
E a resposta que vem a minha mente é; "Elas são assim porque só se abrem quando o silêncio é tão profundo, mas tão profundo, que até os meus pensamentos se calam."
É como se elas estivessem à espera de um grito meu que nunca chega, por isso elas ficam ali na parede, suspensas, à escuta, desejosas de algo que as desperte, mas elas não gritam, e tampouco eu.
E assim, nós, eu e minhas janelas, ficamos presos a este corpo que continua a ser apenas um nome dentro de um homem só, mas que, mesmo assim, desse lugar imóvel em fico quando me sento a beira da cama nas minhas madrugadas, vejo mundos inteiros lá fora.
Mesmo imóvel a beira da cama, vejo ruas que nunca pisei, vidas que nunca vivi, sonhos que talvez tenham sido meus numa outra versão de mim.
Porém algo acontece dentro de mim nessas minhas madrugadas, pois vejo que há outros mundos ainda maiores, alguns perfeitos, outros desfeitos, alguns em construção, outros em ruínas.
Por outro lado, creio que as janelas do meu quarto querem ficar fechadas, porque lá fora o mundo quer sempre falar, e o barulho é tanto que, no meu quarto tudo se transforma em silêncio, mas é um silêncio diferente, não é aquele silêncio que acalma, na verdade é o silêncio que pesa, é um silêncio a base da pressa e de medo, ou de um medo com pressa, sei lá!?
Então, nas minhas madrugadas sentado a beira da cama, volto a ficar ali, entre o abrir e o fechar, o dentro e o fora, e é nesses momentos que vejo o que sinto, e as janelas do meu quarto estão ali sempre à espera que, nem que seja só uma vez, eu tenha a coragem de gritar.
®Jorge Luiz Simões
(Baseado em Texto de Autoria Desconhecida)
®Velhas Memórias Poéticas. Copyright © 2013-2026
®Direitos Autorais Reservados. Lei 9.610/98
*Foto Arquivo Google Imagens.
©Todos os direitos reservados/2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário