domingo, 4 de janeiro de 2026

"Ontem faz 70 anos que vim ao mundo" (Crônica da Vida)

Muitas vezes ouço pessoas me dizerem que vivo o passado, que lembrar do passado é algo desnecessário, e outras tantas coisas, mas enfim, para mim o passado é só um espelho dos meus acertos e erros, e de tudo o que vivi.
Mas quando olho através desse espelho, não é para ficar me lamuriando do que foi e que não poderia ter sido, e nem do que poderia ter sido e não foi.
O passado é o reflexo de quem sou agora, e dos momentos que estou vivendo, por isso não preciso repeti-lo para mostrar quem posso ser no futuro, tudo faz parte de um aprendizado, ainda que carregue algumas cicatrizes de certas escolhas ou das imposições que a vida me deu.
Porém não voltaria um único dia na minha vida, ainda que lembranças boas não me faltem, assim não voltaria à minha infância, mesmo porque não sinto orgulho de mim, por ter me deixado acontecer certas coisas.
Mesmo tendo me sentido muito feliz no dia em que ganhei meu primeiro carrinho de brinquedo aos 6 anos de vida, depois me deram um velocípede que saí pedalando no primeiro minuto.
Também não voltaria à minha adolescência, mesmo me lembrando de quando fiz minhas primeiras viagens sozinho com umas amigas, e foi aí que aprendi um pouco mais sobre quem eu era, e sobre quem não era.
Não voltaria ao dia em que meus filhos nasceram, mesmo tendo a certeza absoluta que foram os dias mais felizes da minha vida, e foi uma felicidade inédita.
E depois experimentei um amor que nem sonhava que poderia ser tão intenso, até porque logo ouviria as palavras que tocariam meu coração para sempre; "Papai".
Não voltaria também ao dia de ontem, até porque ontem eu era mais jovem do que sou hoje, ontem era mais romântico do que hoje, ontem nem tinha pensado em escrever esta crônica, ontem faz 70 anos que vim ao mundo.
Por isso não tenho saudades de mim com menos cabelos brancos, não tenho saudades de mim mais sonhador.
Sendo assim, não voltaria no tempo, quer dizer ao passado, só para consertar meus erros, e não voltaria para a inocência que tinha, e que as vezes tenho ainda. Terei saudades da minha ingenuidade que nunca perdi?
Bem tudo que posso dizer nesse momento é que não tenho saudades nem de um minuto atrás, até porque tudo o que já fui um dia, ainda prossegue em mim agora nos meus 70 anos.

®Jorge Bessa Simões

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*Foto Arquivo Google Imagens.
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