
Cada um deles me deixaram lições que nunca mais esqueci, até passar por uma experiência, cuidando de um idoso que fez e faz parte da minha história recente.
Por alguns anos trabalhamos juntos na estrada, ele também fez parte do meu crescimento espiritual, e depois que voltei para a cidade onde ele mora, passei a acompanhá-lo ao saber que por causa da sua idade, enfrentava problemas de saúde, e foi assim que vim ser seu cuidador.
Até que dias desses, num domingo, após preparar seu almoço o chamei para sentar-se à mesa e fazer sua oração, mas após isso, ele desabou por um motivo que eu nunca esperava.
E pensar que como cuidador de idoso, muitas vezes temos que nos acostumar a um certo ritmo, que não é mais o nosso, e dele. Ainda mais por acompanhá-lo dia e noite.
Nos casos das refeições, são momentos que vêm e vão, acontecem muitas conversas que ajudam a passar os dias, até antes de colocá-lo para ir dormir, e assim nossos dias vão se misturando um ao outro, já por algum tempo, e há momentos que ficam comigo.
Foi assim dia desses quando aconteceu um momento que nunca vou me esquecer, estava cumprindo com minha rotina habitual, o havia acordado bem cedo, lhe servido o café e logo fui preparar seu almoço.
Nesse dia, esse idoso que cuido, estava sentado sozinho perto da porta da sala para se aquecer no sol da manhã, ele pareceu-me estar ainda mais cansado do que o normal, talvez pelo peso da idade que avança, mas enfim, não pensei muito sobre isso.
Mas assim que seu almoço ficou pronto o chamei para almoçar, lentamente agarrado ao seu andador ele se achegou a mesa e após sentar-se na cadeira, desejei-lhe uma boa refeição, como sempre faço.
Porém, de repente, ele simplesmente congelou, olhando para a comida, seu rosto desabou e ele começou a chorar.
No começo, entrei em pânico, pensando que havia algo errado com a refeição ou que tivesse feito algo que o magoasse, perguntei a ele se estava bem, levou um minuto, que pareceu uma eternidade, até ele conseguir recuperar o fôlego.
Então ele balançou a cabeça, e conseguiu esboçar um pequeno sorriso através das suas lágrimas e me disse: "Não, não é a comida. É só que, você me fez lembrar da minha esposa. Ela costumava me trazer minha refeição favorita todo domingo, mesmo quando estava cansada. E faz anos que ninguém cuida de mim assim. Que o Verdadeiro Deus te abençoe muito, e obrigado por tudo que você me tem feito nesses últimos dias"
Essa minha experiência, não é sobre o prato preferido, é sobre sermos lembrados quando formos idosos.
®Jorge Bessa Simões
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