quinta-feira, 23 de abril de 2026

*"Nós fomos fundo..." (Crônica da Vida)

Durante minha juventude procurava um lugar que sonhava, onde pudesse viver a minha felicidade, quem sabe fosse ao lado de alguém que se somasse a minha história.
E foi assim que esse sonho começou no dia em que te vi naquele hospital, após ter recuperado minha visão, desde aquele momento me perguntei; "o que farei da minha vida agora que a encontrei?"
Você era a pessoa com quem sonhava naqueles momentos obscuros que eu enfrentava, onde não tinha a certeza de voltar a enxergar, mas que ao abrir meus olhos e voltar a enxergar de novo, ao te ver, tive a certeza de que era quem eu estava esperando, tinha tantas perguntas e nunca havia encontrado as respostas, ninguém havia me escutado, até que carinhosamente você meu ouviu e acreditou em mim.
Depois, você me disse de como me amou, desde o momento em que passou a cuidar de mim nos seus plantões no hospital onde eu estava, como poderia me esquecer?
Te amei mesmo sem ter visto o teu rosto, pois o som da sua voz era tão doce, que eu imaginava como você seria, e foi difícil suportar tudo aquilo sem poder te ver.
Porém um sentimento nasceu desde o primeiro momento em que você tocou meu rosto para mudar as ataduras dos meus olhos.
Mesmo sem te ver, entendia que era de você que eu precisava para estar na minha vida, e no instante em que recuperei minha visão e vi seus olhos, você me disse; "Sei que quer continuar sua vida, embora você não vá acreditar, mas eu quero ser parte dela."
Foi assim que decidimos ir fundo para viver nossos sonhos, até aquele fatídico abril, como queria me lembrar do brilho dos seus olhos que me iluminavam, mas naquele abril, uma sombra nos cobriu com a chegada da morte fria que tirou você dos meus braços e da minha vida.
Sempre tive muitas razões para estar só, mesmo quando não queria, mas depois que te conheci achei que você sempre estaria comigo, acreditei em nós, mas você não ficou aqui.
Mesmo depois de tanto tempo, ainda me lembro de tudo, e por mais que quisesse não poderia esquecer, já que foi difícil suportar tudo aquilo sozinho depois daquele abril.
Desde então, busco seguir minha vida mesmo sabendo que sempre irá existir uma cicatriz no meu coração, ainda me lembro do que você me pediu antes de partir; "Seja feliz por nós dois, mesmo se importando com outra pessoa que não seja eu."
É, nós fomos fundo..., até aquele abril, em que tive de continuar o meu caminho sem você.

®Jorge Bessa Simões

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*"Só eu continuei a amar" (Crônica da Vida)

EU: Gostaria muito de agradecer o seu carinho cuidando de mim desde o meu acidente, espero não ter te aborrecido, soube que logo terei alta, mas gostaria muito de poder te ver de novo, será que posso?.
ELA: Delicadamente me pergunta: Quer que arrume o seu travesseiro?
Depois me fez outras perguntas, e não respondeu o que perguntei, até que...
ELA: Posso colocar minha mão sobre seu rosto? Quero ver seus olhos que ficaram escondidos por quase dois anos, estou tão feliz que esteja enxergando depois do seu acidente, sabe, desde o primeiro dia da sua internação comecei a cuidar de você, quando te via nos meus plantões sofria por não saber se você voltaria a enxergar, muitas vezes foi difícil sair do plantão e te deixar sozinho. Compreende o que estou te dizendo?
Foi então que vi as lágrimas rolar no rosto dela.
EU: Minha querida enfermeira, sei o quanto você cuidou de mim, acredite, mesmo sem enxergar imaginava como seria seu rosto, seus olhos, seus lábios, o som da sua voz trazia alívio as minhas dores, quando você não estava no plantão, me sentia perdido, suas mãos são como as de um anjo. Fico muito feliz por saber do seu carinho, nesse momento não existe nada tão único quanto ver seus olhos olhando os meus, e como esquecê-los se foram a primeira coisa que vi ao recuperar minha visão.
ELA: Teus olhos parecem duas esmeraldas de tão verdes, são tão lindos, quando os vi, depois de retirar suas ataduras, eles me fizeram gostar de você ainda mais, me perdoe.
E assim entre as lágrimas de nós dois...
EU: Perdoar? Perdoar de que? Nesse tempo todo o que mais queria era ter minha visão de volta e poder ver como você é, na minha imaginação eu já te achava tão bonita, fico ainda mais feliz por ver que não me enganei, você é muito mais bonita ainda, e se for para perdoar, então sou eu quem devo te pedir perdão, mas, antes me responda, será que não podemos enxergar o caminho para a nossa felicidade, juntos?
Ao final dessas palavras, como resposta, ela me deu nosso primeiro beijo, naquele momento tive a certeza de que Deus havia me dado dois presentes, depois de atravessar um dos períodos mais difíceis da minha vida.
E assim depois da minha alta hospitalar, nos reencontramos, e juntos fizemos planos para nosso futuro, mas infelizmente como muitas histórias de amor, a nossa seria muito curta, a vida não nos permitiria viver nossos sonhos.
Enquanto nos preparávamos para o nosso casamento, infelizmente a morte implacável a tiraria dos meus braços para sempre. E bem no dia do meu aniversário, a vida me tiraria o presente que eu havia ganho desde o dia em que a vi pela primeira vez.
E para mim só restou guardar no meu coração e nas minhas memórias, aquele sonho que um dia, por breves momentos ao lado dela eu vivi, porque no final, só eu continuei a amar.

