
Passei por elas como quem conhece o caminho e não tive pressa,
Agora na minha fase mais generosa, no meu íntimo tudo repousa,
Sabendo que cada ruga em meu rosto é o rastro de uma promessa.
Não é o peso dos anos que carrego, é o brilho da minha colheita,
São sete décadas dos meus anos tecendo minha própria claridade,
A pressa desse mundo agora me parece contrafeita,
Diante da paz que me traz a melhor fase da minha maturidade.
Setenta vezes o sol renovou em mim o seu abraço,
Setenta outonos na minha vida me ensinaram o valor do calor,
Encontrei uma doçura nova em cada gesto e passo,
Começo a ter um jeito mais manso de olhar para a dor e buscar mais o amor.
Que a vida, hoje e sempre, seja um campo aberto e sereno,
Onde o meu passado seja história e o futuro um presente,
Pois ser grande sendo ao mesmo tempo tão pequeno,
É o milagre de quem agora celebra as setenta décadas dos meus anos plenamente.
®Jorge Bessa Simões
®Velhas Memórias Poéticas. Copyright © 2013-2026
®Direitos Autorais Reservados. Lei 9.610/98
*Imagem Gerada por IA Baseada em Arquivo Pessoal
©Todos os direitos reservados/2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário