terça-feira, 11 de agosto de 2026

"Meu mundo deixou de ser assustador" (Crônica da Vida)

Ninguém nunca me avisou, que para se ter coragem raramente ela chega como se fosse como fogos de artifícios.
A coragem, as vezes aparece num gesto tão pequeno que quase passa despercebido, até que nos muda por dentro.
Lembro-me de um dia em que estava sentado no sofá, olhando para um ponto qualquer da sala, pensando nas muitas conversas difíceis que já tive na vida e o medo que tinha de falar.
Não era nada épico, porém me trouxe lembranças nada cinematográficas de um tempo em que várias vezes abafei a minha voz, isso me fez respirar fundo, e foi num desses instantes da vida que tive de decidir se avançava nas palavras ou se as voltava para o meu pensamento como sempre tentava fazer para evitar entrar em uma discussão.
Mas foi ai que percebi: a coragem não é o momento em que falo, é um segundo antes, é quando decidi não fugir da conversa.
Então entrei naquele dialogo, a voz tremia, o coração batia rápido demais, porém, naquele instante, disse tudo o que precisava de ser dito, não para ter razão ou ganhar a discussão, também não era para convencer, mas era para deixar de carregar aquilo sozinho.
Foi assim que descobri algo que ninguém tinha me explicado, a coragem que tive de falar revelou o que me doía, o que me importava, e revelou quem eu sou quando deixo de ser a versão que agrada e passo a ser a versão que enfrenta.
Ou seja, a coragem de falar quando preciso, não é sobre ter força, é sobre dizer a verdade, é sobre assumir que tenho medo, mas preciso avançar mesmo assim, é sobre não me esconder atrás de desculpas que já não me servem de mais nada, por fim, é sobre escolher o desconforto que me liberta em vez do conforto que me aprisiona.
Compreendi que o mais humano da coragem é isto, ela não me transforma num herói, mas me transforma em alguém honesto, e quando sou honesto comigo, o mundo deixa de ser tão assustador.

®Jorge Bessa Simões

®Velhas Memórias Poéticas. Copyright © 2013-2026
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*Imagem Gerada por IA Baseada em Arquivo Pessoal
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"Meus filhos vão se lembrar de quem eu fui?" (Crônica da Vida)

Houve uma época em que passei a vida correndo atrás de dinheiro, status, carros, casas, e uma conta bancária cada vez mais cheia.
É claro que não teria problema nenhum em se conquistar tudo isso, o problema começou quando essas coisas passaram a ocupar o lugar das pessoas que eu mais amava.
Até que um dia aprendi isso de um modo muito cruel, e foi depois que perdi muitas dessas coisas que tinha conquistado, porque no fim, ninguém se emociona lembrando das coisas que se tinha anos atrás, não se lembram das roupas que estavam na moda, e que eu tanto gostava de usar, nem dos carros que um dia dirigi.
Foi então que compreendi que o que permaneceu vivo em mim, foram os abraços, as risadas no sofá da sala, os desenhos dos meus filhos colados na geladeira, as bagunças que deixavam a nossa casa barulhenta e o coração cheio de alegria.
E com os anos passando, entre acertos e erros, passei a compreender que meus filhos não são apenas parte da minha história, eles são a continuação dela.
Eles são a lembrança de que o maior legado que posso deixar, não cabe numa conta bancária ou em qualquer bem material, mas cabe sim, no caráter que os ajudei a formar, no amor que ofereci, mesmo tendo sido duro em algumas atitudes ou palavras, e certo ou errado, creio que muitas boas memórias os ajudei a construir.
O mundo me ensinou que sucesso é acumular patrimônio, mas a vida me ensinou que sucesso é saber valorizar um abraço apertado, é estar ao lado dia a dia, senão presencialmente, que seja na memória, é ouvir um “eu te amo” sincero de quem aprendeu a amar porque pode ter sido amado primeiro.
Já que vai chegar o dia, onde tudo que comprei ficará para outra pessoa, a casa que tive terá outros moradores, meu carro terá outro dono, e até minhas roupas serão esquecidas no fundo de alguma gaveta ou nos cabides de algum brechó.
Mas meus filhos, eles carregarão para sempre um pedaço de mim, no jeito de sorrir, nas palavras que repetem sem que percebam, nos valores que aprenderam dentro de casa, e com certeza, até na forma como eles tratarão seus próprios filhos. Essa é a única riqueza que atravessa gerações.
Então mesmo que meus filhos trabalhem, conquistem, realizem seus sonhos, espero que nunca permitam que a busca pelas coisas materiais os faça perder aquilo que realmente importa, afinal, eles tem meus erros e acertos como parâmetros para suas vidas, e é verdade que cometerão erros, mas que não repitam os meus.
Porque, no fim das contas, o mundo pode até se lembrar do que construí, mas meus filhos vão se lembrar de quem eu fui.