®Jorge Bessa Simões

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terça-feira, 14 de abril de 2026

*"O perdão que cura" (Crônica da Vida)

Muitos de nós sofremos por causa das muitas doenças que aflige a humanidade, porém tem doenças que não se curam com acompanhamento médico, tão pouco vem através da ciência e muito menos por mãos humanas.
Até porque a cura de certas doenças está em um lugar mais profundo, silencioso e muitas vezes ignorado: Está no perdão.
Sabemos que existem dores que nenhum exame médico detecta, existem feridas que nenhum remédio jamais irá alcançar, certas cicatrizes ainda que aparentemente se fecham, jamais serão corrigidas por uma cirurgia plástica.
Até porque elas nascem das mágoas guardadas, de um ressentimento cultivado ao longo dos anos, das palavras que nunca foram ditas e das muitas lágrimas retidas.
E nosso corpo fala aquilo que estando no nosso íntimo, não se consegue decifrar ou curar. E, nesse momento que o coração se fecha no ódio ou na revolta, e o sofrimento acaba fazendo morada dentro de nós.
Sabemos que os médicos são instrumentos valiosos, que a medicina faz parte de um dom necessário, mas existem enfermidades que não se rendem aos tratamentos porque suas raízes não são só físicas.
São dores que se alojam no íntimo, e só encontram alívio quando aprendemos a soltar o peso que carregamos.
Por isso, ainda que as vezes, enfrentemos uma luta titânica em nosso coração, temos que aprender a perdoar, muito embora perdoar não seja justificar o mal que nos é feito ou fazemos, tampouco perdoar quer dizer que tenhamos de apagar o passado, isso é impossível para nós humanos, mas perdoar é nos libertar de uma doença que nos corrói o íntimo.
O perdão muitas vezes é um remédio amargo no início para todos nós, mas ele pode nos trazer curas com o tempo. É claro que o perdão não muda o que aconteceu, mas pode transformar aquilo que causa um grande mal dentro de nós.
Porque quando perdoamos, não curamos apenas àqueles que nos causam um mal, mas curamos também a nós mesmos. Nosso coração vai se tornar mais leve, nossa mente irá encontrar descanso, e o nosso corpo, finalmente, começa a respirar paz.
Sendo assim, ainda que seja algo difícil para cada um de nós, temos que buscar entender que muitas doenças persistem porque o perdão vai sendo adiado para depois, ou na espera que a outra pessoa mude.
É por isso que muitas dores se prolongam por tanto tempo, porque no nosso íntimo continuamos presos àquilo que já deveríamos ter sido deixado para trás e não deixamos.
Seria muito bom se pudéssemos compreender que a verdadeira cura começa quando entendemos que segurar as mágoas nos adoecem, e quando a soltamos é um ato de amor próprio.
Assim, a cura de muitas doenças do ser humano, não está só nos hospitais, ou na capacidade humana de tratar sintomas. Não!
E a cura só acontece quando escolhemos perdoar, ou quando deixamos que o Verdadeiro Deus toque onde ninguém mais alcança, e somente quando permitimos tudo isso, descobrimos que o amor é algo maior do que a dor.

