quinta-feira, 3 de setembro de 2026

"Jefferson, meu caçula, meu pequeno príncipe" (Poema)

Desde que você chegou, seu sorriso foi luz, agora olhando pra trás, vejo a estrada cumprida, quantas viagens de trabalho fiz com você no banco ao meu lado, ainda pequenino, mas observando a vida passando pela janela do carro, caminhão, e até nos nossos passeios de ônibus ao visitar seus avôs.
No meu trabalho, com as mãos no volante do mundo, tentava te dar tudo o que teus irmãos as vezes não tiveram, ainda que a todos os criei cercando seus passos de um amor profundo.
Tua infância suave deu lugar ao tempo, a adolescência trouxe as dores do crescer. você virou homem, fez suas escolhas entre erros e acertos que os ensinaram a viver.
E assim construiu seu caminho, buscou sua família ao lado da mulher que escolheu para juntos caminhar, em pouco tempo, além de marido se tornou pai e me fez avô de um menino, presente da vida, e de uma menininha que logo vai chegar.
Mas a vida, com seus nós e mal-entendidos, trouxe um silêncio que pesa no peito, e assim a distância se fez, o passado e o presente doem, porém o amor que sinto por vocês continua perfeito.
Mesmo com tudo isso que foi nos acontecendo, nunca deixei de amar você, meu filho caçula, nem por um segundo esqueci ou esqueço de quem você é.
Porém, sinto o tempo soprar mais depressa, sinto que o meu fim pode estar no horizonte, e eu não quero partir com essa saudade sufocada, quero ver a ponte se erguer de novo sobre nossa estrada.
Por isso como seu pai, não busco saber quem errou, não quero cobranças, julgamento ou desculpas, para mim o passado passou, e o que importa é o amor que sinto por você.
E assim, tudo o que quero é deixar a porta aberta, sem restrições, sem barreiras no chão, porque o maior desejo deste pai e deste avô, é ver a poeira das mágoas baixar, e ver tudo se ajeitar antes que seja tarde, para poder te rever, te ouvir e te abraçar.
Quero poder pegar meus netos no colo, olhar nos seus olhos e dizer, sem nenhuma barreira no meio: Eu amo você, meu filho caçula, e sempre amarei.
Desta maneira a minha casa e o meu coração continuam de portas abertas, esperando o momento em que a vida nos reúna outra vez.

®Jorge Bessa Simões

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"Sempre meu menino, hoje meu orgulho" (Poesia Musical)

Lembro bem de quando você chegou,
O meu caçula, luz do meu lar,
Todo carinho e amor que a vida guardou,
Eu fiz questão de te entregar,
Cresceu no colo, correu ao vento,
Marcou no meu peito cada momento.

Hoje a distância nos pede calma,
A estrada é longa, a saudade é fé,
Mas o que te liga à minha alma,
Não se mede em passos, nem em onde se está,
Seus passos seguem a própria história,
Guardados para sempre em minha memória.

Jefferson, meu filho, razão do meu sorrir,
Mesmo distante, meu amor continua aqui!
Você é o meu orgulho, o meu maior dom,
E na tua jornada, ouço o meu próprio som,
Jefferson, filho do meu coração,
O tempo não apaga a nossa união.

E o ciclo da vida, em sua beleza,
Sorriu pra nós e se renovou,
O meu menino criou raízes,
Virou pai exemplar e amor nos deu,
Você fez deste pai um avô orgulhoso,
Um presente de Deus, um laço ditoso.

Conto os dias no meu calendário,
Com a esperança de nos abraçar,
Que logo possamos estar todos juntos,
Na mesma mesa, no mesmo lugar,
Ver teu sorriso, olhar tua cria,
Transformar a saudade em pura alegria!

Jefferson, meu filho, razão do meu sorrir,
Mesmo distante, meu amor continua aqui!
Você é o meu orgulho, o meu maior dom,
E na tua jornada, ouço o meu próprio som,
Jefferson, filho do meu coração,
O tempo não apaga a nossa união.

"Voa alto, meu caçula... o amor de pai acerta qualquer distância.
Logo, logo estaremos juntos. Você é meu orgulho, para sempre."

®Jorge Bessa Simões

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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

"Velho e triste" (Poesia)

Estou ficando cada vez mais velho e triste,
Já não me alegro com quase mais nada nessa vida,
Não tenho interesse, para mim, nada mais existe,
Nessa vida para ser por mim querida.

Melhor, só uma esperança existe, a de morrer depressa,
Bem logo mesmo para desta amargura infinda,
Me livrar, mas eu sei, não há livrar que eu peça,
Que do céu me venha, por mais que queira ainda.

Assim vou ficando mais velho e morrendo,
Nessa tristeza que não me deixa por mais que eu queira,
E nessa amargura que em mim nasceu vou vivendo,
Até que algum dia chegue enfim a morte verdadeira.

®Jorge Bessa Simões

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"Meus outonos" (Poema)

Estava há pouco a meditar algo, pensando sobre um dia outonal, quando a minha vida teve início, e de repente, parei e fiquei raciocinando, o que de bom sobre aquele dia, escreveria, e assim, coloquei as rimas que tinha na mente em desperdício.
Mas, consegui me lembrar das rimas e pegar o fio da meada, quase esquecidas nas lembranças que me vieram, fiquei perdido por ver meus sentimentos no coração, emaranhado com minha vida triste, se transformando em algo que nunca quisera.
E tudo tão rápido passou, a vida tão esperada que tinha, nas suas poucas idas e vindas, continua por um caminho cheio de saudades, de tristezas, me causando desde o tempo em que nem sabia quanto tempo eu tinha.
Hoje, com meus outonos avançando que mal vi passarem, faço de conta que sou jovem, e assim vou mentindo para mim mesmo, na ilusão, vendo os meus dias se acabarem.