®Jorge Bessa Simões

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

"Choro por aqueles que se distanciam" (Poema)

Caminhar acompanhado para mim, que muitas vezes estive sozinho, é uma bênção que reconheço e honro diariamente, já que a solidão que escolhi, me cobrou um preço muito alto na vida.
Depois, tenho aprendido que não posso dar espaço para a solidão quando me dou conta da lealdade e do afeto daqueles que continuam a estender a mão e a dividir o peso da minha jornada.
É por isso que por eles, ofereço meu sorriso, ainda que triste algumas vezes, e minha presença inteira.
No entanto, na quietude dos meus pensamentos, é a sombra da saudade que acaba por me vencer, pois não choro pelos que estão ao meu lado, mas choro por aqueles que se distanciam, deixando no caminho um silêncio que memória nenhuma consegue preencher.

®Jorge Bessa Simões

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"Um segundo eternizado" (Poema)

Há anos tem um espaço em branco na sala de estar na minha casa, não se trata de uma parede vazia, uma mesinha ou uma estante, na verdade é o vazio de uma promessa feita para mim mesmo e que ainda não consegui cumprir.
Quando me sento no sofá, fico imaginando com nitidez o que só os desejos mais profundos possuem, o dia em que vou conseguir preencher esse espaço vazio, se ainda der tempo é claro, afinal, o meu tempo está se esvaindo a cada dia, mas enfim....
Na minha mente, tenho a cena gravada nos mínimos detalhes, e a minha imaginação não exige algo tão difícil de ser realizado, porque o que desejo e fazer uma fotografia que há anos sonho mais do que qualquer outra coisa.
É um único registro em que os meus quatro filhos estivessem juntos, ombro a ombro, compartilhando o mesmo enquadramento e o mesmo sorriso, e que eu estivesse entre eles, para que esse instante ficasse eternizado para sempre, não só para preencher o espaço em branco na minha sala de estar, mas que ficasse fixado nas memórias de todos nós.
Seria o ápice de um desejo simples: alinhar meus quatro filhos ao meu redor, posicionar a câmera e ouvir o clique final.
Porque o meu tempo não negocia mais, meus dias avançam sem pedir licença. Por isso, essa imagem se tornou a minha grande meta implícita, não por vaidade minha, mas pela necessidade de eternizar a minha maior criação.
Essa fotografia seria a minha assinatura no mundo, a prova concreta de que, apesar das diferenças e das distâncias entre nós, essa união é possível, já que é inevitável o passar dos meus anos e logo não estarei mais aqui para vê-los juntos, mas que o amor que cultivei por cada um deles, os faça permanecer unidos.
Antes que eu possa partir, isso é tudo o que tenho pedido, na certeza de que esse único segundo seja eternizado.

