
O tempo passou e eu estou envelhecendo, mas sabe o que me atormenta em relação às tolices da minha juventude?
É não haver cometido o que agora não posso cometer, e com os anos que passaram, aprendi que envelhecer é passar da paixão para a compaixão.
Aprendi que muitas pessoas não chegam na velhice porque perdem muito tempo tentando se manter jovem, mesmo com a idade avançando.
E lembrar que aos quinze anos eu só tinha sonhos, quando cheguei aos vinte anos reinava em mim o desejo, aos trinta anos a razão, e só aos quarenta anos veio o juízo.
Aprendi que o que não era sonho aos quinze anos, não se tornaria belo aos vinte anos, não seria forte aos trinta anos, e que não ficaria rico depois dos quarenta anos, e tampouco sábio aos cinquenta anos, porque a vida nunca é feita de nada disso.
E agora que estou mais velho, percebo que são poucas as coisas que me parecem absurdas, porque até as decepções na vida, não me surpreendem mais.
Quando era jovem pensava que os velhos eram bobos; agora, aprendi que os velhos sabem que os jovens é que são.
Aprendi que a maturidade é voltar a encontrar a serenidade como aquela que eu usufruía quando era menino, até porque nada passa mais depressa que os anos da vida.
Quando era jovem dizia: “Verás quando tiver cinquenta anos!”. Tive cinquenta anos e não vi nada daquilo que imaginava.
Quando era jovem, nos meus olhos ardia a chama de querer viver e amar tudo com muita intensidade, agora que estou mais velho, vejo nos meus olhos a luz do que pode vir a frente ou não.
Na minha juventude a iniciativa valia tanto quanto a experiência dos velhos, talvez seja por isso que sempre há um menino em mim, e cada idade me caiu bem, mesmo em escolhas diferentes.
Quando jovem andava em grupo, como adulto passei a andar em pares, e agora como velho muitas vezes me vejo andando sozinho.
Agora, mesmo com todo esse tempo passando eu busquei ser feliz, quando fui jovem e não fui, mas quem sabe agora, eu possa ser feliz se agir de maneira sábia na minha velhice, afinal, desejei chegar à velhice, ainda que as vezes nego que tenha chegado, aliás, não! Ainda não entendo bem isso dos anos.
Todavia, foi bom vivê-los, não está sendo assim tão fácil tê-los, mas agora cheguei na minha velhice.
®Jorge Bessa Simões
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