
Porque mais profunda e genuína que fosse a minha intenção de acertar como pai, amar não me isentou de cometer erros, e, muitas vezes, as escolhas por mais bem-intencionadas carregavam sombras e consequências dolorosas para a minha vida e a dos meus filhos.
Já que na tentativa de proteger e dar o meu melhor como pai, sem perceber, me perdi em decisões equivocadas, pois no excesso de proteção ou rigor, sem querer fiz escolhas que acabaram sufocando a autonomia e podando as asas dos meus filhos.
Em alguns momentos minha ausência em nome do provimento, me fazia focar no trabalho para garantir um futuro estável, sem perceber que a minha presença diária e o meu afeto eram as verdadeiras necessidades do presente.
Com isso posso ter imposto expectativas demais em nossas vidas, já que eu quis guiar os caminhos dos meus filhos com base nas minhas próprias frustrações ou visões de mundo, deixando pouco espaço para que eles descobrissem quem realmente eram.
Mas as consequências dessas escolhas não surgiram por falta de amor, mas foi pela minha imperfeição humana.
E agora eu percebo que elas se traduzem em marcas reais, que podem estar causando certos distanciamentos silenciosos e feridas emocionais difíceis de cicatrizar.
Com isso aprendi que ser pai foi, e é, enfrentar o maior desafio que a vida podia trazer na minha vida, mas por outro lado compreendo que a maior beleza da paternidade reside em reconhecer que ser um bom pai, não significa que eu jamais iria falhar.
Pelo contrário, trata-se de ter a humildade para admitir as minhas próprias limitações e compreender que, mesmo quando o amor é imenso, como eu sinto, as escolhas têm um peso em nossas vidas, tanto como pai ou filhos, e no final todos nós temos que aprender a lidar com esse peso, pois ele é parte do próprio ato de amar.
®Jorge Bessa Simões
®Velhas Memórias Poéticas. Copyright © 2013-2026
®Direitos Autorais Reservados. Lei 9.610/98
*Imagem Gerada por IA Baseada em Arquivo Pessoal
©Todos os direitos reservados/2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário