
É claro que não teria problema nenhum em se conquistar tudo isso, o problema começou quando essas coisas passaram a ocupar o lugar das pessoas que eu mais amava.
Até que um dia aprendi isso de um modo muito cruel, e foi depois que perdi muitas dessas coisas que tinha conquistado, porque no fim, ninguém se emociona lembrando das coisas que se tinha anos atrás, não se lembram das roupas que estavam na moda, e que eu tanto gostava de usar, nem dos carros que um dia dirigi.
Foi então que compreendi que o que permaneceu vivo em mim, foram os abraços, as risadas no sofá da sala, os desenhos dos meus filhos colados na geladeira, as bagunças que deixavam a nossa casa barulhenta e o coração cheio de alegria.
E com os anos passando, entre acertos e erros, passei a compreender que meus filhos não são apenas parte da minha história, eles são a continuação dela.
Eles são a lembrança de que o maior legado que posso deixar, não cabe numa conta bancária ou em qualquer bem material, mas cabe sim, no caráter que os ajudei a formar, no amor que ofereci, mesmo tendo sido duro em algumas atitudes ou palavras, e certo ou errado, creio que muitas boas memórias os ajudei a construir.
O mundo me ensinou que sucesso é acumular patrimônio, mas a vida me ensinou que sucesso é saber valorizar um abraço apertado, é estar ao lado dia a dia, senão presencialmente, que seja na memória, é ouvir um “eu te amo” sincero de quem aprendeu a amar porque pode ter sido amado primeiro.
Já que vai chegar o dia, onde tudo que comprei ficará para outra pessoa, a casa que tive terá outros moradores, meu carro terá outro dono, e até minhas roupas serão esquecidas no fundo de alguma gaveta ou nos cabides de algum brechó.
Mas meus filhos, eles carregarão para sempre um pedaço de mim, no jeito de sorrir, nas palavras que repetem sem que percebam, nos valores que aprenderam dentro de casa, e com certeza, até na forma como eles tratarão seus próprios filhos. Essa é a única riqueza que atravessa gerações.
Então mesmo que meus filhos trabalhem, conquistem, realizem seus sonhos, espero que nunca permitam que a busca pelas coisas materiais os faça perder aquilo que realmente importa, afinal, eles tem meus erros e acertos como parâmetros para suas vidas, e é verdade que cometerão erros, mas que não repitam os meus.
Porque, no fim das contas, o mundo pode até se lembrar do que construí, mas meus filhos vão se lembrar de quem eu fui.
®Jorge Bessa Simões
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