
Se tivessem percebido, veriam que ultimamente tenho respondido tudo com um “tá bom”, depois paro de argumentar ou de me importar e até mesmo de explicar.
E não é porque concordo com tudo, é porque já estou no meu limite, já desisti de ser ouvido e ser compreendido.
Porque seja qual for a minha opinião, vai sempre aparecer alguém dizendo que estou errado, por isso tenho preferido engolir o orgulho e economizar minha energia mental e psicológica.
Quando passo tempo sozinho mais do que o normal, não é porque quero me afastar. É porque ficar trancado em casa sem sequer atender a porta, quem sabe não seja esse o melhor momento de isolamento, na verdade pode ser que seja a única pausa que encontro para não explodir ou simplesmente para sentir que eu ainda sou o mesmo, longe das pressões e cobranças. Se pudesse, gostaria de sair dirigindo sem rumo por um bom tempo.
Muitas vezes tenho preferido o silêncio, e isso acontece quando algo ou alguém me incomoda com críticas ou provocações e com comentários que doem, por isso tenho escolhido não responder.
E não é porque concordo ou aceito, é porque sinto que, se abrir a boca, só vou piorar as coisas, por isso o silêncio tem sido a minha escolha ultimamente, e essa é uma forma de poder sobreviver em meio ao caos que acontece a minha volta.
Muitas vezes estou com sono, porém não tenho conseguido dormir para descansar, estou sempre cansado, mas o que realmente me destrói não é o corpo, é minha mente.
Porque quando me deito, logo vem um turbilhão de pensamentos sobre contas, responsabilidades e problemas que muitas vezes não sei como resolver, isso me mantém acordado, várias noite.
Tenho evitado falar sobre o futuro, já tive muitos sonhos, planos e ambições, mas agora, mal consigo pensar no dia de amanhã.
Mas não é porque não quero, é porque o futuro me parece tão distante, inatingível e cheio de mais responsabilidades que não sei se conseguiria aguentar.
Sei que as vezes, mesmo que sem querer, já explodi por coisas pequenas como o copo fora do lugar, uma mensagem ignorada, e até a buzina de um carro. Não estou com raiva dessas coisas, mas tudo isso já é o estopim para minha mente saturada que carrega muito mais do que deveria.
Já fiz muitas coisas no automático, agora vivo um dia igual ao outro, sem entusiasmo, sem brilho no olhar. Faço meus trabalhos, volto pra casa, como, bebo e tento dormir, tudo porque já perdi a conexão com o que um dia me deixava feliz, são esses os sinais de que já estou no meu limite, e quase ninguém percebeu, ainda...
®Jorge Bessa Simões
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*Foto Extraída do Google Imagens.
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