
E não é porque concordo com tudo, é porque como homem e pai, já estou no meu limite, já desisti de ser ouvido e ser compreendido.
Porque seja qual for a minha opinião, logo aparece alguém dizendo que como homem estou sempre errado, e como pai, não fui assim muito bom, por isso tenho preferido engolir o orgulho e economizar minha energia mental e psicológica.
Quando passo tempo sozinho, mais do que o normal, não é porque quero me afastar.
É porque ficar trancado em casa sem sequer atender a porta, quem sabe não seja o melhor momento de isolamento, na verdade pode ser que seja a única pausa que encontro para não explodir ou simplesmente para sentir que eu ainda sou o mesmo, longe das pressões e cobranças, se pudesse, gostaria de sair dirigindo sem rumo por um bom tempo.
Muitas vezes tenho preferido o silêncio, e isso acontece quando algo ou alguém me incomoda com críticas ou provocações e com comentários que doem, por isso tenho escolhido não responder ou ficar explicando mais nada.
E não é porque concordo ou aceito, é porque sinto que, se eu abrir a boca, só vou piorar as coisas, por isso o silêncio tem sido a minha escolha ultimamente, e essa é uma forma de poder sobreviver em meio ao caos que acontece a minha volta.
Muitas vezes estou com sono, mas não tenho conseguido dormir para descansar, estou sempre cansado, e o que realmente tem me destruído não é o meu corpo, é minha mente.
Porque quando me deito, vem um turbilhão de pensamentos sobre tantas coisas, como homem e pai, são tantas responsabilidades e problemas que muitas vezes não sei como resolver mais nada, e isso me mantém acordado, várias noite.
Tenho evitado falar sobre o futuro, aliás, já tive muitos sonhos como homem, planos e ambições como pai, mas agora, mal consigo pensar no dia de amanhã.
E não é porque não quero, é porque o futuro me parece tão distante, inatingível e cheio de outras responsabilidades que não sei se conseguiria aguentar.
Sei que as vezes, mesmo que sem querer, tanto como homem e como pai, já explodi por coisas pequenas, como o copo fora do lugar, uma mensagem ignorada, e até a buzina de um carro.
Não estou com raiva dessas coisas, mas tudo isso é o estopim para minha mente saturada que carrega muito mais do que deveria, são tantas cobranças disso ou daquilo, do que fiz e não fiz, são tantas culpas que carrego desde a minha infância, e agora sou culpado por não ter sido o homem ou o pai que gostariam.
Cobram de mim a perfeição para tudo na vida, mas se esquecem que eu sou imperfeito como todo mundo a minha volta, e talvez ainda nem perceberam, mas isso está me matando aos poucos, em especial quando não me deixam mais fazer parte da vida de alguns a minha volta, parece que já morri em vida.
Já fiz muitas coisas no automático, cansei! Agora estou vivendo um dia igual ao outro, sem entusiasmo, sem brilho no olhar, sem um sorriso no rosto. Faço minhas coisas, volto pra casa, como e bebo, tento dormir, mas nada! Parece que aos poucos estou perdendo a conexão com tudo que um dia me deixava feliz, são esses os sinais de que já estou no meu limite, e quase ninguém percebeu, ainda....
®Jorge Bessa Simões
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