®Jorge Bessa Simões

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terça-feira, 7 de abril de 2026

"Meus 70 anos chegaram" (Poesia)

Aos setenta anos,
Chego aos trancos e barrancos,
Tive algumas alegrias e muitos desenganos,
E sei que ainda virão outros sofrimentos tantos.

Aos setenta anos,
Tento chegar com sorrisos francos,
Mas meu barco já não navega a soltos panos,
Pois na minha vida sempre há muitos trancos.

Aos setenta anos,
Queria poder navegar em calmaria,
Mas as ondas da vida ainda me dão solavancos.

Sei que ao cem anos não chegarei,
E nem quero viver esses anos tantos,
Já que aos 70 anos,
Ainda continuo vivendo aos trancos e barrancos.

Logo meus setenta anos estarão passando,
Nessa vida que ainda estou atravessando.

®Jorge Bessa Simões

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domingo, 5 de abril de 2026

*"O tempo ensina" (Crônica da Vida)

Nos últimos tempos tenho percebido que certas pessoas simplesmente saíram da minha vida, se afastaram, algumas me excluíram ou me deixaram de lado por interesses maiores, quem sabe por causa das suas próprias deduções.
Essas pessoas talvez nem sequer imaginavam o quanto me feriam, e o quanto me fizeram falta por um bom tempo.
Talvez seja porque não se deram conta da importância que tinham pra mim, ou porque não compreenderam o respeito que eu tinha por elas, e do cuidado também.
Já houve momentos em que até fui atrás delas, até porque me senti no dever de saber a razão, porém é claro, que as deixei livres para fazerem o que quisessem, mas sempre buscando colocar no coração delas o meu pedido de perdão, e reconhecendo os meus erros com elas.
Entretanto, de outras pessoas, não fui atrás, simplesmente as deixei livres também, perdoando-as pelo falso amor que me ofereciam, pela falsa amizade, pela ingratidão ou até mesmo pelo descaso.
Afinal, quem sabe o tempo possa ajudar para que alguma coisa mude. Até porque ele nos ensina que nem todo caminho é aquele que traçamos pra gente, e, se não soubermos discernir o que é bom e o que é ruim pra nossa vida, jamais alcançaremos o que é necessário e intenso para o nosso coração.
Assim, acredito que tem afastamentos que são causados pela nossa falta de atenção, mas outros, realmente é o tempo que nos mostra a salvação de muitas frustrações.
Por isso tem coisas que é só com o tempo que a gente vai entender, até lá, a gente sofre sim. Mas em compensação podemos nos superar e crescer.

®Jorge Bessa Simões

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"O que é família hoje em dia?" (Crônica da Vida)

Com o passar dos anos e o avançar da idade, tenho percebido que já não faço mais parte nem das fotografias em família. Alguns dirão que sou eu o culpado por causa de uma série de circunstâncias, é por isso que sempre me pergunto: O que é família hoje em dia?
Bem, mesmo nessa época tão tecnológica onde tudo se transforma em selfie nas redes sociais pela internet, penso que, família não é a fotografia perfeita numa dessas selfies ou na moldura da sala.
Para mim, família é quem fica quando tudo se desfaz, é quem sabe ler o meu silêncio… e não tem medo dele.
Até porque, sou do tempo em que família era um momento em que a reunião era uma verdadeira confusão, tinha barulho e cansaço, mas também tinha colo, e gargalhada no meio do choro,
era “chegar quando pudesse”, que quer dizer “vem agora”.
Não era sempre fácil, havia momentos em que aconteciam algumas magoas, onde alguém poderia cometer alguma falha, onde às vezes algumas coisas ou palavras até feriam, mas depois havia outros momentos em que todos se juntavam de novo e tudo se curava, pelo simples fato de estarmos juntos.
Foi assim que aprendi que família não era sobre parecer, era sobre ser, era sobre ficar, mesmo quando tudo à volta parecia nos mandar fugir. E às vezes, família é aquele que chega sem aviso,
mas que soube amar como se sempre tivesse estado ali.
Mas hoje em dia vejo que as vezes tem coisas que são um muito mais complicado no meio da família, até porque, temos que tomar muito mais cuidados do que antigamente naquilo que falamos, sobre o que pensamos, sobre gestos ou atitudes, sobre expressar o que sentimos ou não, enfim, hoje em dia é muito difícil estar em família, é por isso que me pergunto: O que é família hoje em dia?