®Jorge Bessa Simões

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domingo, 9 de agosto de 2026

"Pai um presente da vida, mesmo na memória" (Crônica da Vida)

A parte mais difícil na vida é reconhecer que a falta de alguém, em especial do pai, é maior que as falhas, porém pode ser um gesto de maturidade e demonstra um amor real.
Alguns se esquecem que pai é um ser humano cheios de limites e imperfeições, mas o espaço que ele deixa na história de um filho é insubstituível.
A saudade que tenho do meu pai é uma daquelas dores silenciosas que ninguém me ensinou a lidar. Depois que cresci e com o avançar dos anos, começo a perceber, em especial quando me dizem que não fui o pai que gostariam, que o meu pai não era apenas o homem que me corrigia, que às vezes tenha sido duro, mas foi alguém que, de alguma forma, desejava que eu fosse mais do que ele foi.
E é com essa figura paterna na minha memória, que carrego um desejo secreto de ver os meus filhos alcançarem, e que eu não consegui, sei que posso ter errado em alguns momentos na vida, mas ao mesmo tempo, como pai, sempre me doei sem esperar nada em troca, e esse é um amor que muitas vezes só compreendemos depois que amadurecemos.
E o tempo passa rápido, e com ele, as lembranças se tornam cada vez mais valiosas.
Como filho, descobri que os conselhos do meu pai, que antes pareciam repetitivos eram, na verdade, sementes de sabedoria sendo plantadas.
Outras vezes, o silêncio do meu pai carregava mais significado do que eu imaginava, as atitudes dele, certas ou erradas, ou por mais duras que possam ter sido, eram formas dele me dizer “eu me importo com você meu filho”, mas sem precisar de palavras.
Então aconteceu a ausência dele, foi nesse momento que eu compreendi que a presença do meu pai se tornará eterna, porque o que ele deixou em mim, não morre.
E nesse "Dia dos Pais", ao sentir saudades do meu pai, essa é uma forma de reconhecer que ele é insubstituível, mesmo com suas falhas, seus defeitos, seus erros e acertos.
E só agora compreendo que sua maior herança não estava em bens, mas em valores, em princípios e em sonhos transferidos.
Assim, tenho que aceitar que mesmo sem ele aqui, há uma parte dele que vive em cada escolha que eu fiz, e que ainda faço, mesmo errando em alguns momentos na busca do meu melhor acerto.
Nesse momento penso no futuro, e percebo que quem quiser honrar essa história, tem que ser alguém que como pai me faça ter orgulho de ver.
Penso que posso transformar essa saudade do meu pai em uma força para seguir em frente, e deixar um legado que os meus filhos possam se beneficiar, ainda que sem querer, eu possa ter passado a impressão de que não fui o pai que eles gostariam.
Desta forma compreendo que ser pai, não é só sangue, ser pai é dia a dia, não só na presença, mas também na memória.

®Jorge Bessa Simões

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sábado, 8 de agosto de 2026

"Três tempos" (Poema)

Três tempos guardados numa mesma raiz,
O tronco (pai), o galho (filho), e a folha (neto) que agora cresce,
O avô com as marcas de tudo o que fiz,
Vive com as lembranças que o tempo tece.

Olha para o filho, sua imagem madura,
E vê o homem que outras vezes ele ninou,
Que herdou seu andar, sua força segura,
E os mesmos traços que a vida moldou.

O filho agora com os olhos de pai,
Vê seu próprio menino a correr no quintal,
E o neto que ri, que tropeça e cai,
Buscando num abraço do avô, também o do pai, afinal.

Três gerações sob o mesmo tempo,
O ontem, o hoje, e o amanhã a brotar,
E no laço sagrado de pai, filho e neto,
O amor sempre será o sangue que vive a pulsar.

