quinta-feira, 13 de agosto de 2026

"Pai de papel" (Crônica da Vida)

Um pai certa vez, havia vivido um dos momentos mais inesquecíveis da sua vida, em especial ao dar o primeiro abraço emocionado por saber que tinha mais alguém que faria parte da sua vida, fora uma sensação da qual ele jamais se esquecerá.
Havia sido um momento retratado com um amor puro e sagrado, fora o encontro de dois seres ligados pelo mesmo sangue, e que tinham ficado separados por anos de incertezas e dúvidas.
Em suas lembranças aquele pai iria preservar a imagem de um sorriso, do qual sem saber havia sempre amado, e que daquele momento para frente, seria a realização de sonho, afinal, ele se tornara pai de alguém que esteve diante dele o tempo todo, mas que só agora, poderia chamá-la de filha.
A partir daquele instante o som em seu peito, aumentou ao abraçar aquela menina mulher pela primeira vez, e ao tocar seus cabelos, aquele pai sentiu um perfume do qual jamais se esquecerá, pois lhe impregnou a alma, porém....
Como sempre lhe acontecia na vida, o sonho daquele pai se acaba em frações de segundos, de repente, tudo se transformaria num grande pesadelo.
Pois em meio as distâncias dos seus caminhos, aquele pai e filha mal iriam se ver, tudo que ele conseguia fazer para matar a saudade daquele menina mulher, era vê-la em algumas fotografias publicadas em uma rede social.
E como sempre a vida de forma cruel com aquele homem, agora usava a sua filha para o entristece, já que por ela não ter compreendido a história que os unia, passou a rejeita-lo como se ele não fosse seu pai.
Ela se esquecera que ambos tiveram seus direitos negados por não terem se amado desde seu nascimento, mas o amor daquele pai podia transcender em seu coração todo aquele tempo perdido.
Entretanto, entristecido pela crueldade que a vida lhe impunha mais uma vez, aquele pai percebeu que só lhe restaria ver as fotografias da sua filha em uma tela fria do computador.
E ao mesmo tempo tentar compreender o pesadelo em que havia se transformado seu sonho, já que sua filha sonhada transformou aquele homem em um pai de papel, se esquecendo que tudo poderia ser valido para a eternidade.

®Jorge Bessa Simões

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

"Devaneio paternal" (Crônica da Vida)

Certa vez, um pai se viu em dias de muitas tristezas, por mais que quisesse se arrepender de certas escolhas que lhe foram impostas na vida.
Esse pai gostaria de viver seu sonho sonhado de um amor paternal reprimido por anos, já que haviam lhe negado esse direito, embora já tivesse vivido muitas histórias na vida, essa era muito especial, e ele gostaria de vivê-la depois que descobriu que tinha uma filha.
Mas quando lhe foi revelado o que poderia ser a realização de um sonho, tristemente se transformou em um pesadelo, o que tinha sido alegria e felicidade após a revelação daquele pedaço da sua vida, se tornou uma grande decepção, foi como se seus sentimentos não existissem ou não tivessem valor.
Até então aquele pai não tinha se arrependido de nada, pois se tivesse se arrependido de alguma coisa, não teria valido a pena viver ou lutar por tudo que ele sonhara.
Porém parte da história dele que era para ser a realização de um lindo sonho, por causa de um mal entendido de momento, acabou se transformando no seu pior pesadelo, e sem perceber lhe ensinaram a se arrepender.
Porque naqueles dias, aquele pai se sentiu como um tolo por ter tido aquele devaneio paternal, e pela primeira vez na vida aquele homem veio à se arrepender, já que por causa de muitas incompreensões, ele fora rejeitado como pai por sua própria filha.
Seu coração foi esmagado pelo arrependimento, não por saber que tinha uma filha, mas por ter sonhado um sonho que agora lhe era negado, e que no final, se transformou no seu maior pesadelo.

