha roupa, no ar, nas xícaras de café, onde deveria estar na boca para trazer paz e tranquilidade, mas que nada, parece que o vapor que sai do café insiste em desenhar a discórdia e a insensatez, não quero voltar aos sofrimentos passados, gostaria muito de viver o que resta dos meus anos de uma outra forma, tentando ser feliz, mas parece que não querem.
Também não quero viver este vazio tão educado, que bate à porta nos reencontros, só pra me lembrar, que não posso estar na vida daqueles que buscam se distanciar de mim por causa dos meus anos que avançam, por acharem que não mereço a chance de me redimir de alguns erros.
É estranho, sabe? Porque busco aprender a viver de forma diferente, desde que não fira minha consciência, mas parece que nem isso tem valia.
Já tentei e tento, como que aprender uma nova linguagem para acompanhar o que falam nos dias de hoje, com sotaques tortos, mas tudo que consigo é ter que ficar em silêncio que traduzem as coisas melhor do que palavras.
E mesmo usando essa nova língua, me obrigam a continuar me pronunciando sozinho, como se não tivesse vida própria ou minhas memórias, mesmo depois te terem se passado 70 anos da minha vida.
Talvez por isso continuo descobrindo muitas coisas dentro de mim que não conhecia, aprendo a observar os lugares onde estou com muito cuidado, e de forma diferente, já não presto mais atenção a corpos, agora procuro enxergar atitudes e ouvir as palavras ditas para entender mais os ecos, talvez seja esse o meu tempo que chegou nos meus 70 anos que logo podem se findar.
Talvez é chegado uma maneira elegante de deixar de insistir naquilo que já não querem mais solução, afinal, eu tentei! Então que eu comece a compreender que a distância nem sempre é sinal de abandono, às vezes é apenas o modo mais honesto de continuar sendo quem sou e pronto.
Os anos tem passado, sim. E ainda assim, nos altos dos meus 70 anos tem dias que fico surpreso, olho para trás, não para procurar respostas do que poderia ter sido e não foi, mas para verificar que o que já vivi existiu, que não sonhei com isso.
Que em algum momento, mesmo nesta minha história absurda, tentei ser verdadeiro, e isso, embora doa ou quem sabe mesmo que cure, ainda tenho o suficiente, porque se não acreditar nisso, logo os meus 70 anos podem se findar e eu não vivi até aqui em vão.
Quer me compreendam ou não, me aceitem ou não, penso que até mesmo ao me odiarem e não quererem a minha presença em suas vidas, no fundo ainda vão me amar, mesmo depois que os meus 70 anos se findar.

®Jorge Bessa Simões

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*"Estou me tornando um empecilho aos 70 anos?" (Crônica da Vida)

Ainda outro dia era só uma criança correndo pelo quintal que existia para se correr. Agora, parece que os ponteiros do relógio giram muito mais acelerados. Aceleram tanto que o tempo está passando rápido demais levando o que restou da minha infância.
E assim vai se escoando meu tempo neste mundo, transformando meus sorrisos em fotos arquivadas em um celular ou no notebook, são muitas fotos e poucas molduras, são tantas saudades, porém poucas certezas.
O futuro de que tanto ouvi falar chegou, o garotinho que eu era e que sonhava com uma moto para viver minha liberdade, agora é de um homem que vive enclausurado num corpo envelhecido, amordaçado nas minhas próprias palavras que já não fazem sentido para quem as ouve, e preso entre quatro paredes.
Na verdade, estou me tornando um empecilho para muitos a minha volta, meus sonhos ficaram pelos caminhos dos anos.
Meus diplomas dizem muito pouco sobre mim e minhas verdades, mas quem sou eu, afinal? Motociclista de terno e sapato? Atleta de videogame? Cantor de chuveiro? Ator de aplicativo? Ou um empecilho num canto da casa? Sei lá?!.
Porém não era isso o que respondia quando um adulto me perguntava; "o que queria ser quando crescer?" Será que sonhei alto demais ou me faltou forças para conseguir? Será que acreditei tanto nas pessoas que esqueci de acreditar mais em mim? Sei lá?!
Acho que acordei meio nostálgico, de repente, veio um turbilhão de lembranças da criança que fui e que não queria crescer, por falar em sonhos, devia ter fugido para a Terra do Nunca quando tive a chance, mas a culpa não foi minha, foi do Peter Pan, planejei tantas vezes, até deixei a janela do meu quarto aberta, esperando a sombra dele aparecer, mas ele nunca veio me buscar.
Sei lá, vai ver que Peter Pan envelheceu também e casou-se com a Wendy, tiveram filhos, e arrumou um emprego como entregador de moto e agora dividem um apartamento de dois quartos num subúrbio de Londres. Quem sabe? Pode ser.
O que sei é que ele não apareceu e eu fiquei por aqui mesmo, acabei crescendo e não aprendi a voar, creio que só me resta ser um pirata, quem sabe o capitão Gancho me aceite em seu navio. Mas acho que nem para isso vai dar tempo, tudo passou depressa demais, já estou passando dos 70 anos, meu tempo pode se findar a qualquer momento.
Muitos me dizem que já não posso mais correr riscos, não tenho mais idade para sonhar, e tenho que aceitar as verdades dos outros porque as minhas já estão ultrapassadas, e o meu tempo pode ser cortado num piscar de olhos.

