
De tanta revolta que vive em mim,
Devorando meu ser aos poucos,
Num martírio sem fim,
Sei lá!...
Mas revoltado contra quem?
É isso que me pergunto,
Talvez contra ninguém,
Talvez contra mim,
Ou será contra alguém?
Sei lá!...
Revolta da minha alma ter sido ferida,
Talvez por causa da minha infância perdida,
De ter tido uma sorte dividida,
Entre o amor sem guarida,
Em um campo flórido da vida?
Sei lá!...
Revolta da noite quando me deito,
Do sonho com um amor,
Sem macúla e perfeito,
Mas quando abro os olhos,
Vejo que tudo é imperfeito,
Sinto uma enorme mágoa no peito,
Já que odeio essa víbora que se chama preconceito?
Sei lá!...
Sinto uma revolta,
Mas revolta do que?
Dessa dor que não quero,
Da minha visão já que quase não enxergo,
Ou daquele infarto que quase me levou ao cemitério?
Sei lá!...
Sinto uma revolta como amigo,
E dos que me rejeitou e desprezou,
E também do amigo que de mim roubou,
O pouco que eu tinha, que decepção!
Revolta de ter tido tudo destruído em meu coração.
Sinto uma revolta como pai,
Por não ter conseguido ainda realizar,
Um sonho que fica cada dia mais distante,
De poder ao menos uma única vez na vida,
Juntar os meus filhos numa fotografia,
Sem ter que usar uma fria tecnologia,
Para cria uma ilusão de instante,
Já que logo essa minha vida se esvai,
Sei lá! Só sei que sinto uma revolta.
®Jorge Bessa Simões
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*Imagem Gerada por IA Baseada em Arquivo Pessoal
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