
Até porque a cura de certas doenças está em um lugar mais profundo, silencioso e muitas vezes ignorado: Está no perdão.
Sabemos que existem dores que nenhum exame médico detecta, existem feridas que nenhum remédio jamais irá alcançar, certas cicatrizes ainda que aparentemente se fecham, jamais serão corrigidas por uma cirurgia plástica.
Até porque elas nascem das mágoas guardadas, de um ressentimento cultivado ao longo dos anos, das palavras que nunca foram ditas e das muitas lágrimas retidas.
E nosso corpo fala aquilo que estando no nosso íntimo, não se consegue decifrar ou curar. E, nesse momento que o coração se fecha no ódio ou na revolta, e o sofrimento acaba fazendo morada dentro de nós.
Sabemos que os médicos são instrumentos valiosos, que a medicina faz parte de um dom necessário, mas existem enfermidades que não se rendem aos tratamentos porque suas raízes não são só físicas.
São dores que se alojam no íntimo, e só encontram alívio quando aprendemos a soltar o peso que carregamos.
Por isso, ainda que as vezes, enfrentemos uma luta titânica em nosso coração, temos que aprender a perdoar, muito embora perdoar não seja justificar o mal que nos é feito ou fazemos, tampouco perdoar quer dizer que tenhamos de apagar o passado, isso é impossível para nós humanos, mas perdoar é nos libertar de uma doença que nos corrói o íntimo.
O perdão muitas vezes é um remédio amargo no início para todos nós, mas ele pode nos trazer curas com o tempo. É claro que o perdão não muda o que aconteceu, mas pode transformar aquilo que causa um grande mal dentro de nós.
Porque quando perdoamos, não curamos apenas àqueles que nos causam um mal, mas curamos também a nós mesmos. Nosso coração vai se tornar mais leve, nossa mente irá encontrar descanso, e o nosso corpo, finalmente, começa a respirar paz.
Sendo assim, ainda que seja algo difícil para cada um de nós, temos que buscar entender que muitas doenças persistem porque o perdão vai sendo adiado para depois, ou na espera que a outra pessoa mude.
É por isso que muitas dores se prolongam por tanto tempo, porque no nosso íntimo continuamos presos àquilo que já deveríamos ter sido deixado para trás e não deixamos.
Seria muito bom se pudéssemos compreender que a verdadeira cura começa quando entendemos que segurar as mágoas nos adoecem, e quando a soltamos é um ato de amor próprio.
Assim, a cura de muitas doenças do ser humano, não está só nos hospitais, ou na capacidade humana de tratar sintomas. Não!
E a cura só acontece quando escolhemos perdoar, ou quando deixamos que o Verdadeiro Deus toque onde ninguém mais alcança, e somente quando permitimos tudo isso, descobrimos que o amor é algo maior do que a dor.
®Jorge Bessa Simões
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