
Quem dera se..., eu pudesse abraçar as pessoas amadas com aquele abraço que faz meu coração cantar para que o outro aprecie a vida com o mesmo entusiasmo de quem não guarda nenhuma mágoa e rancor.
Quem dera se..., eu pudesse viver um pouco mais para fazer as pazes, desfazer todos os enganos, e quem sabe saborear com calma um ultimo banquete de carinho.
Quem dera se..., as compreensões viessem espontaneamente do coração das pessoas, e eu pudesse viver o ultimo momento de amor como uma preciosidade genuína que a cada único respiro humano representa o Criador.
Talvez eu não perderia essa última chance para me presentear com os agrados que me nutrem, com as oportunidades para demonstrar o meu amor, viver meus sonhos e todos os meus desejos, expressando minha admiração a cada pessoa que conheço, olhar a beleza singular externa e interna, compartilhar meus conhecimentos e ensinar a como aprender com os próprios erros, por mais duros que eles possam parecer.
Quem dera se..., chegando ao final do meu tempo, eu pudesse viver a vida com toda a intensidade e me arrepender não do que foi feito, mas daquilo que deixei de fazer, não adiaria minhas delicadezas, não pouparia minha compreensão e principalmente não adiaria meu perdão, ainda que sejam poucos os que merecem isso de mim. E eu não desperdiçaria minha energia com perigos imaginários, e com uma série de bobagens que só me afastam da vida das pessoas, e até de mim mesmo.
Quem dera se..., eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último, até porque, daqui a pouco é isso que pode me acontecer, e ai? Quem dera se...,
®Jorge Bessa Simões
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