quinta-feira, 1 de outubro de 2026

"Sete décadas dos meus anos" (Poesia)

Sete décadas dos meus anos, percebo que o tempo não corre, pousa,
Passei por elas como quem conhece o caminho e não tive pressa,
Agora na minha fase mais generosa, no meu íntimo tudo repousa,
Sabendo que cada ruga em meu rosto é o rastro de uma promessa.

Não é o peso dos anos que carrego, é o brilho da minha colheita,
São sete décadas dos meus anos tecendo minha própria claridade,
A pressa desse mundo agora me parece contrafeita,
Diante da paz que me traz a melhor fase da minha maturidade.

Setenta vezes o sol renovou em mim o seu abraço,
Setenta outonos na minha vida me ensinaram o valor do calor,
Encontrei uma doçura nova em cada gesto e passo,
Começo a ter um jeito mais manso de olhar para a dor e buscar mais o amor.

Que a vida, hoje e sempre, seja um campo aberto e sereno,
Onde o meu passado seja história e o futuro um presente,
Pois ser grande sendo ao mesmo tempo tão pequeno,
É o milagre de quem agora celebra as setenta décadas dos meus anos plenamente.

®Jorge Bessa Simões

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*Imagem Gerada por IA Baseada em Arquivo Pessoal
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