®Jorge Bessa Simões

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*"70 anos e minha vida tem pressa" (Crônica da Vida)

Me lembrando dos meus 70 anos, descubro que tenho menos tempo para viver daqui pra frente, do que já vivi até agora.
Na verdade ultimamente tenho me sentido como aquele garotinho que recebeu um pacote de doces; "o primeiro doce comeu com prazer, mas quando percebeu que eram poucos, começou a experimentá-los mais profundamente."
Por isso, não tenho mais tempo para apoiar pessoas absurdas que apesar da idade cronológica ainda não cresceram, meu tempo é muito curto para ficar discutindo sobre privilégios na vida ou posições sociais.
Na verdade o que sempre quis e ainda quero, é manter a minha essência, minha vida tem passado depressa demais, percebo que já estou sem muitos doces no pacote, por isso quero viver ao lado de pessoas humanas, aliás, pessoas muito humanas.
Aquelas que sabem rir dos seus erros e que que não se incham com seus triunfos ou conquistas, e não se afastam das suas responsabilidades, quero viver ao lado de pessoas que defendem a dignidade humana e gostem de andar do lado da verdade e da honestidade, e que deixam como legado a essência do que faz a vida valer a pena.
Quero me cercar de pessoas que sabem tocar o coração das pessoas a sua volta, e que os golpes da vida nos ensinaram a crescer com toques suaves na nossa essência.
Sim, é por isso que estou com pressa..., pressa de viver com a mesma intensidade que só a maturidade pode me dar, é por isso que não pretendo desperdiçar nenhum dos doces que ainda me restam, tenho certeza de que eles serão mais deliciosos do que os que comi até agora.
Meu objetivo é chegar finalmente satisfeito ao fim do meu tempo e em paz com meus amores e com minha consciência, tenho duas vidas, e a segunda começou quando percebi que só tenho mais uma oportunidade na segunda parte da minha vida, e só tenho esse restinho do tempo para ser feliz, porque minha vida tem pressa.

®Jorge Bessa Simões

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*Ontem fez 70 anos que vim ao mundo" (Crônica da Vida)

