
Porém nesse tipo de situação, começo uma luta interna que me faz brigar entre “esperar que tudo volte ao normal” ou “reiniciar minha vida e reaprender a viver comigo mesmo.”
Aliás essa última opção envolve uma miríade de dificuldades que terei de superar, mesmo não sabendo o porque, afinal de contas quem não erra em palavras ou em conduta?.
É provável que, nestes casos, eu acabe por me reservar a guardar muitas coisas que gostaria que fossem ditas, mas já que sinto a dor das reprovações, todas as minhas emoções e palavras acabam ficando guardadas dentro de mim.
Mesmo que eu tente tirá-las de alguma forma para fora, já não consigo mais, porque fico imaginando que terei de enfrentar outras situações, é quando busco um pedaço de papel, ou quem sabe um teclado onde possa escrever ou digitar tudo o que estou sentindo.
E com essas opções, passo a escrever uma mensagem a quem me feriu ou se sentiu ferida por mim, quem sabe na tentativa de fazer com que ela veja o que nos fizemos um ao outro, e assim sentir o que aconteceu antes e o depois do nosso afastamento.
Entretanto, após fazer isso, me livro dessa mensagem, porque pensando bem, talvez essa seja a melhor maneira para deixar que a outra pessoa se vá, já que depois de escrever as palavras do que estou sentindo, na busca de liberar meus sentimentos e emoções, creio que um dia, será a vez de nos perdoar.
Mas muitas vezes isso não acontece, porque acabamos dando asas a esse sofrimento, então a única maneira que encontro para seguir em frente, é fazendo do meu corpo, túmulo do meu próprio ser.
Porque por trás dessa minha coragem ao tentar buscar um entendimento, a raiva e a mágoa com o afastamento de alguém que agiu sem escrúpulos contra mim, achando que me conhece, esconde uma tristeza, e a dolorosa decepção.
Portanto, para que eu possa me livrar desses sentimentos será como se eu fosse andar na beirada de um vulcão ativo, enfim, aconteça o que acontecer, o que não posso me esquecer é que, nunca em toda essa experiência dolorosa, eu ainda guardo uma semente de crescimento e de libertação.
®Jorge Bessa Simões
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