domingo, 12 de julho de 2026

"Como pai" (Crônica da Vida)

Como pai perdi a coerência, o rebolado, o jogo, o juízo, o inicio do filme, o término do jogo, a conta de quantas vezes precisei me achar, me renovar, me reinventar, recomeçar como homem, pai e logo logo como avô, quantas vezes.
Até porque o tempo tem sido implacável comigo, envelheci na minha procura e regressei compassivo, troquei minhas certezas pelos acasos, meu sorriso estão a meio mastro, esperando uma luz para iluminar meus caminhos incertos quanto a certeza do meu caminhar.
Logo não ouvirei mais nenhuma gargalhada, só me restará as lágrimas que chorarão como minha única recompensa, sinto a cada dia que está chegando meus tempos de espera em escassez das alegrias, e meu tempo final, mas não me rendo à rotina, já blefei na vida algumas vezes, assim como sei que já perdi o jogo afetivo, em especial como pai e até como avô.
Mesmo assim, ainda consigo juntar minhas pretensões, olhar meu horizonte com uma pontinha de desejo para sangrar menos se acontecer novas perdas.
Nesse momento estou medindo a distância e invento um voo rápido, o que afaga minha sanidade, é por isso que digo baixinho: "Compraria um corretivo para minhas ilusões na busca de enxergar melhor o futuro, mas para que isso se realizasse creio que o melhor seria amputar o passado, até o de ontem."
Quem sabe só assim não me perco mais como homem, como pai e nem como avô.

®Jorge Bessa Simões

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*Imagem Gerada por IA Baseada em Arquivo Pessoal
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