
A minha infância, que deveria ser de seda, tornou-se uma estrada de pedras e espinhos, mas minha alma, mesmo em labaredas, jamais aceitou perder o caminho.
E assim começo a minha jornada da sobrevivência, e assim ao chegar os setenta outonos da minha vida, muitas coisas pesam nos meus ombros, porém não é como carga, mas é sim como glória. Onde muitos veem apenas meus escombros, sinto que consegui erguer o pódio da minha história. Cada cicatriz em meu íntimo e até em meu corpo, é um mapa traçado dos rios que tive de atravessar com o peito aberto, dos desertos que tive de vencer, mesmo cansado, buscando um oásis no chão incerto.
Sempre busquei manter a força, pois o que tentou me dobrar, me fez raiz. A fé que busquei compreender, alguns tentaram me calar, mas sinto que o Verdadeiro Deus me deu voz. E com o tempo, o que era só dor, hoje são cicatriz.
E o meu espelho não mostra apenas o meu cansaço, mostra o homem que a vida não pôde vencer. Sinto que, mesmo sendo alguém com aparência carrancuda, tenho uma doçura rara em cada passo, de quem sabe o quanto custa o amanhecer.
Minha vida é um livro de páginas grossas, escritas algumas vezes com sangue, suor e coragem, provando que, por mais que a vida tenha me sacudido, viver para mim foi a mais bela viagem que fiz.
Por tudo isso, primeiro agradeço ao Verdadeiro Deus por ter me permitido chegar até aqui nos meus setenta anos, e também dar parabéns a mim, por cada um dos vinte e cinco mil dias em que não apenas sobrevivi; mas por saber que apesar de tudo o que me aconteceu e ainda acontece, eu prevaleci. Vivendo assim o alvorecer dos meus setenta anos de vida.
®Jorge Bessa Simões
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