
Por ela, bati de frente com o meu próprio eu, abri mão de alguns sonhos para viver os dela, fiz da sua vida minha própria vida, te dei razão até na sua culpa, e minha verdade deixei oculta pois queria poder ama-la.
Mas um dia, acordei, a ficha caiu, do transe, o sonho do coração saiu, as luzes se acenderam, e fim da escuridão, nesse instante compreendi que só eu a amava, ela mal tentou entender o que eu sentia, com isso voltei a minha lucidez, meus pés voltaram para o chão, e foi ai que percebi que por ela, eu agia sem a razão.
Nesse momento percebi que era preciso também gostar mais de mim, e que não era preciso me humilhar, afinal, eu era o pai que ele sempre quis saber quem era, e até onde entendi, me corrija se estiver errado, parece que só eu abri o meu coração, e quando um amor, seja qual for, faz a gente sofrer, esse sentimento deixa de ser amor, se torna doença, obsessão e loucura.
E um amor de quem só quis amar uma filha que me foi negada por anos, não poderia ter escutado palavras tão duras como as que um dia ouvi dizer diante da mais dolorida negativa que até então eu já tinha recebido na vida, me mostrando que ela não queria que eu a amasse, e foi por ama-la que mesmo assim, me resignei a me manter distante.
Na esperança de que, quem sabe um dia, ela perceba que o pai que ela tanto procurou saber quem era, tem defeitos, medos, dores e angústias, e mesmo com as duras experiências que tive na vida, elas nunca me tiraram o maior sentimento que sempre trago guardado em meu peito, e quando descobri a nossa verdade, não esperava que me amasse da mesma forma que eu a amei.
Assim, creio que como pai, eu compreendo que tenho um coração que ama todos os meus filhos, da mesma forma como amo você minha filha, é por isso que sempre me pergunto; "Como posso amar quem não deixa que eu ame?"
®Jorge Bessa Simões
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