Muitas vezes ouço pessoas me dizerem que vivo o passado, que lembrar do passado é algo desnecessário, e outras tantas coisas, mas enfim, para mim o passado é só um espelho dos meus acertos e erros, e de tudo o que vivi.
Mas quando olho através desse espelho, não é para ficar me lamuriando do que foi e que não poderia ter sido, e nem do que poderia ter sido e não foi.
O passado é o reflexo de quem sou agora, e dos momentos que estou vivendo, por isso não preciso repeti-lo para mostrar quem posso ser no futuro, tudo faz parte de um aprendizado, ainda que carregue algumas cicatrizes de certas escolhas ou das imposições que a vida me deu.
Porém não voltaria um único dia na minha vida, ainda que lembranças boas não me faltem, à minha infância, mesmo porque não sinto orgulho de mim, até por ter me deixado acontecer certas coisas.
Me lembro que me senti muito feliz no dia em que ganhei meu primeiro carrinho de brinquedo aos 6 anos de vida, mais tarde, me deram um velocípede que saí pedalando no primeiro minuto.
Também não voltaria à minha adolescência, mesmo me lembrando de quando fiz minhas primeiras viagens sozinho com umas amigas, e foi aí que aprendi um pouco mais sobre quem eu era, e sobre quem não era.
Não voltaria ao dia em que meus filhos nasceram, mesmo tendo a certeza absoluta de que foram os dias mais felizes da minha vida, e foi uma felicidade inédita.
Depois experimentei um amor que nem sonhava, e que poderia ter sido tão intenso, em especial quando ouvi dela as palavras que tocariam meu coração para sempre; "Papai".
Não voltaria ao dia de ontem, até porque ontem eu era mais jovem do que sou hoje, ontem eu era mais romântico do que hoje, ontem nem tinha pensado em escrever essas palavras, até porque ontem fez 70 anos que vim ao mundo.
Por isso não tenho saudades de mim com menos cabelos brancos, nem tenho saudades de mim mais sonhador.
Sendo assim, não voltaria no tempo, quer dizer ao passado, só para consertar meus erros, e não voltaria para a inocência que tinha, e que as vezes tenho ainda. Terei saudades da minha ingenuidade que nunca perdi?
Bem, tudo que posso dizer nesse momento é que não tenho saudades nem de um minuto atrás, até porque tudo o que já fui um dia, ainda prossegue em mim agora nos meus 70 anos.

®Jorge Bessa Simões

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*"Uma certeza..." (Poesia)

A vida é assim, como uma roda gigante, hora nos leva para cima ou para baixo!.
E às vezes, os que estão por cima, são os que estão mais por baixo!.

E por falar de roda e da vida, ou de coisas como em cima ou abaixo, falemos também da sorte,
Pois quando nos lembramos dela, temos a lembrança da lágrima vertida, já que não podemos deixar para longe a morte!.

Embora dela não esqueçamos, pois a gente, por mais que ria ou chore,
Sempre a teremos presente, afinal, ela sempre vem, seja agora ou tarde, porém para mim, espero que demore!.

®Jorge Bessa Simões

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*"Tempo, fumaça frágil do amor" (Poesia)

Tempo, fumaça frágil do amor que no tempo se esvai, deixando uma saudade sentida que não deixa a gente.
Esperança de um dia que no tempo muito longe vai, mas ficando no tempo e no coração uma dor pungente.

O tempo passa, vai-se, e com ele também passamos, porque o tempo, lentamente vai no nosso tempo levando.
E um dia, no tempo em que houve alguém, ele vai nos lembrando, que nossa vida, do tempo nos vai o tempo roubando.

Tempo, fumaça frágil do amor passa, e o que será de nós no tempo passando, e daqueles que no tempo, nos iam roubando o tempo?.
Quem sabe terminem no tempo, assim contemporizando!.

É possível que acabem, também no tempo lembrando, saudades que não tiveram tempo do nosso pensamento, se esvaírem no tempo do tempo que se foi escoando!...

®Jorge Bessa Simões

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*"Aparências" (Poema)

Quando algumas vezes alguém me ver cantando, julgará, é claro que estou contente!.
Mas se pudessem, no meu íntimo vasculhando, analisar o que sinto, descobririam de repente, que o contentamento todo que minha alma espalma, nada mais é que desabafos de uma mágoa imensa, que oprime meu coração e acorrenta minha alma, num choro íntimo por causa de uma dor muda e intensa!.
Por isso dar-se iam fé ao popular refrão, pois nem sempre somos o que ser aparentamos, ou nem sempre aparentamos o que julgamos ser, porque muitas vezes, cantamos, quando devíamos chorar pelas dores, infortúnios e desenganos, como podemos chorar outras vezes, se uma alegria tivermos.
Tudo para manter nossas aparências...

®Jorge Bessa Simões

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