segunda-feira, 22 de setembro de 2025

*"Intervalo daquele abril despedaçado" (Crônica da Vida)

Longe, muito longe de mim você está, e mesmo na sua ausência não trouxe em meu peito a mágoa após sua partida, sim tive mêdo, não sabia para onde fugir, não queria fugir para longe de você, mas você nunca mais ficaria perto de mim, como tinhamos ficado alguns dos meus abril.
Depois que a morte tirou-a dos meus braços naquele abril despedaçado por sua partida, tive a certeza de que não mais a teria ao meu lado, não beijaria teus lábios rubros, não mais iria acariciar teus negros cabelos e minhas mãos não passeariam mais sobre teu corpo, que muitas vezes te massageou e sentia o calor da sua pele macia, quantas vezes te desejei, queria poder abraçá-la dias e noites sem fim, com você ao meu lado foi como se tivesse encontrado o mais rico dos tesouros.
Mas depois da sua partida, percebi que você pertenceria ao outrora, e embora minha dor fosse uma constante, teria que me contentar em vê-la somente em sonhos, pois você se tornou a mulher do meu pesar.
Ao ti ver ser depositada no túmulo da terra em que pisaste, por um intervalo do tempo, não pisei mais no teu chão, porque eu sabia que o meu amor por você não tinha sido em vão.
Quis a vida não deixá-la ao meu lado, e depois daquele despedaçado abril, tive reapreender a seguir em frente, e assim fui para bem longe, muito longe de nós.
Sim, é verdade que tempos depois encontrei outros amores pelos caminhos que andei, tive que me refazer das cinzas, as sombras de nós por muito tempo me acompanharam, mas em meu peito ardia aquela chama que você a fez acender.
Creio que se estivesses aqui você me compreenderia, já que você sempre soube tirar de mim o melhor que eu tinha para oferecer, você sempre soube tudo o que se passava dentro de mim, não tinha como esconder de você.
Enfim, o tempo passou, o intervalo daquele abril despedaçado, me trouxe outros abril, e a maioria deles não foram e nem tem sido fáceis, não importa o quanto durem, dias, horas, minutos, eu ainda sei que se você estivesse aqui, me compreenderia.
Porém nossa história ficou distante, agora me encontro longe de tudo que um dia fez parte de nós, só me restaram as lembranças e as cicatrizes que deixam suas marcas em meu íntimo.
E para que não viesse mais sofrer, compreendi que tinha de fazer aquilo que você me disse nas suas últimas palavras em meus braços; "fique bem longe de tudo, pois sabemos que nunca mais poderemos nos ver!"
Porém, não aprendi uma coisa ainda, "há como te esquecer!". Afinal assim como você, muitas são aquelas e aqueles que, mesmo depois de suas partidas, ainda vivem em minhas memórias.

®Jorge Bessa Simões

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