
Corri até seu corpo caído no asfalto, como num flash me lembrei de quando a conheci no hospital em que ela cuidará de mim, de como ela era bonita e alegre, dos nossos sonhos, das nossas lutas, alegrias e tristezas.
Afinal, desde cedo nós dois tínhamos aprendido a conviver com o sofrimento e a dor, porém nada, nada havia nos preparado para aquela fatídica noite de abril.
Tirando-lhe o capacete com todo cuidado, vi ela abrir seus olhos, nos olhamos sem entender que aquela troca de olhares, seria nossa última vez, com seus lábios trêmulos ela balbuciou em meu ouvido seu ultimo pedido:- "Meu amor, não se esqueça de mim, sinto que vou te deixar, não era isso que queria para nós, me perdoe por estragar a sua noite, mas não importa o que aconteça, sempre te amarei, me dê um beijo, deixa-me sentir seus lábios nem que seja pela última vez."
Sem entender direito o que acontecia, dei-lhe o beijo, porém, no instante em que nossos lábios se uniram, senti que aquele era nosso ultimo beijo, e com lágrimas nos olhos disse: "Sempre irei te amar, nunca vou te esquecer, meu anjo."
E num último afago das suas mãos, ela enxugou as lágrimas que desciam pelo meu rosto, aos poucos vi seus olhos se fecharem para sempre naquele abril despedaçado que marcou meu coração para sempre.
®Jorge Bessa Simões
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