®Jorge Bessa Simões

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"Pai de menina" (Crônica da Vida)

Um dia, sem saber que era pai de uma menina, o que vim descobrir anos depois, estava num trem do metro, quando sentou-se próximo a mim um casal que acredito estavam voltando de uma consulta de pré-natal, e começaram uma conversa que me fez pensar, e se fosse eu?
Bem o dialogo entre eles começou mais ou menos assim; a mulher grávida pergunta ao homem: “Meu bem, o que você está esperando, que venha um menino ou uma menina?”
O homem respondeu: “Se for um menino, vou ensinar muitas lições para ele, vamos malhar juntos, jogar futebol, andar de bike, e vou ensiná-lo a pescar e nadar, etc.”
A mulher, rindo, pergunta: “Tá bom, mas e se for uma menina?”
O homem sorriu e disse: “Se for uma menina, não vou ter que lhe ensinar nada. Será ela que vai me ensinar tudo: a como me vestir, como comer, o que dizer e o que não dizer. Em breve ela se tornará uma segunda mãe para mim e, mesmo sem eu fazer nada de especial, ela vai me considerar seu herói. Ela vai entender quando eu disser não! Vai comparar seu futuro marido comigo. E não importa quantos anos ela tenha, sempre vai querer que eu a trate como minha princesinha. Vai lutar por mim contra o mundo, e se alguém me machucar, ela nunca irá perdoá-lo."
A mulher, um pouco intrigada, pergunta: “Quer dizer que sua filha faria tudo isso, mas seu filho não?”
O homem diz: "Não, não! Meu filho também poderá me fazer isso, mas antes ele terá que aprender com o passar do tempo. Por outro lado, as meninas já nascem com essas qualidades inatas. Ser pai de uma menina deveria ser um verdadeiro orgulho para cada homem."
Então a mulher diz: “Mas meu bem, ela não vai ficar com a gente para sempre."
O homem, com carinho, responde: “É verdade, mas nós estaremos sempre com ela, no coração ou onde quer que ela vá. Porque as meninas são como anjos..., elas nascem com um amor incondicional, e o carinho delas é para todo o sempre."
Assim que terminaram essa conversa, veio o anúncio da próxima estação, o casal se levantou e desembarcaram do trem, e eu fiquei pensando no que acabará de ouvir.
Foi então que fiquei imaginando; "Será que é verdade que todo homem que é pai de uma filha, se sente muito abençoado? Se eu também fosse gostaria muito de ter essas bênçãos."
Foi ai que um dia descobri que sou pai de uma filha, então me lembrei daquela conversa no trem do metro, e agora me pergunto; "Será que aquilo que um dia ouvi, realmente for verdade, então por ser pai de uma filha, também serei abençoado? Quem sabe...

®Jorge Bessa Simões

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terça-feira, 11 de agosto de 2026

"Meu mundo deixou de ser assustador" (Crônica da Vida)

Ninguém nunca me avisou, que para se ter coragem raramente ela chega como se fosse como fogos de artifícios.
A coragem, as vezes aparece num gesto tão pequeno que quase passa despercebido, até que nos muda por dentro.
Lembro-me de um dia em que estava sentado no sofá, olhando para um ponto qualquer da sala, pensando nas muitas conversas difíceis que já tive na vida e o medo que tinha de falar.
Não era nada épico, porém me trouxe lembranças nada cinematográficas de um tempo em que várias vezes abafei a minha voz, isso me fez respirar fundo, e foi num desses instantes da vida que tive de decidir se avançava nas palavras ou se as voltava para o meu pensamento como sempre tentava fazer para evitar entrar em uma discussão.
Mas foi ai que percebi: a coragem não é o momento em que falo, é um segundo antes, é quando decidi não fugir da conversa.
Então entrei naquele dialogo, a voz tremia, o coração batia rápido demais, porém, naquele instante, disse tudo o que precisava de ser dito, não para ter razão ou ganhar a discussão, também não era para convencer, mas era para deixar de carregar aquilo sozinho.
Foi assim que descobri algo que ninguém tinha me explicado, a coragem que tive de falar revelou o que me doía, o que me importava, e revelou quem eu sou quando deixo de ser a versão que agrada e passo a ser a versão que enfrenta.
Ou seja, a coragem de falar quando preciso, não é sobre ter força, é sobre dizer a verdade, é sobre assumir que tenho medo, mas preciso avançar mesmo assim, é sobre não me esconder atrás de desculpas que já não me servem de mais nada, por fim, é sobre escolher o desconforto que me liberta em vez do conforto que me aprisiona.
Compreendi que o mais humano da coragem é isto, ela não me transforma num herói, mas me transforma em alguém honesto, e quando sou honesto comigo, o mundo deixa de ser tão assustador.

