
Porque algumas perdas que já tive na vida, não levaram apenas alguém que eu amava, elas me transformaram.
Na verdade, quebraram uma parte de mim que nunca mais se encaixou da mesma forma, e como parte desse quebra cabeças, tive que aprender a viver, além de mais sozinho, também de uma forma diferente.
E eu tive que compreender isso no dia em que percebi que essas pessoas não voltariam mais para minha vida, ao menos não por enquanto, e que tudo o que restavam delas, eram as recordações guardadas em minhas memórias.
Recordações essas que aparecem sem aviso, que surgem através de uma música, ou de quando estou passando num lugar em que estivemos juntos, e até mesmo num silêncio.
Muitas vezes sem saber, aquelas pessoas que estão a minha volta, e que às vezes me abraçam, me fazem lembrar das muitas que partiram, e outras vezes esses abraços doem mais do que a própria ausência de muitos.
A partida de todos que já se foram um dia da minha vida foram muito ruim, mas algumas em especial, foi como uma bala que transpassou meu peito, ela não me destruiu completamente, mas me deixou uma ferida profunda e invisível, daquelas que não se vê olhando na minha aparência, mas que eu sinto sempre.
Como dizem, com o tempo tudo se cura… sim, a ferida cicatriza, e eu tive, e sei ainda terei, que aprender a seguir em frente, a me levantar, a respirar sem aquele peso constante das minhas perdas.
Mas a cicatriz…, ela fica, e é uma cicatriz que me marca como se fosse uma tatuagem no coração, marcada a ferro quente.
E não é fraqueza minha reviver essas perdas que tive na vida, elas agora são memórias que ficaram guardadas na minha mente e no meu coração, e eu vejo isso como uma prova de que, assim como elas podem ter me amado, no meu íntimo mais profundo, sei que também as amei.
Porque de algum modo, a maneira de cada uma delas, algo foi muito importante no tempo em que estivemos juntos, e que me deixou uma marca que não pode se apagar.
Assim a cada dia tive de aprender a crescer…, porque tem certas coisas na vida, que não tem outra escolha, a vida continua a seguir em frente, mesmo que eu quisesse parar.
Dessa maneira fui superando tudo isso…, mas não esquecendo, porém aprendendo a viver com esse vazio sem deixar que ele me consuma, apesar de tamanha dor, mesmo depois de tanto tempo.
E assim continuo… passo a passo, dia após dia, com alguns momentos em que dói menos, e outros em que parece que tudo parece voltar.
Mas esquecer…, bem, esquecer nunca acontece verdadeiramente, porque tem pessoas que nunca se vão verdadeiramente de nossas vidas, elas permanecem comigo.
Permanecem naquilo que elas me ensinaram, naquilo que elas despertaram dentro de mim, e mesmo que já não estejam mais aqui, elas continuam a viver na minha perspectiva de vida, da mesma maneira que ensinaram as amar.
E em cada recordação das minhas memórias, é como que se elas se recusem a desaparecer.
Sei que nunca mais serei o mesmo…, e também não serei a mesma pessoa que eu era antes de amar tanto assim, a maioria dos que se foram da minha vida.
E pode ser que esta cicatriz que dói no meu peito de vez em quando, seja também a forma mais honesta de dizer que houve algo na minha vida que valeu completamente a pena viver, do tudo o que eu já vivi.
®Jorge Bessa Simões
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