
Um tempo que não cabe em calendários comuns, e que foram feitos com muitos refrigerantes demorados, ainda me lembro dos seus risos que ecoavam mesmo no silêncio, e de histórias que só dois corações como os nossos podem compreender.
Me lembro quando te conheci, foi sem nenhuma promessa, você ficou ali sentada a minha mesa como quem já sabia disso, e foi assim, entre passos e tropeços, que fomos tecendo um laço invisível de amizade que foi se tornando mais forte, e que nem o tempo ousou desfazer.
Trocamos cartas e muitos telefonemas no seu trabalho, depois mensagens rápidas escritas em guardanapos de papel, mas sempre com o mesmo cuidado em cada palavra trocada, pois sabíamos dos laços de amizades que nutríamos um ao outro, e naqueles momentos era como se o mundo coubesse ali.
Houveram dias de tempestade em que um foi abrigo do outro, e dias de sol tão intenso que bastava um olhar para dividirmos a luz.
Nunca fomos metade um do outro, sempre fomos inteiros, lado a lado, e talvez seja esse o segredo da nossa amizade até hoje, nos amamos sem nos prender, ficamos juntos, mas sem exigências.
E cinquenta e três anos depois, o tempo já não mede nossa amizade, porque mesmo ele passando, ela não envelhece, apenas se aprofunda como raiz que encontra mais chão.
E se alguém perguntar o que é eterno, não aponte para o céu, mostre esses dois velhos amigos sentados à mesa numa conversa, depois do nosso reencontro anos depois como se fosse o primeiro dia dessa nossa amizade.
E pensar que tem gente que ainda não acredita que, a amizade entre um homem e uma mulher não os torna grandes amigos.
Nós somos prova de que isso não é bem assim, afinal, somos dois bons amigos que se amam nessa amizade que faz 53 anos!
Que possam vir muito mais anos, e mais que uma amizade, que possamos nos amar para sempre como só os bons amigos fazem.
®Jorge Bessa Simões
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