sexta-feira, 14 de agosto de 2026

"A dor do luto em vida" (Crônica da Vida)

A dor do luto em vida chora por aqueles que decidiram se distanciar, pois quando filhos, não importam os motivos, escolhem se afastar do pai, a ausência deles ganham o peso de uma saudade mortal e silenciosa todos os dias.
Porque não há um velório para marcar o fim, nem flores para cobrir a perda; há apenas o vazio de uma relação interrompida enquanto o tempo continua a correr para todos.
Para o pai fica, a dor do luto em vida, e poucos sabem, o quanto ele chora por aqueles que decidiram se distanciar, já que a cada lembrança que salta da sua memória: o som de um riso antigo, de um dia qualquer sem mensagens, das cadeiras vazias na mesa, tudo é um sofrimento peculiar, porque enquanto ele está vivo, esse pai sabe que as pessoas amadas continuam no mesmo mundo, respirando, vivendo, porém inacessíveis.
E seu coração precisa aprender a conviver com a existência do amor, mas com a impossibilidade do convívio, por coisas que há tempos poderiam e podem ser superadas, pois o que importa não é o que os afastou, mas o que ainda os une como pai e filhos.
Assim esse distanciamento traz consigo um luto sem despedida, onde as perguntas sem resposta ecoam na rotina.
O pai se pega revisitando o passado, buscando entender os nós que não puderam ser desatados e os silêncios que cresceram até virarem muros.
Contudo, diferente do luto definitivo, o luto em vida carrega a dor da suspensão. A dor do luto em vida chora por aqueles que decidiram se distanciar porque sabe que, enquanto houver vida, a história permanece aberta, mesmo que o presente seja feito apenas de saudades, paciência e do desejo silencioso de um reencontro.

®Jorge Bessa Simões

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*Imagem Gerada por IA Baseada em Arquivo Pessoal
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