domingo, 31 de março de 2024

"Abril ferido" (Poema)

Desde que vim ao mundo muitas são as minhas feridas, nesses anos todos tive muitas perdas no meu caminhar, trago cicatrizes em meu íntimo que nunca se cicatrizaram, e ainda hoje sangram em minhas lembranças.
Mesmo assim busco pensar nas coisas boas que vivi desde criança, de como aprendi a andar de bicicleta. mesmo depois de cair tantas vezes, e ao ver o sangue no meu joelho escorrendo, doía, mas lá estava o calor de uma das pessoas que mais soube aquecer meu coração, suas palavras tinham o poder da cura quando ela dizia:- "Não está doendo mais, me dê sua mão e vamos tentar de novo."
Mais tarde, na minha adolescência, juventude e na maturidade adulta, como gostaria de sentir o vento no meu rosto desenrolando meus cabelos vendo as folhas outonais espalhadas no chão, nessa analogia, o que mais queria sentir era o calor das mãos daquela mulher que me levantava quando eu caia, que me colocava em seu colo, arrumava meus cabelos e enxugava dos meus olhos as lágrimas das minhas dores, as coisas eram simples, fáceis, práticas.
Porém o tempo insisti em levar minhas lembranças para longe, por mais que queira fugir disso, não posso! Sei que já não tenho mais o equilíbrio para pedalar, é pior, logo meus Abril já não existirão mais.
E agora meus dias são feridos pela hipocrisia de alguns a minha volta, talvez, eu seja culpado, porque acreditei que pudesse ser diferente, mas não é assim, por isso, só me resta suportar minhas dores e esperar que se fechem minhas cicatrizes, mesmo vivendo meus Abril ferido.

®Jorge Bessa Simões

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*Foto Arquivo Google Imagens.
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