quinta-feira, 9 de abril de 2026

*"Meus 70 anos" (Poesia)

Aos setenta anos, percebo que o tempo não corre, ele pousa,
Como quem conhece o caminho e não tem pressa.
E esse ser, na minha fase mais generosa, no meu íntimo tudo repousa,
Sabendo que cada ruga em meu rosto é o rastro de uma promessa.

Não é o peso dos anos que carrego, mas é o brilho da minha colheita,
São sete décadas tecendo a minha própria claridade.
A pressa do mundo agora me parece contrafeita,
Diante da paz que me traz a maturidade.

Setenta vezes o sol renovou o seu abraço,
Setenta outonos me ensinaram o valor do calor.
Há uma doçura nova em cada gesto e passo,
Pois começo a ter um jeito mais manso de olhar para a dor e buscar ainda mais o amor.

Que a vida, hoje, seja um campo aberto e sereno,
Onde o meu passado seja história e o futuro é um presente.
Pois ser grande assim, sendo ao mesmo tempo tão pequeno,
É o milagre de quem agora celebra os setenta anos plenamente.

®Jorge Bessa Simões

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*Foto Extraída do Google Imagens.
©Todos os direitos reservados/2026
 

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