®Jorge Bessa Simões

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

"Dia dos Pais" para esse pai" (Crônica da Vida)

Às vezes quando se olha para um pai, nesse dia em especial, se enxerga apenas os seus sorrisos, mas não se lembram dos seus sacrifícios, só veem a superfície da sua vida.
Porém se esquecem que, por trás do olhar desse pai, existe uma história feita de batalhas silenciosas, escolhas difíceis e abdicações que ninguém mais testemunhou.
A verdade que poucos sabem, é que esse pai pode estar tentando curar feridas da quais ele não fala, muitas vezes buscando superar medos que não demonstra ou carregando um peso que ele não divide com ninguém.
Se hoje, nesse "Dia dos Pais", pudessem ver o íntimo desse pai, talvez pudessem ver o quanto ele sente o cansaço das muitas escolhas difíceis que fez na vida, e que ninguém se lembra, de que cada renúncia que esse pai teve de fazer, foi em prol de um bem maior, que é e foi a sua família, e em especial, a seus filhos a quem ele ama muito, e essa foi uma prova da sua força.
Somente o pai compreende que seus sacrifícios não foram em vão, e mesmo que ninguém o aplauda, ele moldou caracteres, refinou almas, e tentou mostrar a imensidão do seu coração, talvez seja por isso que continuo firme na minha jornada.
Muitas vezes esse pai, buscou e busca ser gentil com todos, até com outros a sua volta, e embora algumas vezes minhas palavras possam ser ásperas ou minhas atitudes possam demonstrar ao contrário, o que alguns se esquecem, e que esse pai carrega um universo de lutas secretas.
Mas o que é invisível aos olhos do mundo, é perfeitamente visto e honrado por aqueles que souberem compreender o que há de mais sagrado em ser ou quando forem pai.
É por isso que ainda aguento firme, mesmo sabendo que o meu tempo logo irá terminar, que as lições que eu deixei, boas ou ruins, possam servir aos meus filhos, afinal, eles serão pai também!

®Jorge Bessa Simões

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"Saudades de um lugar desconhecido" (Crônica da Vida)

"Estou aqui, mas tenho a sensação de que não pertenço a esse lugar..." Quantas vezes já tive essa sensação desde que me conheço por pessoa, é uma misto de sensação, aliás, porque no coração sinto saudades de um lugar desconhecido, a ponto de imaginar que é a minha realidade que seja apenas um sonho..., sei lá!?.
Tudo que sei é que quando olho ao meu redor, tudo parece tão irreal, na minha mente começo a criar a ilusão de que à qualquer instante voltarei para o meu verdadeiro lar.
"Já me disseram que isso talvez seja sonhos do tempo em que vivia no ventre da minha mãe, e que durante minha gestação, ouvia as histórias que ela me contava enquanto eu não nascia." Pode ser?!.
Porém sei que vivo nesse tempo, nesse mundo louco, com um aperto no peito, mas com uma vontade louca de retornar nem sei pra onde ou com quem iria me reencontrar.
Confesso que seria uma tentação descobrir tudo isso, chega a ser uma ideia provocante e sedutora, porém tenho que me apegar a razão para que minha mente não me torne uma pessoa insana.
Mas ao mesmo tempo, sinto saudades de coisas que não me lembro ter vivido, de uma pessoa de quem desconheço seu rosto, e assim muitas vezes sou surpreendido com meu coração suspirando por algo, alguém ou lugares que nem imagino como sejam.
Quando chega a noite e vou me deitar, na tentativa de adormecer, sinto que meu corpo passeia por lugares imaginados, visitando alguém, e juntos nesse instante, recordamos o que já vivemos, mas quando retorno as minhas memórias reais, meus pensamentos são encobertos pelo véu do esquecimento e minhas lembranças se apagam, restando apenas essa sensação de vazio.
Chega ser algo cruel, pois sinto que vivo uma realidade onde meu corpo está aqui, mas o meu ser continua na busca do seu antigo lar, é como se não aceitasse o que me foi concedido como um caminho a seguir.
Parece que meu eu está sempre se rebelando, procurando um jeito de um dia poder retornar a algum lugar, ou a alguém que o passado ocultou com o tempo, mas que nem mesmo esse meu caminho ou separação que a vida nos impôs, fez com que o desejo desse reencontro acabassem.
Será que estou vivendo a insanidade senil da minha idade que avança? Talvez! Porém como posso estar insano, se compreendo a minha realidade? Mas ao mesmo tempo, como apagar essa sensação que está condenando a minha alma, que está cravada em meu coração, e que agora faz morada em minha mente?

