
Não sou a areia da praia,
Onde se desenha um par de asas.
Tampouco sou a pedra que rola,
Nas marés de cada praia renascendo outra.
Sou como uma orelha encostada na concha da vida,
Sou construção e desmoronamento,
Pois ainda sou mistério.
A quatro mãos escrevo o meu roteiro,
Para o palco do tempo em que vivo,
E agora estou chegando ao meu final.
O meu caminho quem faz sou eu,
E nem sempre estou afinado com a vida,
Até porque nem sempre sou levado a sério.
Porém não vou desistir de viver,
Se deixasse que isso acontecesse,
Seria reconhecer a derrocada dos meus sonhos.
Pois enquanto eu viver,
Sonhar fará parte da minha existência,
Ainda que eu seja mistério,
Mesmo chegando ao meu final.
®Jorge Bessa Simões
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*Imagem Gerada por IA Baseada em Arquivo Pessoal
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