domingo, 24 de maio de 2026

"Três gerações do tempo" (Poema)

As vezes sozinho com meus pensamentos, fico imaginando que um dia, talvez, possa unir três gerações do tempo que a vida tem me apresentado.
O que imagino não é algo extraordinário demais, mas é uma imagem visível no calor, não só de um ambiente solitário, mas é a que vem do meu coração e, acima de tudo, é algo com muita profundidade a todos os olhares.
O que tento expressar, e que ainda busco compreender, é algo além de se viver na plenitude, é o relacionamento entre o avô, o filho e o neto, é algo que ultrapassa todas as minhas palavras já escritas ou ditas, porém ao mesmo tempo revela uma herança silenciosa de afeto, respeito e continuidade, que nunca tive ou vivi.
Por exemplo, quando falo sobre três gerações, o quero dizer, não é sobre pessoas, é sobre o tempo, é sobre a força de vida.
Então primeiro, o que trago nas minhas memórias, seria a imagem de um avô que carrega no rosto as marcas do tempo e da sua experiência. E a lembrança de que suas mãos calejadas, já seguraram um filho no passado, e que poderão servir de amparo e porto seguro.
Assim, ao olhar para a imagem de um neto, com uma ternura que só a sabedoria da idade consegue expressar, isso transforma meu olhar como quem vê o futuro se desdobrar diante de si.
Em segundo, o quero dizer é sobre como tento encarar o elo de continuidade, por exemplo, quando imagino meu filho, percebo que agora ele observa a cena do avô ao lado do seu filho, e ele faz isso com um sorriso discreto e os olhos cheios de admiração.
Porque nesse momento, ele compreende que, agora é ele quem é a ponte entre o passado e o futuro. E na sua expressão, noto o orgulho de ver seu próprio pai transmitindo os mesmos valores que o moldaram um dia, sendo assim é o meu filho que irá oferecer ao seu filho, o apoio físico e emocional, mantendo a sua família unida e protegida.
E é nesse instante que imagino algo sobre a terceira geração de um novo tempo que se apresenta, que é a promessa do futuro, e no centro de tudo isso, passo a imaginar meu neto hoje, menino, que é a personificação da alegria pura e da inocência, que com seu sorriso iluminado reflete a segurança de quem sabe que é profundamente amado.
E quem sabe um dia, ao olhar para seu avô, ele não veja apenas o peso dos anos que me acompanha, e tampouco a figura de um herói, já que não tenho tal pretensão, mas que ele possa ver em mim, uma fonte de histórias e um refúgio de carinho, afinal, como disse, ainda estou tentando compreender e viver essa nova fase do meu tempo.
Dessa maneira que o toque das mãos unidas entre essas três gerações do tempo, sejam a base da imagem que tanto imagino, e que resume essa dinâmica.
Que tudo possa ser um pacto silencioso, que o amor familiar se torne uma corrente que não se quebra, onde o passado pode ensinar, o presente protege, e que o futuro possa crescer cada vez mais, com base sólida e firme dentro de um amor que marque para sempre essa geração do tempo que estamos vivendo.

®Jorge Bessa Simões

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