domingo, 5 de julho de 2026

"O maior presente que eu recebi na vida" (Poema)

Um dia numa certa janela de um outubro iluminado, a vida me escreveu um novo amanhecer; eu era um homem, pela dor já muito castigado, mas naquele instante voltei, enfim, a acreditar e a viver, e melhor, a sentir que o meu amor perdido poderia voltar.
Embora meu coração, por perdas vivesse tão ferido, guardando o peso de um cruel sofrer; lá no fundo do meu peito, eu levava um sonho há muito adormecido, mas sem imaginar que iria renascer.
Eu tinha muitas cicatrizes no meu peito, e tristes lembranças na minha memória, de tantas noites sem encontrar a luz; muitas vezes pensava que chegara ao fim da minha história, sem perceber que existe um Verdadeiro Deus que à vida conduz.
Foi então que surgiu, ela, serena e formosa, com um olhar que parecia atender minha oração; não era apenas bela, era amorosa, e fez brotar a paz em meu coração.
Ela não me perguntou sobre as dores que eu tinha do passado, e nem quis contar as lágrimas que viu em meu rosto; apenas caminhou ao meu lado, e, com ternura, toda minha dor ela cobriu.
Seu doce amor, paciente e verdadeiro, venceu meus medos que o tempo semeou; e fez florescer um novo paradeiro no meu coração que a vida machucou.
Desde aquele instante naquela janela de outubro, ela mostrou que amar é ter coragem, é dividir o peso e a solidão; é transformar a dor em aprendizagem e fazer da esperança uma canção.
E assim foi que em nossas vidas, vieram dias claros e serenos, vieram tempestades pelo chão; mas, juntos, descobrimos que os pequenos gestos sustentam toda uma paixão.
E hoje, quarenta e nove anos se passaram, qual rio manso a correr para o mar; e os votos que um ao outro entregamos o tempo não conseguiu apagar.
Agora, quando outubro novamente chegar, quero contemplar o mesmo doce olhar; e a emoção, que o meu peito ainda carrega, que renasceu como o sol sobre o luar.
Os anos desenharam meus cabelos, o tempo escreveu marcas em minhas mãos; mas creio que, o Verdadeiro Deus guardou, por entre os seus desvelos, a juventude viva dos nossos corações.
Se alguém me perguntar qual foi a glória que fez a minha existência florescer, eu diria que foi desde que eu vi, aquela mulher na janela de um outubro me aparecer, e que mudou a minha história.
Desde então, ela não foi apenas minha companheira, nem somente um amor de ocasião; ela é meu porto, é meu abrigo, e é a paz que encontrou meu coração.
E quando a vida escrever meu último verso, e a morte chamar meus passos para além, então eu hei de dizer, diante do Universo:
"O maior presente que eu recebi na vida foi encontrar, naquela janela de outubro, a mulher que fez do meu coração um lar, e do nosso amor, uma eternidade."

®Jorge Bessa Simões

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*Imagem Gerada por IA Baseada em Arquivo Pessoal
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