terça-feira, 31 de março de 2026

*"O tempo não pede licença" (Poema)

O tempo vai passando, silencioso, no seu caminho arrasta uma brisa leve, mas carregada de memórias, as minhas memórias. É como aquele vento de fim de tarde que me arrepia a pele e me faz lembrar coisas que já não voltam mais.
Dentro desse tempo viaja o peso de um abraço que ficou por ser dado, de uma voz trêmula que se perdeu no eco e já não encontra mais o caminho de regresso. É estranho como certas ausências tornam-se tão presentes como se ocupassem espaço no meu peito.
Meus lábios que um dia foram doces, agora estão secos, já não consigo mais soltar as rimas que guardava nas minhas lembranças. Me recordo das palavras que poderiam ter sido ditas, ensinamentos que ficaram suspensos no ar, como folhas que nunca chegaram a cair da árvore. Percebo que a vida é breve, e basta um segundo para tudo mudar.
Num instante, o que me parecia sólido se desfaz, o que era certo, se evapora. É como areia a escorregar entre meus dedos: quanto mais tento segurar, mais depressa foge.
Meu olhar carregado de dor, que antes parecia eterno, também se dissolve. Meu sofrimento, por mais pesado que seja, acaba sempre por se diluir como tinta na água, e vai-se espalhando até desaparecer.
E no final, sobra apenas uma frase simples, aliás, quase um sussurro cúmplice: “Porte-se bem.” Afinal, o tempo passa depressa, e não pede licença.

®Jorge Bessa Simões
(Baseado em Texto de Autoria Desconhecida)

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*Foto Arquivo Google Imagens.
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