
Meus filhos precisavam de atenção, e mesmo cansado quantas vezes passei noites em claros jogando vídeo game com eles.
Outras vezes pegava o carro e íamos passear em algum parque fazenda que tem na região onde moramos, para passear a cavalo, as vezes íamos num lago perto da cidade para um piquenique em família, pescar uns peixinhos para assar, e quando não, saímos de bikes pelas estradas empoeiradas que marcaram nossa chegada na cidade para matar as lembranças da infância deles.
Ainda assim, tenho que conviver com a culpa de que muitas vezes não fui um bom pai, mesmo com tudo isso, ouço dizerem que nunca fiz o suficiente para os meus filhos, por ter errado em certas escolhas, decisões ou atitudes em nossas vidas.
Porém o que muitos se esquecem é que como pai, tive que encarar o medo que surgia sempre que eu pensava no futuro deles, e assim tentar tomar certas decisões ou fazer certas escolhas na busca do melhor para todos, bem como buscar proteger todos que tanto amava e amo, e que fazem parte da minha família.
Como pai, tive que descobrir que, no meio de todos esses conflitos e duvidas, existia e ainda existe uma força que eu não sabia que tinha, uma força que nascia todos os dias, de três olhares que dependiam de mim, sem contar a mãe dos meus filhos, que sempre foi e é parte do meu suporte para enfrentar meus medos para conseguir chegar até aqui.
Agora, como pai, apesar dos pesares, quando os vejo todos encaminhados na vida, percebo nos seus sorrisos, quando eles resgatam os momentos da infância, a minha realização, assim sinto que em cada abraço que recebo, tem um carinho e amor que sempre se renova, ainda que digam que não fui um bom pai.
Como pai também compreendo que paternidade é tudo isso que a vida me ensinou; "vulnerabilidade e potência, fraqueza e coragem, alegria e tristeza, dor e amor".
E mesmo com todas essas marcas que ser pai me deixou, existe algo que sempre grita mais alto dentro de mim: Sim, não importa o que possa ter acontecido ou o que vier acontecer, eu sou pai dos meus filhos, quer queiram, quer não!
®Jorge Bessa Simões
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