®Jorge Bessa Simões

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terça-feira, 1 de setembro de 2026

"Sonhei com a morte" (Poesia)

Sonhei com a morte e senti que ela me chamava,
Por estranhos caminhos andei e no sonho caminhava,
Por sendas de alucinações das quais me livrar queria,
Sonhei com a morte, senti que me enlaçava e me atraia.

Não queria ir, mas ela me chamava e me arrastava,
E como um polvo, ela, fria e pegajosa me enlaçava,
E quanto mais eu queria fugir, mais me abraçava a morte,
Até que enfim, livre dos seus abraços me vi, por sorte.

Que sonho foi esse?. Será que, próxima ela está de mim?
Será que ela virá como num sonho breve, me levar consigo?
Ou será que esse sonho, significado algum terá por fim?

Sonhei com a morte, e nela me vi integrado,
Somente achei muito cedo para ir-me do caminho que sigo,
E mudar-me repentinamente para junto da morte lado a lado.

®Jorge Bessa Simões

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"Saudades do menino que fui" (Crônica de Vida)

Olho o calendário e percebo que o tempo passou, agora sou um septuagenário, mas, eu ainda me lembro bem do dia em que me tornei um menino, assim como me lembro que naqueles dias, em anos passados, eu perdi minha alegria, e depois escoaram-se os anos, a vida passou rápido, e tão longe se vai tudo o que eu queria.
Esse dia que o calendário de abril marca, foi um dos piores dias da minha vida, dia em que, ao completar meu oitavo ano, tudo mudaria, o que seria alegria para uma criança, se tornou o pesadelo de um homem, e as marcas daquele dia até hoje trago comigo, por mais que dele tenha querido me esquecer.
Depois tempos mais tarde, também nesse dia de abril, eu teria outras perdas que foram marcantes e doloridas, e que continuam em minha mente, e ao invés de alegrias, restaram tristezas infindas que não saem do meu coração.
Agora aqui estou novamente no dia em que nasci, nesse dia, muitas vezes tento fazer uma reflexão de tudo o que já me aconteceu, mesmo ante tantas perdas, e as conquistas nesse dia.
Porém o que me marca nesse dia, é saber que perdi uma pessoa que eu amava tanto, e que nunca mais encontrei aquele garoto que eu era, e que mesmo depois daquele dia de um abril distante, ainda tenho tantas saudades de quem ele era, e que nunca mais voltou a ser, restou as lágrimas, enquanto minha existência durar.
Tempos depois em outros abril, perdi um amor, perdi amizades, perdi familiares que partiram, e que me deixaram tantas saudades, restando apenas minhas preces, já que orar nesse dia também faz parte do meu ritual, pois não os esqueço.
Enfim, o tempo tem passado, e eu ainda, quando chega esse dia no meu calendário de abril, sempre me faço essa triste pergunta; "No passar do tempo, antes que eu me vá, qual será o laço de amizade ou amor, que a morte irá romper e nesse meu calendário marcas irá deixar?. Ou será que nesse dia, no tempo do meu calendário, é minha vida que vai se findar? Não sei!."
Tudo que sei nesse momento é que, até aqui eu cheguei, e tudo que mais quero é que nesse dia, nada venha me marcar com mágoas o meu coração.

®Jorge Bessa Simões

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"Retalhos" (Poesia)

Como poeta minha vida é como um tecido remendado,
Pois a cada momento sou marcado,
Pelas tristezas, alegrias, amor, felicidade e pesar,
Assim vou compondo meus momentos como se fossem retalhos.

Como poeta busco assunto para fazer um poema ou uma poesia,
Se triste estiver, são de tristezas que meus versos se faz,
Se porém alegre eu estiver, meus versos se farão de alegria,
Faço versos até de alguém levado na morte e que na fria tumba jaz.

Até mesmo do motivo de não ter assunto,
Como poeta faço versos se algum assunto aparecer,
E sendo poeta, em meu íntimo me pergunto;
"Será que devo fazer versos do meu corpo quando eu morrer?"

®Jorge Bessa Simões

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"Meus cabelos brancos" (Poesia)

Meus cabelos brancos me dizem que sonhar não posso mais,
Ter ilusões, no tempo ou espaço, tudo me é proibido,
Assim com mágoas sofro com meus ais, e sofrerei muito mais,
Já que ainda não terminou o meu tempo estabelecido.

Mas o tempo, em toda minha vida muita coisa tem determinado,
Meus sofreres, minhas desilusões, amarguras e tristezas,
Quem sabe quando vai terminar e por quanto tempo sou marcado,
Para viver assim, neste mundo de incertezas?

Dizem agora que tenho meus cabelos brancos da idade avançada,
Que é proibido sonhar e a manter ilusões também,
Pois os sonhos de agora, serão ás tristezas do amanhã e mais nada.

Por isso será mesmo que esse meu coração envelhecido,
Deve esquecer meus sonhos de felicidade?
Porque a mim ainda vem tantas amarguras e mágoas que nem tinha conhecido?
Será mesmo que com meus cabelos brancos, me é proibido mesmo sonhar?!
Então pelo jeito, minha vida, há qualquer momento irá se acabar.

Assim dos meus cabelos brancos com o coração envelhecido,
Sem sonhos e ilusões, nada mais irá me restar,
E logo serei esquecido, e de mim, ninguém irá se lembrar.

®Jorge Bessa Simões

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