®Jorge Bessa Simões

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sexta-feira, 3 de abril de 2026

*"Prisioneiro de mim" (Poema)

As chaves, esquecidas de propósito na ranhura do outro lado da porta, repousam frias como ferro molhado. Sinto o cheiro do metal oxidado, o frio me subi pelos dedos só de imaginar em tocá-las. Estão ali, tão perto, mas pesam como montanhas invisíveis.
Meu coração, acorrentado, esqueceu-se do voo. Minhas asas que um dia ousaram tocar o vento, jazem quebradas, cada batida soa como corrente ao se arrastar sobre pedra. Em meu peito, o ar é denso, como se estivesse cheio de pó e a cinza, e respirasse ruínas.
Cansado da súplica incessante da minha voz que ecoa como gota a cair sem fim numa gruta escura, ergo os olhos ao céu. As estrelas cintilam como brasas suspensas, e o seu brilho parece prometer consolo. Mas a sombra que germinou em mim é mais funda do que a noite.
Ela alastra como raiz venenosa, infiltra-se em cada recanto, e pesa, pesa mais, até ferir a chama clandestina que, em silêncio, insiste em permanecer ao meu lado.
Sou cárcere e carcereiro. Sou a muralha que me encerra e a chave que poderia me libertar. Também sou a centelha que resiste, mesmo quando tudo em mim parece ruir.
Diante desse paradoxo descubro minha essência: minha prisão não é apenas grades, é também espelho. A sombra que me habita é feita da mesma matéria que a luz que me acompanha. O silêncio que me sufoca é o mesmo que guarda a promessa de um grito.
Talvez um dia, quando o peso for insuportável, a mão cansada encontre coragem para rodar a chave esquecida. E então, a porta abrir-se-á não para fora, mas para dentro, revelando que o voo nunca me foi roubado, apenas está adormecido.

®Jorge Bessa Simões
(Baseado em Texto de Autoria Desconhecida)

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

*"O mundo pode até não ser meu" (Poema)

O mundo dá muitas voltas, algumas delas são tão lentas, quase imperceptíveis, entretanto outras são tão rápidas que arrancam o chão debaixo dos meus pés. É quando caio, e dói.
Porém cair não é o fim, é a prova de que estou vivo, de que me atrevi a andar, de que não fiquei parado à espera que a vida passasse por mim.
Com isso me pergunto: "Que mundo é este?. Foi ele que mudou ou será que fui eu quem mudei?. Ou terá sido ambos?."
Talvez o mundo seja apenas o reflexo da minha própria transformação. Mas a verdade é simples: não interessa a resposta. Porque o que importa foi que eu atravessei a porta, mesmo sem ter a chave certa. Para mim, isso é coragem, é escolha, é vida.
O caminho a minha frente, por vezes, se torna clandestino. Parece que tudo se esconde em becos escuros, que ele me fala em enigmas, e me desafia com fechaduras que não se abrem.
Mas então me lembro que o mundo é meu. Aliás, sempre foi. Afinal, nunca me escondi dele, não fugi do espaço que me pertence. O agarrei com as duas mãos, como quem segura algo frágil, mas precioso.
Vivi e vivo cada minuto como se fosse o último, até porque um dia será. Por isso não queria deixar nada por fazer, nada por dizer, nada por sentir.
Afinal o mundo é frágil, e eu também sou, e é nessa fragilidade que está minha força. Pois aprendi a caminhar com ele, a cair e a me levantar, e a suportar o seu peso, mas celebrando com leveza.
Não sei devo ou posso, mas aqui vai um conselho que aprendi na vida, e que vale ouro: "Não desperdice energia tentando mudar o mundo inteiro. O mundo não precisa ser reinventado por nenhum de nós, mas é preciso que vivamos à nossa maneira. Fazer do minuto seguinte, o minuto de uma vida inteira. Fazer da vida um exemplo. Porque a vida não espera. O tempo não abranda.
Por isso não se pode esperar. E eu sei que mesmo que caia novamente, vou me levantar, avançar, e viver. Pois o mundo pode até não ser meu de fato, mas a vida, ah, a vida é minha!.

®Jorge Bessa Simões
(Baseado em Texto de Autoria Desconhecida)

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