sexta-feira, 24 de abril de 2026

*"Um dia sutil de abril" (Poema)

Tem dias que a gente se sente um pouco menos gente, é um dia daqueles sem graça onde a chuva cai na vidraça, e sem pensar vou sentindo o futuro no ar que está carregado, é um dia sutil de abril, estou sem qualquer filho, pessoas ou amigo do lado, estou sozinho em silêncio, calado e com uma pergunta na mente; "Por que nessa tarde nebulosa o tempo me parece parado?"
Então me recordo das profecias, não dos sábios tolos que dizem ver o futuro, mas dos loucos que escrevem no muro, nas teias do sonho remoto, vejo a chama de uma guerra acesa e a fome sentada na mesa, o bêbado com um copo de cachaça na mão, altas ondas vão surgindo no mar, abrem-se os selos de fogo, símbolos do apocalipse que está chegando, onde o mundo irá se acabar um dia.
Estou com um gosto amargo na boca, não da moça que beijei um dia na minha loucura, não que eu seja homem que das coisas se esquece, mesmo quando tudo no mundo é um dá ou desce, certas coisas estão em qualquer profecia.
Mas não importa, o mundo irá se acabar com muito fogo e ais, mesmo sendo o mundo dos meus ancestrais, logo irá se acabar essas guerras mortais com aqueles que só querem glórias de um mártir ferido, será como um estrondo e muitos gemidos.
Basta olhar a volta e ver as profecias se cumprindo, o mundo irá se acabar um dia, e talvez, antes de tudo isso acontecer eu me vá com a morte em um dia de abril, talvez, sendo carregado de forma sutil.

®Jorge Bessa Simões

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*Imagem Gerada por IA
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