
Nessa vida, sabe quem eu sou?
Bem, acho que sou um palhaço!
Por isso se você me fizer a pergunta, para onde vou?
Te responderei: Por caminhos que não traço!
Pois onde queria ir, não vou!
Porque já que a vida me fez palhaço,
Onde queria estar, não estou,
E a vida sempre me põe em embaraço!
Até tentei fazer um traço,
Para não ser na vida só um palhaço,
Porém acho que perdi o trato,
Pois quis embaraçar a vida e não à embaraço!
Então onde estou? O que sou?
Creio que sou aquele que,
Segue a vida em busca de um rumo!
Sou aquele que sobe as descidas,
Que desce as subidas,
Que em toda terra navega,
E que por mares caminha!
Sou aquele que sonha de dia,
E a noite não dorme,
Já que a angústia me consome,
E em mim a tristeza sempre se apega,
E com a mágoa que minha vida caminha!
Sou aquele que se cala, mesmo sem ter falado,
Que volta sem ter partido,
Que ri do que não havia rido,
Que à amargura se agrega,
E que entre espinhos meus pés caminha!
Creio que sou tudo o que imaginam que eu seja,
Sou também tudo que afinal não sou!
Sou o arbusto que a leve brisa bafeja,
Sou um pobre árvore que o sol secou!
Sou tudo aquilo que ser se deseja,
Sou a ave de rapina que jamais voou!
Sou a plantinha que no jardim viceja,
E também posso não ser nada do que você pensou!
Mas sou o que todos veem e a ninguém iludo,
Sou diferente e não finjo, nem falsas aparências tenho!
Sou como sou, ríspido, enérgico, contudo,
A todos amo e por amar a todos me empenho!
Sou assim, rude, talvez, mas não engano,
Com falsas atitudes, senão ao meu próprio coração!
E esse velho coração que de tantas mentiras tem tutano,
Para aguentar a dureza do que a vida tem me dado como porção,
Após porção, que já nem sei mais como esse coração aguenta!
Sou assim mesmo, alegre, triste, e imparcial,
Doa a quem doer, minha voz não calo, embora depois cruenta,
Dor me sufoque a alma e o coração por assim ser,
Mas que culpa tenho de ser assim tão desigual,
Com o que sente meu coração ante esse meu proceder?
Sou o que poucas pessoas que me conhecem sabem,
E melhor que eu, percebem quando triste estou,
E quando penso que a elas enganando vou,
Os enganos aparentados no meu coração não cabem!
Assim rio, brinco, mas não minto como alguns dizem,
Posso ser imprevisível às vezes quando "broncas" dou,
Mas o que me conhecem, sabem que assim sou,
E que as "broncas" mais que à elas, a mim me ferem!
As poucas pessoas que me conhecem sabem bem assim,
Melhor do que eu, quando triste estou,
E por mais que tente ser feliz, sou assim,
E diariamente elas veem isso em mim!
As vezes acho mesmo que tento aparentar felicidade,
Pois minha alma triste com o tempo, meu coração pensou,
Convencer-me a esquecer toda e qualquer saudade!
Assim sou da vida um palhaço,
Ando por caminhos que não traço,
Nas descida, subidas, navego, caminho,
Sonho, durmo, angustiado e triste a procura de um carinho!
Assim sou o que fala, cala, volto, parto, rio,
Amargo, tenho espinhos, vivo, sofro,
Choro, morro e ressuscito em meu desvario!
Sou o que poucos sabem, querem e me desejam,
Sou ave, plantinha, árvore, brisa e o calor,
Sou tudo como sou e o que mais desejam,
Sou afago, beijo, mãos e abraços, dou carinho e amor!
Não tenho diferenças ou falsas aparências,
Mesmo sendo enérgico ou ríspido, ainda assim amo!
E não engano, pois esse velho coração é cheio de carências,
Tento ser alegre mesmo sendo triste, não sou imparcial, eu amo!
Assim sou cruento, desigual, mas o que poucas pessoas sabem,
Que não sou de enganos aparentados,
Pois no meu coração todos cabem!
Desta maneira quando brinco, rio ou "broncas" dou,
As "broncas" mais a mim me ferem,
Busco ser feliz pois minha vida não acabou,
E mesmo triste ou alegre, todos que amo sabem!
Apenas assim sou!
E por mais que queira embaraçar a vida, não a embaraço,
Assim me amem ou me odeiem,
Gostem ou me admirem, assim eu sou,
E vivendo a vida, vou continuar amando!
Mesmo que muitos por não me conhecerem,
Se perguntam: Quem posso ser?
®Jorge Bessa Simões
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