
No meu trabalho, com as mãos no volante do mundo, tentava te dar tudo o que teus irmãos as vezes não tiveram, ainda que a todos os criei cercando seus passos de um amor profundo.
Tua infância suave deu lugar ao tempo, a adolescência trouxe as dores do crescer. você virou homem, fez suas escolhas entre erros e acertos que os ensinaram a viver.
E assim construiu seu caminho, buscou sua família ao lado da mulher que escolheu para juntos caminhar, em pouco tempo, além de marido se tornou pai e me fez avô de um menino, presente da vida, e de uma menininha que logo vai chegar.
Mas a vida, com seus nós e mal-entendidos, trouxe um silêncio que pesa no peito, e assim a distância se fez, o passado e o presente doem, porém o amor que sinto por vocês continua perfeito.
Mesmo com tudo isso que foi nos acontecendo, nunca deixei de amar você, meu filho caçula, nem por um segundo esqueci ou esqueço de quem você é.
Porém, sinto o tempo soprar mais depressa, sinto que o meu fim pode estar no horizonte, e eu não quero partir com essa saudade sufocada, quero ver a ponte se erguer de novo sobre nossa estrada.
Por isso como seu pai, não busco saber quem errou, não quero cobranças, julgamento ou desculpas, para mim o passado passou, e o que importa é o amor que sinto por você.
E assim, tudo o que quero é deixar a porta aberta, sem restrições, sem barreiras no chão, porque o maior desejo deste pai e deste avô, é ver a poeira das mágoas baixar, e ver tudo se ajeitar antes que seja tarde, para poder te rever, te ouvir e te abraçar.
Quero poder pegar meus netos no colo, olhar nos seus olhos e dizer, sem nenhuma barreira no meio: Eu amo você, meu filho caçula, e sempre amarei.
Desta maneira a minha casa e o meu coração continuam de portas abertas, esperando o momento em que a vida nos reúna outra vez.
®Jorge Bessa Simões
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