®Jorge Bessa Simões

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"Três gerações do tempo" (Poema)

Sozinho com meus pensamentos, imagino se um dia, talvez, possa unir três gerações do tempo que a vida tem me apresentado.
E o que imagino não é algo extraordinário demais, é uma imagem visível, não só de um ambiente solitário, mas é a que vem do meu coração e, acima de tudo, é algo com muita profundidade a todos os olhares.
O que tento expressar, e que ainda busco compreender, é algo além de viver a plenitude, é o relacionamento entre o avô, o filho e o neto, é algo que ultrapassa todas as minhas palavras já escritas ou ditas, porém ao mesmo tempo revela uma herança silenciosa de afeto, respeito e continuidade, que nunca tive ou vivi.
Por exemplo, quando falo sobre três gerações, o quero dizer, não é sobre o tempo, é sobre as pessoas, é sobre a força de vida.
Então, o que trago nas minhas memórias, é a imagem desse pai que carrega no rosto as marcas do tempo e das minhas experiências. E a lembrança de que minhas mãos calejadas, já seguraram meu filho no passado, e que serviram de amparo e porto seguro.
Agora, ao olhar para a imagem do meu neto, é com uma ternura que só a sabedoria da idade consegue expressar, transformo o meu olhar como quem vê o futuro se desdobrar diante de mim.
O quero dizer é sobre como tento encarar os elos da continuidade, por exemplo, quando imagino meu filho que agora é pai, percebo que ele observa a cena do avô ao lado do seu filho, e ele faz isso com um sorriso discreto e os olhos cheios de admiração. Porque nesse momento, ele compreende que, agora é ele quem é a ponte entre o passado e o futuro.
E na sua expressão, noto o orgulho de ver seu pai transmitindo os mesmos valores que o moldaram um dia, sendo assim, é o meu filho que agora irá oferecer ao seu filho, o apoio físico e emocional, mantendo a sua família unida e protegida.
E é nesse instante que imagino algo sobre a terceira geração de um novo tempo que se apresenta, que é a promessa do futuro, e no centro de tudo isso, passo a imaginar meu neto hoje, menino, que é a personificação da alegria pura e da inocência, que com seu sorriso iluminado reflete a segurança de quem sabe que é amado.
Quem sabe um dia, ao olhar para seu avô, ele não veja apenas o peso dos anos que me acompanha, e tampouco a figura de um herói, já que não tenho tal pretensão, mas que possa ver em mim, uma fonte de histórias e um refúgio de carinho, afinal, como disse, estou tentando compreender e viver essa nova fase do meu tempo.
Dessa maneira que o toque das mãos unidas entre essas três gerações do tempo, sejam a base da imagem que imagino, e que resume essa dinâmica.
Que tudo possa ser um pacto silencioso, que o amor familiar se torne uma corrente que não se quebra, onde o passado pode ensinar, o presente protege, e que o futuro possa crescer cada vez mais, com base sólida e firme dentro de um amor que marque para sempre essa três gerações do tempo que estamos vivendo.

®Jorge Bessa Simões

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"Raízes" (Poema)

Mãos sobre as mãos, o tempo a tecer,
O avô com histórias que a lembrança traz,
A sabedoria em rugas a escrever,
Nesta luz quente que pode transformar o lar em paz.

O neto, pequeno, de riso inocente,
Olha o avô, o pai, com o mundo já a andar,
No presente descobre o passado recente,
E o futuro que agora está a se plantar.

O filho, é a ponte, o meio do caminho,
Observa os dois com amor sem medida,
Sentindo o sangue, o carinho e o ninho,
Na corrente dourada da própria vida.

São três elos de uma mesma corrente, um laço de fé,
Que no calor deste solo, a vida se diz,
Do broto tenro à raiz que se veem,
São a herança de um amor que pode os fazer feliz.

®Jorge Bessa Simões

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