
Quando me encontrei no interior dessa construção, vi que nela haviam portas trancadas que precisariam ser abertas, foi assim que percebi que essa construção na verdade era o meu castelo interior, meu coração.
Foi nessa construção, que acontecia dentro de mim, que encontrei palavras que tinham de ser libertadas, foi assim que as transformei em minhas poesia e poemas, porém sabia que nem tudo que fosse escrito seria como nos meus sonhos felizes, já que a vida me trouxe muitos mais pesadelos.
Algo me fez lembrar que lá fora desse castelo, a minha volta, acontecia uma tempestade brutal, com relâmpagos que iluminava as paredes, e ao mesmo tempo, isso acontecia no meu coração, o que dava uma suavidade estranha.
Quando me vi nesse castelo, imaginava encontrar um abrigo, porém ao chegar em seu interior, percebi que ele era como no meu peito, ou seja, não era só o abrigo que buscava, era também o território dos meus demónios, os mesmos que fizeram parte dos meus pesadelos e quase me fizeram deixar de sonhar.
Porque assim como acontecia dentro de mim, eles vagueavam pelos corredores, à minha procura, tentando roubar-me o sono.
Perdido, quantas vezes me perguntava: Porque estou aqui, nessa vida? Que propósito tem as palavras que escrevo em forma de poesias ou poemas para mim?
Sabia que para entende-las teria que liberta-las, quem sabe com isso conseguiria ao menos afugentar esses meus demônios e assim apaziguar meus pesadelos, até porque não quero deixar de sonhar.
Nas paredes deste castelo, assim como no meu coração, elas estavam cobertas de palavras, algumas doces e lindas de se sonhar, outras eram amargas e tristes, pois o pesadelo se fazia mais presente em quase tudo.
Entre tantas lembranças que trago nas minhas memórias, as palavras que choram ficaram gravadas entre as cicatrizes da vida.
Cada palavra que ecoava no meu peito, parecia me pedir que as soltasse, que as libertasse como já fizeram os poetas, e me recordo de tantos, e é como se os tivesse encontrado ali nos corredores deste castelo, mesmo que desencontrados do meu tempo.
Meus passos ao caminhar neste castelo ecoavam para além da mortalidade, era como se dissessem: “Estamos contigo, continua.”
Foi assim que pensei: "Quem sabe um dia, alguém consiga entrar neste meu castelo, onde vai poder ler as minhas palavras, e mais que isso, pode ser que consiga as compreender. Quem sabe irá sentir os meus suspiros gravados nessas paredes, e aí irá perceber que lutei, sonhei, e foi assim que escrevi."
Não sei como será a reação depois, mas quem sabe, ao menos tente compreender antes de me fazer qualquer julgamento, afinal, não busco um lugar entre as estrelas, e quem sabe as minhas palavras ecoem para sempre, não só neste meu castelo interior, mas também que possam servir para muitas vidas, além de mim.
®Jorge Bessa Simões
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