
O tempo passou e aos 70 anos cheguei, mas sabe o que me atormenta em relação às tolices de minha juventude?
É não haver cometido o que agora não posso voltar a cometer, e com os anos que passaram aprendi que envelhecer é passar da paixão para a compaixão.
Aprendi que muitas pessoas não chegam aos setenta anos porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.
E lembrar que aos quinze anos eu só tinha sonhos, quando cheguei aos vinte anos reinava em mim o desejo, aos trinta anos reinava a razão, e só aos quarenta anos veio o juízo.
Aprendi que o que não era sonho aos quinze anos, não se tornaria belo aos vinte anos, não seria forte aos trinta anos, e que não ficaria rico depois dos quarenta anos, e tampouco sábio aos cinquenta anos, porque a vida nunca é feita de nada disso.
Porque agora que aos 70 anos cheguei, percebo que são poucas as coisas que me parecem absurdas, até as decepções na vida não me surpreendem mais.
Quando era jovem pensava que os velhos eram bobos; agora que aos 70 anos cheguei, aprendi que os velhos sabem que os jovens é que são.
Aprendi que a maturidade é voltar a encontrar a serenidade como aquela que eu usufruía quando era menino, até porque nada passa mais depressa que os anos da vida.
Quando era jovem dizia: “Verás quando tiver cinquenta anos!”. Tive cinquenta anos e não vi nada daquilo que imaginava.
Quando era jovem, nos meus olhos ardia a chama de querer viver e amar tudo com muita intensidade, agora que aos 70 anos cheguei, vejo nos meus olhos envelhecidos a luz do que pode vir a frente ou não.
Na minha juventude a iniciativa valia tanto quanto a experiência dos velhos, talvez seja por isso que sempre há um menino em mim, e cada idade me caiu bem, mesmo em condutas diferentes.
Quando jovem andava em grupo, como adulto passei a andar em pares, e agora como velho muitas vezes me vejo andando sozinho.
Agora aos 70 anos cheguei, e mesmo com todo esse tempo passando eu busquei ser feliz quando fui jovem e não fui, mas quem sabe agora eu possa ser feliz se agir de maneira sábia na minha velhice, afinal, desejei chegar à velhice, ainda que as vezes nego que tenha chegado, aliás, não ainda não entendo bem isso dos anos.
Todavia, foi bom vivê-los, não está sendo assim tão fácil tê-los, mas agora aos 70 anos cheguei.
®Jorge Bessa Simões
®Velhas Memórias Poéticas. Copyright © 2013-2026
®Direitos Autorais Reservados. Lei 9.610/98
*Foto Arquivo Google Imagens.
©Todos os direitos reservados/2026