®Jorge Bessa Simões

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"Meus filhos vão se lembrar de quem eu fui?" (Crônica da Vida)

Houve uma época em que passei a vida correndo atrás de dinheiro, status, carros, casas, e uma conta bancária cada vez mais cheia.
É claro que não teria problema nenhum em se conquistar tudo isso, o problema começou quando essas coisas passaram a ocupar o lugar das pessoas que eu mais amava.
Até que um dia aprendi isso de um modo muito cruel, e foi depois que perdi muitas dessas coisas que tinha conquistado, porque no fim, ninguém se emociona lembrando das coisas que se tinha anos atrás, não se lembram das roupas que estavam na moda, e que eu tanto gostava de usar, nem dos carros que um dia dirigi.
Foi então que compreendi que o que permaneceu vivo em mim, foram os abraços, as risadas no sofá da sala, os desenhos dos meus filhos colados na geladeira, as bagunças que deixavam a nossa casa barulhenta e o coração cheio de alegria.
E com os anos passando, entre acertos e erros, passei a compreender que meus filhos não são apenas parte da minha história, eles são a continuação dela.
Eles são a lembrança de que o maior legado que posso deixar, não cabe numa conta bancária ou em qualquer bem material, mas cabe sim, no caráter que os ajudei a formar, no amor que ofereci, mesmo tendo sido duro em algumas atitudes ou palavras, e certo ou errado, creio que muitas boas memórias os ajudei a construir.
O mundo me ensinou que sucesso é acumular patrimônio, mas a vida me ensinou que sucesso é saber valorizar um abraço apertado, é estar ao lado dia a dia, senão presencialmente, que seja na memória, é ouvir um “eu te amo” sincero de quem aprendeu a amar porque pode ter sido amado primeiro.
Já que vai chegar o dia, onde tudo que comprei ficará para outra pessoa, a casa que tive terá outros moradores, meu carro terá outro dono, e até minhas roupas serão esquecidas no fundo de alguma gaveta ou nos cabides de algum brechó.
Mas meus filhos, eles carregarão para sempre um pedaço de mim, no jeito de sorrir, nas palavras que repetem sem que percebam, nos valores que aprenderam dentro de casa, e com certeza, até na forma como eles tratarão seus próprios filhos. Essa é a única riqueza que atravessa gerações.
Então mesmo que meus filhos trabalhem, conquistem, realizem seus sonhos, espero que nunca permitam que a busca pelas coisas materiais os faça perder aquilo que realmente importa, afinal, eles tem meus erros e acertos como parâmetros para suas vidas, e é verdade que cometerão erros, mas que não repitam os meus.
Porque, no fim das contas, o mundo pode até se lembrar do que construí, mas meus filhos vão se lembrar de quem eu fui.

®Jorge Bessa Simões

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

"Choro por aqueles que se distanciam" (Poema)

Caminhar acompanhado para mim, que muitas vezes estive sozinho, é uma bênção que reconheço e honro diariamente, já que a solidão que escolhi, me cobrou um preço muito alto na vida.
Depois, tenho aprendido que não posso dar espaço para a solidão quando me dou conta da lealdade e do afeto daqueles que continuam a estender a mão e a dividir o peso da minha jornada.
É por isso que por eles, ofereço meu sorriso, ainda que triste algumas vezes, e minha presença inteira.
No entanto, na quietude dos meus pensamentos, é a sombra da saudade que acaba por me vencer, pois não choro pelos que estão ao meu lado, mas choro por aqueles que se distanciam, deixando no caminho um silêncio que memória nenhuma consegue preencher.

®Jorge Bessa Simões

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"Um segundo eternizado" (Poema)

Há anos tem um espaço em branco na sala de estar na minha casa, não se trata de uma parede vazia, uma mesinha ou uma estante, na verdade é o vazio de uma promessa feita para mim mesmo e que ainda não consegui cumprir.
Quando me sento no sofá, fico imaginando com nitidez o que só os desejos mais profundos possuem, o dia em que vou conseguir preencher esse espaço vazio, se ainda der tempo é claro, afinal, o meu tempo está se esvaindo a cada dia, mas enfim....
Na minha mente, tenho a cena gravada nos mínimos detalhes, e a minha imaginação não exige algo tão difícil de ser realizado, porque o que desejo e fazer uma fotografia que há anos sonho mais do que qualquer outra coisa.
É um único registro em que os meus quatro filhos estivessem juntos, ombro a ombro, compartilhando o mesmo enquadramento e o mesmo sorriso, e que eu estivesse entre eles, para que esse instante ficasse eternizado para sempre, não só para preencher o espaço em branco na minha sala de estar, mas que ficasse fixado nas memórias de todos nós.
Seria o ápice de um desejo simples: alinhar meus quatro filhos ao meu redor, posicionar a câmera e ouvir o clique final.
Porque o meu tempo não negocia mais, meus dias avançam sem pedir licença. Por isso, essa imagem se tornou a minha grande meta implícita, não por vaidade minha, mas pela necessidade de eternizar a minha maior criação.
Essa fotografia seria a minha assinatura no mundo, a prova concreta de que, apesar das diferenças e das distâncias entre nós, essa união é possível, já que é inevitável o passar dos meus anos e logo não estarei mais aqui para vê-los juntos, mas que o amor que cultivei por cada um deles, os faça permanecer unidos.
Antes que eu possa partir, isso é tudo o que tenho pedido, na certeza de que esse único segundo seja eternizado.

®Jorge Bessa Simões

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domingo, 9 de agosto de 2026

"Pai um presente da vida, mesmo na memória" (Crônica da Vida)

A parte mais difícil na vida é reconhecer que a falta de alguém, em especial do pai, é maior que as falhas, porém pode ser um gesto de maturidade e demonstra um amor real.
Alguns se esquecem que pai é um ser humano cheios de limites e imperfeições, mas o espaço que ele deixa na história de um filho é insubstituível.
A saudade que tenho do meu pai é uma daquelas dores silenciosas que ninguém me ensinou a lidar. Depois que cresci e com o avançar dos anos, começo a perceber, em especial quando me dizem que não fui o pai que gostariam, que o meu pai não era apenas o homem que me corrigia, que às vezes tenha sido duro, mas foi alguém que, de alguma forma, desejava que eu fosse mais do que ele foi.
E é com essa figura paterna na minha memória, que carrego um desejo secreto de ver os meus filhos alcançarem, e que eu não consegui, sei que posso ter errado em alguns momentos na vida, mas ao mesmo tempo, como pai, sempre me doei sem esperar nada em troca, e esse é um amor que muitas vezes só compreendemos depois que amadurecemos.
E o tempo passa rápido, e com ele, as lembranças se tornam cada vez mais valiosas.
Como filho, descobri que os conselhos do meu pai, que antes pareciam repetitivos eram, na verdade, sementes de sabedoria sendo plantadas.
Outras vezes, o silêncio do meu pai carregava mais significado do que eu imaginava, as atitudes dele, certas ou erradas, ou por mais duras que possam ter sido, eram formas dele me dizer “eu me importo com você meu filho”, mas sem precisar de palavras.
Então aconteceu a ausência dele, foi nesse momento que eu compreendi que a presença do meu pai se tornará eterna, porque o que ele deixou em mim, não morre.
E nesse "Dia dos Pais", ao sentir saudades do meu pai, essa é uma forma de reconhecer que ele é insubstituível, mesmo com suas falhas, seus defeitos, seus erros e acertos.
E só agora compreendo que sua maior herança não estava em bens, mas em valores, em princípios e em sonhos transferidos.
Assim, tenho que aceitar que mesmo sem ele aqui, há uma parte dele que vive em cada escolha que eu fiz, e que ainda faço, mesmo errando em alguns momentos na busca do meu melhor acerto.
Nesse momento penso no futuro, e percebo que quem quiser honrar essa história, tem que ser alguém que como pai me faça ter orgulho de ver.
Penso que posso transformar essa saudade do meu pai em uma força para seguir em frente, e deixar um legado que os meus filhos possam se beneficiar, ainda que sem querer, eu possa ter passado a impressão de que não fui o pai que eles gostariam.
Desta forma compreendo que ser pai, não é só sangue, ser pai é dia a dia, não só na presença, mas também na memória.

®Jorge Bessa Simões

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sábado, 8 de agosto de 2026

"Três tempos" (Poema)

Três tempos guardados numa mesma raiz,
O tronco (pai), o galho (filho), e a folha (neto) que agora cresce,
O avô com as marcas de tudo o que fiz,
Vive com as lembranças que o tempo tece.

Olha para o filho, sua imagem madura,
E vê o homem que outras vezes ele ninou,
Que herdou seu andar, sua força segura,
E os mesmos traços que a vida moldou.

O filho agora com os olhos de pai,
Vê seu próprio menino a correr no quintal,
E o neto que ri, que tropeça e cai,
Buscando num abraço do avô, também o do pai, afinal.

Três gerações sob o mesmo tempo,
O ontem, o hoje, e o amanhã a brotar,
E no laço sagrado de pai, filho e neto,
O amor sempre será o sangue que vive a pulsar.

®Jorge Bessa Simões

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

"Dia dos Pais" para esse pai" (Crônica da Vida)

Às vezes quando se olha para um pai, nesse dia em especial, se enxerga apenas os seus sorrisos, mas não se lembram dos seus sacrifícios, só veem a superfície da sua vida.
Porém se esquecem que, por trás do olhar desse pai, existe uma história feita de batalhas silenciosas, escolhas difíceis e abdicações que ninguém mais testemunhou.
A verdade que poucos sabem, é que esse pai pode estar tentando curar feridas da quais ele não fala, muitas vezes buscando superar medos que não demonstra ou carregando um peso que ele não divide com ninguém.
Se hoje, nesse "Dia dos Pais", pudessem ver o íntimo desse pai, talvez pudessem ver o quanto ele sente o cansaço das muitas escolhas difíceis que fez na vida, e que ninguém se lembra, de que cada renúncia que esse pai teve de fazer, foi em prol de um bem maior, que é e foi a sua família, e em especial, a seus filhos a quem ele ama muito, e essa foi uma prova da sua força.
Somente o pai compreende que seus sacrifícios não foram em vão, e mesmo que ninguém o aplauda, ele moldou caracteres, refinou almas, e tentou mostrar a imensidão do seu coração, talvez seja por isso que continuo firme na minha jornada.
Muitas vezes esse pai, buscou e busca ser gentil com todos, até com outros a sua volta, e embora algumas vezes minhas palavras possam ser ásperas ou minhas atitudes possam demonstrar ao contrário, o que alguns se esquecem, e que esse pai carrega um universo de lutas secretas.
Mas o que é invisível aos olhos do mundo, é perfeitamente visto e honrado por aqueles que souberem compreender o que há de mais sagrado em ser ou quando forem pai.
É por isso que ainda aguento firme, mesmo sabendo que o meu tempo logo irá terminar, que as lições que eu deixei, boas ou ruins, possam servir aos meus filhos, afinal, eles serão pai também!

®Jorge Bessa Simões

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